] segunda-feira, julho 14, 2008
 
não, eu não tenho tido domingos. e nem sábados. o único luxo que tenho mantido é dormir mais de seis horas por dia (mais por medo de ter um treco, já que o primeiro semestre e o ano passado foram potencialmente suicidas, do que por luxo mesmo). de resto, é o dia inteiro sem parar, sete-dias-por-semana sem parar. os horários mais doidos. e as pessoas achando que eu estou de férias.

hoje o cliente marcou reunião na agência 13h30. "entre 13h30 e 14h". como se, né? meia hora a gente pode esperar, né? que a gente coça o dia todo, né? pois então o cliente chega 14h45. assim, um atraso de no mínimo 45 minutos, não fosse eu estar esperando desde 13h30. o que é 1h15 minutos, não é mesmo? pra alterar 5 palavras, digitar um parágrafo e imprimir toda a revista pra ele mandar pra revisora de ortografia, que vai fazer, isso sim, umas 438 alterações. né? porque e-mail não resolve esse problema sério da humanidade.

aí eu chego em casa com as guampa bem, mas bem torta, e encontro a vizinha. a mamãe-monstro. a mãe do belezinha de 4 anos que fica literalmente 1 minuto com o dedo grudado no interfone, 23h, pro papai abrir (porque mamãe-monstro e filho-monstro saem e nunca levam a chave). e o papai monstro diz, apenas, "ô, cara". assim, como quem acha que está dando uma super lição no filho, cujo dedo no interfone me provoca engulhos (já que o barulho é alto e fica na parede que eu divido com a família-monstro). essa mamãe-monstro, com sua cara debilóide que só ela tem a capacidade de ter, e aquele cabelo lavado de quem é chamada de doutora-por-que-é-aDEvogada-mas-coça-o-dia-todo-em-casa, me aborda, chegando no portão: "opa! a única vizinha que eu nunca vejo é justo a vizinha de porta!".

"digo agora pra ela, meu deus, que é porque quando eu estou saindo e vejo barulho na porta dela, eu espero, pra não ter que ouvir a voz débil de mamãe-monstro? e se perigar ainda aguentar o monstrinho querendo aparecer fazendo algum barulho hediondo na minha frente? digo, digo?"

porque tem outra opção, né? tem a opção "deve ser porque quando não estou em casa trabalhando em alguma das minhas 13,2 tarefas diárias, eu estou na rua, trabalhando nas outras 28,3 tarefas que só posso fazer na rua (como fazer 5 alterações de texto pro cliente e ficar o resto do dia/noite imprimindo, cortando e montando boneco de revista de 64 páginas)". e tem a opção plus: "porque mesmo acordando de madrugada, assustada, todososdias, porque o teu filho-monstro está BERRANDO, eu continuo tendo que acordar e fazer 13,2 tarefas em casa e mais 28,3 na rua".

mas não, meu eye-laser ainda não tá tão potente. e ela não consegue decodificar expressões faciais como "calaboca, sua aparvalhada, e toca entrar em casa que eu não aturo tua voz".

mas não deu certo o tempinho que eu dei recolhendo as urgentes correspondências da caixa de correio (tudo spam) pra ver se ela entrava antes de mim. ela é monstra e ela é lerda (o que se percebe pela cara abostada e pela rica criação que ela dá ao monstrinho, que tem nome de anjo). entrando em casa, tendo que me contorcer pra poder abrir a porta, visto que o monstrinho estava no caminho, ela pergunta (e, olha, eu tava com todas as minhas guampas viradas): "quando é que vem um bebêzinho..."

gente idiota é uma coisa linda, né? casou, te perguntam pelo bebêzinho. casou e faz tempo, te acham estranha porque dão pela falta do teu filho brincando cas criança no pátio. vizinho força, né? agora porque mora do lado eu tenho que saber da vida, conversar no portão e gastar um tempo considerável fazendo fofoca? porque mora do lado eu tenho que aturar?

"... pra ficar amigo do *** e brincarem juntos?"


...


minha senhora. veja bem. não tinha pensado nisso ainda. até ontem, estava adiando a maternidade do Pedro e da Alice pelo único fato de ainda não ter terminado o doutorado. agora, todo um mundo de problemas surge na minha frente. obrigada, dona monstra, pelo alerta. agora, no que depender de um vizinho pra brincar com o *** e ficar amiguinho dele, eu não vou ter filho antes do *** estar velho o suficiente pra só se interessar por entrar dentro das calças das gurias. não é porque teu filho é um monstro e só quem brinca com ele é o psicopatinha dos apartamentos do subsolo que eu vou ser obrigada a fazer um filho pra destruir a vida dele deixando ele brincar com o teu.

no fim das contas, é porque gente que deveria ser infértil não o é é que gente que quer procriar acaba ficando é com medo.

[ Penkala ] 20:20 ] 4 comentários

 
eu uso óculos




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