] segunda-feira, abril 14, 2008
 
é amanhã.

os 20 e poucos se vão pra sempre. hoje é meu último dia na década dos 20 anos. amanhã, a partir das 14h20, terei 30.

será que isso tem algum significado?

eu acho 30 um número bonito. mas é esquisito, aplicado assim a mim, enquanto pessoa.

porque pra mim 30 não significa estar envelhecendo mais que os 29 quando eu tinha 28... mas é que, vejam, amanhã serei uma mulher de 30. e é esquisito passar assim de década.

dos nove pros 10 eu não tinha a menor noção. óbvio. o tempo não existe nessa idade. aos 15 me disseram que é depois dos 15 que o tempo voa mesmo. e lá se vão 15, hein? aos 20 eu estava me lixando pra essa mudança. afinal, eu era uma estudantezinha de graduação que achava que sabia tudo e que a idade não tinha nadavê. aos 20 eu era muito magra (sem esforço). aos 20 eu me achava sexualmente resolvida. aos 20 eu estava no meio da faculdade e me achava o máximo. aos 20 eu nunca tinha me preocupado com a saúde. o meu maior problema era ter dinheiro pra comprar o anticoncepcional todo mês, ter que aturar disciplinas com cálculo em pleno curso de comunicação, se minha sogra iria ou não viajar no domingo pra liberar o apê e, finalmente, que meu joelho doía quando eu ficava muito tempo sentada com as pernas cruzadas.

mas agora eu tenho quase 30. eu lembro bem de quando minha mãe ainda não tinha nem perto dos 30. eu lembro bem de quando meu pai tinha 36 (e uma colega, pensativa, comentou que era o oposto da idade do pai dela). aos 30 as mulheres não podem ser chamadas de moças, embora ainda o sejam ("quando eu era moça", vão dizer, aos 70, pros netos). aos 30, o significado de "mulher" muda. por causa do Balzac.

vou comemorar meus 30 talvez indo ao cinema. não tem filme bom passando aqui perto, então é apenas ir ao cinema. vou comemorar meus 30 escrevendo minha coluna pra revista. vou comemorar os 30 de pé, diante de uma turma de formandos cansados depois de um dia de trabalho, dando aula sobre o sentido das cores no cinema. vou ainda comemorar os 30 fazendo um jejum de oito horas, e depois sendo sedada e engolindo um endoscópio pra saber, finalmente, o que faz com que meu estômago doa tanto: o chocolate, o stress, uma úlcera ou um tumor (segundo o médico, não tenho 60. se os tivesse, talvez um tumor existisse. e eu penso que um dia eu posso chegar aos 60).

há 25 anos eu entrei pro jardim de infância. há 23 eu sei ler. há 17 eu saí do país. há 15 eu enterrei meu futuro no atletismo. há 14 eu uso óculos. há 13 eu perdi a virgindade. há 12 entrei pra faculdade. há oito eu ganhei um diploma. há seis eu casei. há dois tomei anestesia geral. há um e meio eu sou mestre. há um eu sou doutoranda. há 29 eu estava começando a falar. há 30 eu fui parida. há 31 o mundo ainda nem tinha vídeo-cassete e nem bebês de proveta.

[ Penkala ] 19:17 ] 9 comentários

 
eu uso óculos




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