] domingo, novembro 11, 2007
 


Embaixador: 30 anos fazendo você chorar

Se a minha vida fosse um filme, e se fosse um filme ocidental, então esse filme teria aquele bom e velho recurso da narrativa por recorrência -- que é quando uma situação se repete para fazer sentido de elipse temporal e de rotina -- comigo na rodoviária abanando pro vidro da janela dum ônibus Embaixador. Nenê, no colo da mãe; maiorzinha, segurando na mão da mãe; depois menos pequena, sem segurar na mão da mãe; maior, com lápis preto no olho e calça rasgada; depois mais velha, já do lado de dentro do ônibus, tirando fotos das pessoas lá embaixo, abanando. meu pai sempre fazendo careta.

hoje abanei pro pai. eu, no chão da rodoviária de Porto Alegre, ele dentro do vidro do Embaixador.

despedidas, pra mim, são um troço muito traumático. e o Embaixador, coitado, ônibus que nunca falha, sempre limpinho e sempre me atendendo bem, é uma das imagens mais terríveis pra mim. a recorrência, sabe?

minha vida fosse filme, algum estudantezinho de cinema analisaria e escreveria: "recorrente na obra de Penkala, a figura do ônibus simboliza as eternas partidas de quem se ama, e a eterna sensação de que nunca paramos de nos despedir dessas pessoas e, ainda assim, tem-se a impressão de que nunca será possível despedir-se".

[ Penkala ] 15:14 ] 1 comentários

 
eu uso óculos




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