] sexta-feira, junho 27, 2008
 
como se queria demonstrar

como a gente é cagão, né?

(uma mega nostalgia dos infernos dos tempos do mestrado!)

tava aqui tentando lembrar o nome do tradutor que tascou destarte no livro que eu li e me lembrei do meu primeiro sonho de consumo acadêmico: usar Post hoc ergo propter hoc. porque data venia eu acho bobo e, bom, no contexto do seu uso mais comum é a coisa mais idiota do mundo, mas vamos nos combinar que é bonito de se ver uma boa frase em latim escrita com propriedade. nem que seja pra debochar (tipo eu pros meus alunos: dura lex, chata lex, sed lex*).

aí a gente é uns cagão e entra no mestrado deslumbrado. e logo no primeiro semestre, como disciplina obrigatória, tu tem aula de metodologia com um dos professores mais queridos da academia. porque pra mim faz uma diferença danada professor ser querido ou não. quer dizer: primeiro o sujeito tem que ser bom. depois o sujeito tem que ser querido. aí não tem aluno que não vá pra aula do sujeito. não adianta saber muito. ou apenas ser "grande figura humana", como diz o Noblat. tem que ser os dois, que aí a gurizada do mestrado comparece em peso nas aulas.

enfim. esse professor podia falar o que quisesse, que a gente sempre gostava da aula dele. porque além de saber (ele era o "mestre dos magos"), ele não dava uma de grandes merdas (apesar de ser O fodalhão). era dessas pessoas que tem vocação pra ensinar. era generoso. e sabia dosar muito bem conhecimentos cascudos com uma aula light. porque ele dava metodologia. e metodologia, pelo menos pra mim, é dureza.

e eu era, como todo mundo, uma cagalhona. uma aprendiz de fodalhona, mas ainda assim uma cagalhona. e tinha uma coisa que eu achava divertidíssimo era que o mestre dos magos, vez ou outra, soltava uma dessas pérolas hilárias que são de um luxo tão grande que a gente só vai ter coragem de usar brincando ou, quiçá, quando estiver podendo assinar PhD do lado do nome.

nunca esqueço da aula onde ele disse que odiava "influenciado", achava temerário dizermos que tínhamos uma "hipótese" e o significado de Post hoc ergo propter hoc. depois disso, logo, por causa disso. ele dizia essas coisas como quem é um cientista doido no seu laboratório sujo e grita "eureka!".

post hoc ergo propter hoc.

um dia vou usar isso. tomara, é claro, que eu tenha juízo e não use antes da hora. ou que eu seja palhaça o suficiente pra fazer piada a respeito. porque, na verdade, eu acho de uma belezura só. tenho paixões por essas coisas. ok, eu sou uma bocaberta. quod erat demonstrandum, eu sou, ainda, uma cagalhona, apesar de achar que tinha deixado de ser. quid pro quod!






[ * ] a lei é dura, a lei é chata, mas é a lei

[ Penkala ] 20:26 ] 6 comentários

 
eu uso óculos




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