] terça-feira, fevereiro 19, 2008
 
é preciso ter muita fé na inteligência humana. a de interface humana ou a que é usada pra programar computadores. fé, né, porque as provas do contrário eu recebo todo dia.

depois da maratona do calor voltando de trem pra PoA, depois de quase me cair a pressão só de olhar praquele bando de gente no centro, e depois de quase perder toda a água que me restava no corpo subindo a rua da praia até a annes dias, eu estava pronta pra enfrentar o Consulado de Portugal.

quem conhece o Consulado de Portugal de PoA põe o dedo, que já vai fechar... e faz uma imagem mental do que me esperava lá. quem não conhece, um dia eu conto sobre a lenda que lá trabalha.

pois bem. e não doeu. ou porque finalmente ela só estava entregando o passaporte de mami, e finalmente reconhecendo que eu era filha duma portuguesa (putz, quantas vezes tive que enfrentar maria joão pra depois explicar que não, eu era FILHA de portuguesa, caraças, não, não tava ali querendo requerer uma dupla cidadania porque meu trisavô era da terrinha), ou porque uma "stú-pda" ligou bem na hora e ela direcionou todo o mau humor congênito dela pra criatura, não sei, mas fato é que não doeu falar com ela desta vez.

saio eu do consulado e vou pegar meu ônibus pra casa. na fila, por conta de uma mulher pedindo grana com uma criança no colo, tive que aturar conversa de comadre sobre a situação dos pedintes em Porto Alegre.

chegando em casa, passo no correio antes. não aceitam cartão de débito. AQUI começou a ruir minha fé na inteligência humana. tive que ir na lotérica, aonde praticamente nunca vou, usar um cartão que quase nunca uso. eu queria meter o passaporte num envelopinho de sedex duma vez e vir pra casa comer, que eram quase 3 da tarde.

peço um saque na lotérica. "pode botar a senha". coloco a senha. "digita ano e dia do nascimento", digitei, né? só depois é que eu notei que só 4 asteriscos estavam na tela, o que significa que a maquininha burra e seu programa estúpido criado por um programador demente acha que ano de nascimento é só dois números. eu nasci em 19**. se me pedem pra digitar ano de nascimento, a não ser que digam ou que só tenha espaço da DOIS DÍGITOS, meu nascimento é 19**, caralho. mas não, nem a máquina explica, nem a guria da lotérica.

"ué, não deu". "bota a senha de novo"

****

"ano e dia de nascimento"

eu, já tendo percebido a burrice da maquininha e a incompetência da guria, disse que ia digitar os dois últimos dígitos do ano e os dois do dia. e ela "aaaaaaaaah, é, é isso mesmo".

**** (isso sou eu digitando)

"não deu de novo". eu: "?". tenho certeza da senha, tenho certeza de tudo.

pede a senha de novo. ela vai lá e digita meu nascimento, olhando pra minha carteira de identidade (deve ter pensado que eu não sabia digitar...)

é, não deu. e agora bloqueou.

"mas como assim? eu tenho certeza que tá tudo certo. nunca deu problema e, aliás, nunca nos pediram data de nascimento"

"é, agora tão pedindo. mas tua conta é conjunta?"

"sim"

"aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, bom! era pra digitar o nascimento do titular. vai ali na agência e pede que eles te desbloqueiam rapidinho".

BELEZA. eu acho isso uma beleza. primeiro, eu já sem forças estava ali pra não ter que ir na agência. na agência, além de ter que ir bem mais longe, eu teria que tirar TUDO de dentro da bolsa pra entrar, esperar alguém me atender e etc e tal, só pra tirar uns pila pra poder botar uma coisa no correio.

eu me pergunto: comé que eu ia adivinhar, mocinha, que aquilo deveria se tratar do nascimento do titular da conta? não era tu que teria que me avisar disso? assim como não era tu que tinha que me avisar que o ano era só os dois últimos dígitos?

eu me pergunto, mais uma vez: por que esses programadores tinham que ser tudo asperger? não saem de casa, ficam alheios ao mundo e dá nisso: não se dão conta que ano de nascimento é 19**, e não **. a não ser que só tenha dois espacinhos, o que ali não tinha. além disso, poderia alguém me explicar por que tenho nome num cartão, digito senha alfabética própria no meu cartão, e quando vou fazer uma operação nova tenho que digitar o ano de nascimento do titular, e não meu?

com todas as perguntas na cabeça, tive que sacar dinheiro no caixa da agência, depois de desbloquear. e ali tive que cadastrar mais uma senha alfabética, diferente da que eu vinha usando antes nos caixas eletrônicos e que eu decorei porque tinha as iniciais de um filme.

agora eu tenho uma senha pra internet, uma pro caixa e uma alfabética pro caixa, de uma conta. mais uma senha de saque, uma de compras, uma alfabética e uma de palavra pra outra conta. fora me lembrar que eu tenho que colocar o ano de nascimento do titular da conta.

do que adianta essa segurança toda? se o cara rouba minha senha, não vai ser o ano de nascimento que vai ser problema. fora que hoje, é mais fácil apontar uma arma de brinquedo pra pessoa e dizer pra ela sacar muita grana e deu. o brabo é que, com tanta senha, meu risco de sofrer uma violência brutal aumenta horrores, porque na hora do pânico, comé que eu vou lembrar de tanta porra de número e letra? isso se não for castigada pelos meliantes por ter meu cartão bloqueado por uma mula que não sabe dar uma informação.

[ Penkala ] 15:42 ] 5 comentários

 
eu uso óculos




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