] sexta-feira, março 28, 2008
 
há pouquinho mais de seis anos meu namorado tinha ido morar sozinho pra poder concluir o tcc. estávamos juntos fazia sete anos e queríamos muito casar, mas a falta de grana pra comprar uma cama de casal que fosse, pra sustentar supermercado, essas coisas mundanas que até o Sartre teria precisado, nos impedia. até que chegou aquele momento astral: ou a gente casa ou a gente separa.

mas casar, né? tipo, pra mim casar é morar junto. pro meu pai casar é no mínimo ir ali no civil fazer um esqueminha e tal (ele já tinha desistido da idéia de me fazer entrar numa igreja, o que foi esperto da parte do meu pai, que assim ele não desejaria tanto uma coisa que nunca aconteceria).

aí eu falei com ele. olhapai, assim, a gente tá junto faz sete anos. a gente já quer casar faz tempo. e eu queria que tu aceitasse isso.

e o meu pai aceitou. um, dois dias depois, estava eu lá na redação do antigo emprego, cedo, e ligo pro cartório.

* por favor, queria informações sobre casamento... que documentos, quanto custa?

* tem que vir o noivo e a noiva, trazer tais e tais documentos, e custa R$ 52,** (não lembro os quebrados)

* ok, e fecha ao meio dia?

* não.

* ok. brigada, então.

ligo pro namorado. falo as coisas todas, combino pro meio dia. e meio dia nós vamos pro cartório. era finalzão de fevereiro isso. queríamos casar dia 13 de março, que era nosso aniversário de namoro. mas não tinha como, que não dava os tantos dias que o processo tem que correr antes de sair o casório. aí perguntamos: "tá, e colé o primeiro dia que dá?"

28 de março, véspera de feriado de páscoa, quinta feira.

"ok, então. é esse dia mesmo"

hoje pensando eu me dou conta de duas coisas muito importantes. a primeira é que eu fiz uma coisa que eu nunca faria: não planejei. quem olhasse pra situação diria que eu sou uma clementine kruczynski da vida. o que eventualmente teria lógica, por causa do cabelo. mas eu não sou. eu sou a maior cagalhona da face da Terra.

e a segunda é que, dando uma de clementine justo no assunto casamento eu não pensei no quanto isso pode ter sido um choque pros meus pais. principalmente pro meu pai. porque, veja, num dia tua flha te diz "hey, pai, eu tenho que casar, né? faz tanto tempo e eu ia ter que casar anyways...", e aí, dois dias depois a filha chega "hey, pai, fim de março a gente casa".

foi uma correria muito desgraçada o mês de março. eu não tinha vestido e minha mãe me proibiu de casar de calça social preta (ok, no cartório foi isso mesmo). no fim, ela fez um vestido pra mim em menos de uma semana com uma seda japonesa que ela tinha ganho há uns 40 mil anos de um tio.

e dia 13, que seria o dia do casamento, virou tristeza, porque meu avô paterno faleceu. meu pai teve que suportar, num espaço de menos de duas semanas, a morte do pai e a saída da filha. desculpa, pai, viu?

e aí, na semana do casório, eu correndo feito doida, e minha mãe junto, e o namorado em sapucaia fazendo uma seleção pra substituto. no dia do casamento ele ganhou o emprego e chegou quase em cima da hora pro cartório. um dos padrinhos, que chega sempre 10 minutos antes a qualquer compromisso, chegou 20 minutos antes. mas o casamento estava marcado pras 16h40 (era o último do dia) e a juíza, puta da cara, véspera de feriadíssimo, já ia fechando as janelas todas do cartório quando chega o padrinho, achando que o casamento era cinquivinte (cinteprascinco, néam?).

depois de tudo, e de muito stress, e de ter ficado de pé descalço a noite inteira na cerimônia+recepção porque o sapato era dolorido, arrumamos o salão, levamos coisas pra casa e, na carona no jipão ainda vermelho que eu chamo de Boris, chegando na minha nova casa, vi meu pai chorar de cantinho.

foi há seis anos. segundo uma colega, bodas de açúcar. bittersweet symphony.

[ Penkala ] 08:16 ] 13 comentários

 
eu uso óculos




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