] sexta-feira, outubro 12, 2007
 
quando eu tinha 13 anos, mais ou menos, eu ganhei um apelido idiota dos meus colegas de aula. tinha uma música idiota também, ligada ao apelido. eu não sabia enfrentar esse tipo de coisa. nenhum pré-adolescente sabe.

esse foi mais um trauma do tempo do colégio. mais-um.

não que eu seja uma pobrezinha (dessas que tu faz mi-mi-mi quando começam com a choradeira). mas é que sempre tem, né? trauma desse tempo de colégio. pra alguns é o normal, pra outros, são coisas que machucam pro resto da vida. meu apelido e sua musiquinha-acessória não é uma dessas coisas que machucam. o que vem por trás disso é que é. e aos 30 a gente se pergunta se já não era tempo de esquecer dessa porra de apelido.

ocorre que tem certas coisas que tu não esquece, porque elas formam tua personalidade.

meu apelido existiu porque eu era uma faladeira e pra cada coisa que o professor falava eu tinha uma história pra contar. porque eu lia muito -- é isso que faz dos nerds nerds, sabe? a gente é levado a isso porque não tem outro jeito. simplesmente, nessa época de colégio, entre os colegas que sempre estão por cima, a gente precisa fugir e ao mesmo tempo ter um lugar onde nós cabemos. esse lugar é a biblioteca -- e eu sou observadora e porque eu sempre fucei e perguntei e quis saber tudo. e minha relação com os professores era confortável, porque eles (com a triste exceção de alguns) me tratavam como gente. e porque eu queria ser que nem eles.

então eu sempre falava sobre alguma coisa.

era o único momento em que eu podia ser eu mesma. e em que eu podia ir com segurança, porque sabia o que estava fazendo. contar histórias era meu metiê. e dar o meu ponto de vista sobre elas, sobre as coisas do mundo, era a coisa que eu mais gostava e sabia fazer (além de ler).

bobagem dizer que eu era radical-de-preto-e-calça-rasgada. eu queria ser aceita, como todo mundo quer. os nerds só compreendem que não precisam ser descolados pra serem aceitos quando chegam a ficar adultos e encontram outros nerds que os aceitam.

quando voltei de dois meses e meio em portugal, essas histórias foram aceitas. por um breve espaço de um, dois meses. as pessoas queriam saber como era estar em outro país (queriam saber como eu entendia o idioma!!!). mas isso acabou.

magoa, ainda hoje, quando pegam essa guria de 13 anos e fazem dela gato e sapato. porque hoje eu sei defender ela. sei furar bloqueios e sei levantar a cabeça e dizer "ah, azar, eu sou assim mesmo e é isso, meu amigo". mas é que essa guria ainda é assim. ela não aprendeu. com os traumas do colégio, ela continua voltando pra esse lugar onde ainda tem 13 anos. talvez experimentando se já consegue contar as histórias sem o efeito do apelido aquele. mas sempre errando na medida. até o ponto de se sentir inadequada. e se sentir inadequado é uma sensação muito dolorosa. não porque a gente não caiba nos lugares, mas porque a gente fica sozinho, e todos os outros formam uma massa intransponível, que joga tomates incontáveis e gritam aquele apelido que, é claro, tu ainda não esqueceu.

[ Penkala ] 13:20 ] 26 comentários

 
eu uso óculos




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