] terça-feira, abril 29, 2008
 
capitão, meu capitão



outro dia lembrei exatamente do momento exato em que meu prof. de cinema nos falava sobre os TELEFONES BRANCOS. a explicação tá no link (ô admirável mundo novo, a serviço da preguiça!). e eu lembro mesmo, exatamente. e foi nesse momento que eu pensei que talvez um dia eu falasse sobre isso com os meus alunos. isso, no caso, os telefones brancos. e eu esqueci completamente dessa coisa. eu fui lembrar disso no exato momento em que, quando dava uma aula sobre realismo no cinema, mencionei os telefoni bianchi. me veio essa cena lincada no meu cérebro com a aula de algum dia de 1997 em que estudávamos neo-realismo italiano.

essa noite não conseguia dormir. me atormentava a ansiedade da prova de hoje. e eu dizia pra mim mesma que me acalmasse, porra, que a prova não era eu que ia fazer. é bizarro quando a gente está, pela primeira vez, do lado de cá da prova. já apliquei e corrigi trabalhos, mas prova são outros 500. por mais que os alunos saibam do assunto, eles sempre ficam ansiosos com prova. é justo porque prova é uma categoria com estátus diferente no mundo acadêmico. não é trabalhinho, nem artiguinho (que é mais difícil, aliás), é pro-va. desta vez, amiga, estou aqui, com a caneta bic vermelha.



e a tese não anda. eu tento dominar o objeto, mas ele me escapa. eu penso, e penso outra vez, e ele continua ensaboado. o que é normal. menos de um ano falta pra minha qualificação. e eu lembro bem da minha qualificação de mestrado. o medo. me borrava de medo. depois que saí, vi que nem duas cabeça tinha aquele bicho. mas tou acompanhando a ansiedade alheia com a qualificação de colegas mestrandos e me dei conta de uma coisa: doutorado é mesmo a maior barbada do mundo. só o fato de tu já saber que bicho te espera, meio caminho andado. só o fato de tu saber que um branco de dois, três meses inevitavelmente vai acabar num passe de mágica quando tu menos esperar (vendo desenho animado, tipo assim), já é um alento.

porque no doutorado tu sabe as perguntas.

as perguntas são muito mais importantes na vida acadêmica que as respostas.

então. no doutorado tu sabe as perguntas ou NO MÍNIMO como chegar nelas. e tu sabe domar metodologia. e tu sabe lidar com autor chato de mau humor que faz picuinha porque o chá que tu serviu pra ele tava gelado. ou autor que não fala com outro nem fudendo. ou que fala, e se dana a falar e te deixa ali, olhando pro relógio e pensando "tá, filha, que já deu tua hora". mas no mestrado não, né? no mestrado tu não faz idéia que tem autor com o sistema nervoso. nem que chá servir com que bolo pra qual deles. no mestrado, tu tem que aprender, primeiro, o que é uma pergunta. e depois tu tem que elaborar as perguntas. e quando tu tem um branco, tu acha que vai direto pra luz, pelo túnel, sabe? que nunca mais volta. mas volta, né? volta.

saco, hein?

porra, e como dói.

no doutorado, não. dói, claro, mas tu pelo menos sabe que não é grave e que tu sobrevive. e que depois da núvem tu vai enxergar (sabe a abertura dos simpsons? quando a mulher fala "dã sim-psons..."?). e que a qualificação não é ruim. bem pelo contrário, que na qualificação tu pode errar, tu pode pedir sugestão da banca, que tu tá ali totalmente padawan. na defesa tem que ser Jedi. e no doutorado tu sabe tudo isso porque tu já é Mestre Jedi, agora só falta saber a esgrima bem e tudo. e não passar pro lado negro da força.

[ Penkala ] 15:35 ] 3 comentários

 
eu uso óculos




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