] quinta-feira, junho 26, 2008
 
outro dia tava lendo um livro e o mané escreveu destarte

quando eu entrei na faculdade, achava que sabia tudo.

de fato, sabia muito, que eu sempre fui cdf (e, ok, não tem quem não saiba disso, então chega).

mas eu era, como toda guria de 16/17 anos, uma estúpida.

levei tanta beaba da vida na graduação (tipo me dar conta de que eu não sabia porras nenhumas mesmo) e, depois, no trabalho, que parei com essa história de ficar me achando. óbvio que não deixei nem de ser nerd e nem de achar que isso era o máximo, mas de qualquer forma, passei a ser menos intelectualóide e a ser mais intelectual de verdade. modos que virei uma bagaceira que nem eu me agüento, de tanta bobagem que às vezes eu falo.

mas eu ainda me acho chata pra caralho.

aí eu entrei no mestrado. e eu achei que eu ia encontrar um monte de gente mala que só fala difícil e fica só pensando em artigo. e, olha que massa, não foi assim. todo mundo superempolgado com os seus objetos e problemas de pesquisa, cada um mais nerd que o outro, a maioria babando pelos profs. fodalhões da academia, todo mundo se pegando na porrada (em tese, tá? em tese!) na defesa das suas pesquisinhas, mas batia o recreio (aham, recreio. não vem me dizer que de faculdade é intervalo, que de mestrado é intervalo que não é. hora de relaxar, tomar café e olhar as árvi no campus é recreio, meu amigo!) e a gente saía tudo junto, mas tudo junto mesmo (ok, a não ser um ou dois pouquíssimos malas, né, Daniel?) e ia pro bar tomar um café e falar bobagem.

quando os horários permitiam, a gente se juntava na casa de uma das colegas e só falava merda. o papo geral eram as nossas pesquisas, mas o grosso da reunião mesmo era a bobajada que a gente ficava falando até altas da noite, comendo doce e escutando alguns dos melhores cds de música da colega radialista.

e ninguém aturava muita malice de academicismos e nem intelectualóides que porventura viessem nos explodir o saco. porque, na verdade, ninguém atura mesmo, né? nada mais chato que o sujeito que se acha o máximo porque fez doutorado. foda-se. quanta gente faz doutorado? eu faço doutorado, grande coisa. eu sou bem inteligentinha, até. e faço doutorado. mas grandes merdas, né? numa sala cheia de doutores, o que diabos interessa se tu fez doutorado? então não seja chato e fale bobagem, pelamor.

outro dia um PERMEIA apareceu aqui no blog. me desculpei, né? que permeia a gente fala pra porteiro de boate.

ops. não é isso.

permeia a gente fala em artigo. e eu falei permeia. no blog. no blog que era pra eu estar falando bobagem, porque é isso que esse blog é, né? tipo. calaboca! permeia...

e destarte.

destarte era a palavra ícone da nossa turma no mestrado. é que nem debochar de aDEvogado falando data venia. (caralho, tem uma revista jurídica com esse nome! meo!) data venia dá vontade de dizer: DATA MAXIMA VENIA, mas vá tomar no seu rabo. a gente usava destarte pra tudo. debochando, claro. era tipo assim "destarte o fucô fosse careca, era até bem bonitinho" (tinha gente que achava que destarte era "embora". e tinha gente que achava o fucô bonitinho. e tinha um colega-turista que a gente chamava de fucô. bando de maconheiro esses mestrando!)

era isso e o etéreo. porque, né? tem que ter uma entidade em algum lugar que justifique o cara passar anos da vida dele fazendo uma pesquisa e chega no final e fala: concluímos. concluímos quem? tu e o etéreo? o etéreo busca teus xerox? ele bota os artigo na ABNT pra ti, quando tu tá cansado? acaso ele lava as tuas roupas e limpa o banheiro enquanto tu tá louco tentando acabar a dissertação?

puramor. nem data venia, nem destarte, nem permeia, nem concluímos. a lei é tão dura (mas é lei), então pra quê, né? a vida já é uma palhaçada, então que mané destarte, né? parece que fizeram cortes no orçamento da escola de samba, e juntaram a função do destaque com a do porta-estandarte. com todo o respeito, mas não use destarte nem por decreto, e nem na tese, e nem na dissertação.

aí o cara vai lá, traduz um livro, e me coloca destarte? o autor sabe disso, meu filho? o autor sequer sonha que tu anda cagando na tradução do trabalho dele pra língua de Camões?

fim da várzea, né?

[ Penkala ] 17:05 ] 5 comentários

 
eu uso óculos




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