] sábado, abril 26, 2008
 
me chamem de elitista, argumentem que político não precisa ter diploma (sou a primeira a achar que uma coisa não tem relação com a outra) e que bom político é aquele que faz. mas tem coisa que tem limite, e essa coisa é a chinelagem. o link e a dica foram do consoni, e a peleia se deu no novacorja. não sei se dou risada ou se choro no cantinho, mas é bem provável que, escolhendo nenhum dos dois, corte os pulsos.

eu aceitaria o rótulo de elitista se achar que as pessoas têm que se dar o respeito antes de quererem o respeito alheio é ser elitista. e se dar o respeito não é privilégio de classe (que o diga a narcisa tamborindeguy) e nem é coisa que "gente humilde" não possa ter. só que se dar o respeito é conceito raramente compreendido pelo vasto da população brasileira. ter dignidade é coisa que não se aprende no colégio (ô) e nem se compra em loja. ter dignidade não é possível apenas quando se é magro e rico e instruído. ocorre que, assim como muitas pessoas hoje não sabem o que é se dar o respeito, os "políticos", em sendo pessoas também (embora isso seja questionável), estão nesse bolo. ou pior, os políticos são os primeiros a formar esse bolo. como eu já vi muita coisa na vida política e estou convencida de que a política não é uma merda por ser formada por políticos, mas por ser feita de seres humanos, o mínimo que eu espero do inevitável grupo que inevitavelmente precisa "representar" o povo (na falta de possibilidade de uma anarquia efetiva neste país) é dignidade.

eu cometo erros de português. de digitação também. na medida do possível, corrijo esses erros. e sou formada em jornalismo, com mestrado em comunicação e doutoranda da mesma área. doutor não escreve errado? bobagem! conforme a área se aproxima das exatas e naturais, a chance do sujeito tropeçar na ortografia e deixar hematomas pelo texto é maior, pela falta de intimidade com os escritos), embora isso não seja generalizável. é imperdoável? não, a não ser que o texto do cara saia errado numa revista. afinal, cobrar que um químico tenha um texto perfeito é quase o mesmo que esperar de um jornalista que saiba dizer o que são cada um daqueles quadradinhos coloridos com letrinhas que alguns professores nos apresentaram como "tabela periódica de elementos" na sétima série. digo quase porque química a gente estuda pouco no colégio, mas português é toda hora, até o fim do segundo grau. e é usado pra tudo, até pra responder provas de química.

mas se tem uma coisa que a internet ajudou a causar (na gurizada da geração "uso msn desde os 10 anos") ou popularizar (nos outros, que aprenderam a escrever fora do msn) foi a falta de piedade com o português. pobre velho esfaqueado todos os dias rede a fora! eu fico muito chocada ao ler o texto dum sujeito que se pretende vereador e que não consegue enviar uma carta de pedido de apoio de candidatura (diga-se, fora de tempo e ilicitamente) sem cometer todos os erros imagináveis contra o velho Manuel Pereira. foi com o uso geral da internet que todos puderam comprovar o nível de decreptude da aprendizagem da língua escrita no País. ou é aquela gyselle do Big Brother, que tem um nome prolixo e enfeitado, mas não tem conhecimentos básicos da língua portuguesa e nem pensa antes de escrever merda pros outros verem (tão crítico quanto o fato de supostamente ela não tomar banho por muito tempo, segundo comentam); ou é esse analfabeto funcional candidato a candidato a vereador que sabe usar a internet pra benefício próprio mas não tem nem vergonha de enviar por e-mail um texto que é formado por 50% de erros ortográficos infelizes e 50% de tropeços na digitação. ele é um coitado? não acho. ele é um pobre ser humano que não teve instrução? não, pelo que me faz acreditar o diploma de analista de sistemas. ele é um infeliz que tá de ingênuo nessa história? não me parece, pelo retorno constante aos comentários do blog, onde ele comete um erro (digitação? de ortografia?) atrás do outro se dizendo frustrado por estar sendo ridicularizado e, depois, processa o blog por difamação.

segundo um código muito estreito que a minha vó, uma pessoa com menos que a quarta série, ignorante, de uma freguesia esquecida pelo tempo em Portugal ensinou, quando a gente se expõe e expõe os fundilhos e deixa o mundo ver as nossas indignidades, não tem como pedir respeito. e, no momento, se tem uma coisa que me irrita profundamente é o sujeito querer usar a internet pra fazer campanha e abrir a sua incompetência pro mundo e depois reclamar do ridículo que fizeram ele passar. não saber escrever certas palavras é compreensível, mas não conseguir se fazer entender pelo absurdo do escrito é, no mínimo, pedir pra apanhar. e esse apanhou, e bem apanhado.

aliás, me irrita pessoas que escrevem tão, mas tão errado que impossibilitam a leitura de uma frase que seja. eu sempre fico meio parva diante de frases escritas do tipo (em legenda de foto é o mais comum) "que solsao em". pra começar, não compreendo o asco que se tem de til, acentos, cedilhas. mas pior que isso, fico sempre pensando "solsão onde? em aquários? em áries?". ou a pessoa não completou a frase, ou faltou noção.

mas fazer o quê se tem muito aDEvogado por aí que faz questão de ser chamado de doutor e não sabe nem empregar corretamente o "na qual".


agora bora procurar nesse blog erros de ortografia! tem um monte.

[ Penkala ] 14:39 ] 3 comentários

 
eu uso óculos




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