] quinta-feira, julho 31, 2008
 
ouvido de tuberculoso

apesar de ser filha e neta de portugueses, polacos, italianos e espanhóis (a gente sabe que essa gente não entende o conceito de SILÊNCIO), eu prezo muito o silêncio. a poluição visual me provoca chilique, até porque, por profissão, acho que too much information visual é uma coisa burra. mas o visual a gente pode negar fechando os olhos. pra abstrair o sonoro só enfiando um nabo nos ouvidos (isso deve provocar rompimento dos tímpanos e surdez, eventualmente), porque a mão tapando nem é eficaz e nem prática (comé que tu escreve um artigo com as mãos nos ouvidos?).

eu eu cheguei à conclusão que uma boa parte do meu stress é causado pelo som. se a dor de cabeça que durou um mês, ao que tudo indica, foi provocada por muito uso dos olhos (a.k.a. ler o dia inteiro e ver filme e escrever e ler no computador), e eu ainda estou investigando (se não for aumento de grau do astigmatismo ou "vista estressada", ou, ainda, uma sinusite dos infernos, a tomografia deve desvendar esse mistério), o stress provocado pelo som eu tou sabendo bem de onde vem. ao lado do meu apartamento mora uma linda oficina. da frente até os fundos estão dispostos, estrategicamente, alguns dos maiores fazedores de barulho já conhecidos. na frente da oficina funciona um esquema de lavar carros. como bem se sabe, hoje em dia se lava carros com compressor de água. só quem vive com esse barulho das 8h até as 22h sabe o barulho que uma merda dessas faz. no centro da oficina, o coração da empresa, sempre tem um carro sendo arrumado ou verificado. carros, todos sabemos, têm motores e, a maioria, alarmes. quando não se está testando os motores, batendo em alguma lata ou o que seja, se testa os alarmes. todo o som disso se soma ao compressor de água. da cozinha, passando pela sala, até o banheiro e o escritório, o barulho penetra em todos os cômodos. das 8h às 22h. isso quando o alarme do carro que está "pernoitando" na oficina não dispar, lá pelas 4h, por culpa da gata cretina da vizinha de baixo. ela, também, uma cretina.

porque só pessoas cretinas têm um poodle histérico chamado Pinky, que tem crises de gritaria agudas. só uma pessoa cretina deixa o poodle em casa, preso, sozinho, com a luz acesa, até as 4h. porque enquanto a pessoa cretina está numa festa qualquer, o poodle não pode ficar de luz apagada. veja como é fácil fazer um poodle dormir: basta sair e apagar a luz!

mas ainda tem os fundos da oficina. cujo barulho atinge diretamente a janela do escritório. é um barulho simples, rústico, másculo. um enorme e potente motor, usado praticamente de hora em hora, das 8h às 22h.

a vizinha de baixo cretina ainda tem uma neta que chora de hora em hora. por qualquer motivo. por manha. e grita enquanto chora.

há, também, o vizinho de fundos palhaço que deixa o alarme do seu carro tocando noite e madrugada a dentro.

isso tudo é completado, claro, pela vizinha do lado, que forma, com a oficina, a vizinha de baixo e o vizinho dos fundos, um muro de poluição sonora. dela eu já falei. a mamãe monstro, cujo filho monstro corre por toda a extensão da casa berrando e batendo os pés. da hora em que levanta até a hora em que deita (aparentemente depois das 23h, que é quando ele chega de um passeio [???] com a mamãe monstro apitando no interfone durante um minuto, literalmente). outro dia, às 2h, o monstrinho começou seu ritual de dia-sim-dia-não, no qual ele a) tem pesadelos e não consegue mais dormir; b) acorda todo mijado e chorando; e/ou c) ele quer dormir com os pais. só sei que a gritaria é tão alta que parece vir do quarto ao lado, dentro da minha casa. e é acompanhada da voz do papai e da mamãe monstro. gritaria, veja. não é choro, não. é gritaria. berros. do tipo que provoca tosse depois.

e faz uns 6 meses que tem sempre uma reforma (algumas das quais exigem betoneiras, outras que exigem marreta, outras, ainda, exigem solda) em curso em algum lugar num raio de 20 metros deste apartamento.

tem ainda a Pandora, minha mais velha mimada que grita (alguém já ouviu um psitacídeo de médio porte gritando?) a plenos pulmões caso não enxergue um de nós.

assim, não tem um minuto do meu dia em que eu possa estudar, escrever, ver um filme em silêncio. e, pra fechar com chave de ouro: eu tenho um ouvido de tuberculoso. o requinte da minha audição se tornou, aliás, um requinte de crueldade.

[ Penkala ] 13:25 ] 0 comentários

 
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