] quinta-feira, julho 31, 2008
 
eu fui uma criança muito alegre

compreendo agora, como nunca, aquele "cínico(a)" que as pessoas usam pra chamar outras em ocasiões que não são a de uso corriqueiro pro cinismo dos outros.

tou com medo, porque acho que me tornei uma cínica. vejo agora que talvez tenha sido por ilusão hormonal que um dia achei que eu fosse uma pessoa inconformada, rebelde e politizada. será que já fui mesmo?

porque eu sou cagona. eu não levanto um dedo pra reclamar contra as coisas que fazem de ruim pra mim, contra o que eu não gosto quando me aprontam, contra as explorações nossas de cada dia as quais eu aceito que ocorram comigo.

virei uma revoltada inerte, mas acho que não virei, não. só percebi que sou.

sabe a Grace do DOG VILLE? eu tenho medo de ser como ela. tolerar por não esperar o melhor, e não esperar o melhor por julgar os outros piores. e julgar os outros piores por me julgar melhor. e me julgar, assim, uma santa.

em off eu cago o mundo a grito. eu reclamo, revoluciono.

mas no IN eu baixo a cabeça e, numa arrogância descomunal, me conformo.

ou nem baixo a cabeça porra nenhuma e já chego conformada.

tenho medo, de verdade, de que eu repita tudo aquilo que acho patético: jovens revolucionários se tornam adultos ou velhos conformados e burgueses.

eu sou covarde. sou covarde e muito descrente.

já não acredito mais em nada. perdi a crença em tudo, até mesmo naquilo em cuja crença eu me prendia feito um carrapato. a vida é dura. é. e é mesmo. e o mundo é uma bosta. é. é mesmo. e eu tenho feito algo?

nah.

porque eu não acredito mais no mundo.

virei uma besta egocentrada e extremamente empenhada em conseguir o que é melhor pra mim. (não venha me dizer que isso é humano, porque isso seria simplista. simplório) é verdade que nem tenho vontade e nem consigo fazer mal a alguém nesse processo. no que depender da minha gana por competição acirrada, todos ganham, menos eu. mas não fazer mal a ninguém não muda porra nenhuma. porque do zero pra esquerda o mundo já passou faz é tempo, seu guarda.

eu não tenho mais paciência com hippismos. e nem com arte de vanguarda. não tenho saco pra poesia, a não ser que ela seja anarquicamente sem dono, sem rima, sem noção. odeio pose. grandiloqüência. odeio artistas moderninhos, intelectualóides, grandes estudiosos de porras mortas que não servem pra merda nenhuma, odeio quem é sexualmente bem resolvido e odeio quem ainda acredita em psicanálise.

a cada dia, a cada hora, eu vejo nascer dentro de mim uma bruxa do 71. amarga. opaca. vestindo muito azul. e sustentando no chapéu molengo uma flor azeda e morta.

[ Penkala ] 16:43 ] 2 comentários

 
eu uso óculos




CLICA QUE VAI:
www.flickr.com
Penkala's eu, casa & coisas photoset Penkala's eu, casa & coisas photoset

BLACK BIRD SINGING:

Get Firefox!








Powered by Blogger


RSS