] quarta-feira, julho 16, 2008
 

seja legal, rebobine



Eu gosto do Jack Black. apesar de todo o maneirismo. apesar da afetação de sempre (assim como de Jim Carrey). mas eu resolvi ver BE KIND, REWIND (filme de 2008, com o mesmo nome no Brasil, por enquanto, e dirigido pelo Michael Gondry) por causa da história. são dois atrapalhados e fracassados amigos que acabam incumbidos de cuidar da velha e caindo aos pedaços locadora do pai adotivo de um deles que, depois de acidentalmente desmagnetizar todos os VHSs da loja (que teima em não locar DVDs), resolve refilmar todos os títulos, pra não dar um preju na locadora e pra agradar os clientes.

é surreal sim. quem, em sã consciência, refilmaria os filmes? e quem locaria isso?

mas ok. quem, em sã consciência, faria um décimo daquilo que todos os personagens dos "grandes" filmes de ação fazem?

não apenas os amigos fazem filmes toscos, de cerca de 20 minutos, dispondo (com a ajuda de uma mocinha doida) de parquíssimos recursos, como os locam. e não apenas os locam como passam a locá-los muito bem e viram o hit do momento.



uma das melhores comédias que eu vi nos últimos tempos, BE KIND tem também um dos sites de filme mais geniais. três coisas fazem desse um dos melhores dos últimos anos pra mim: é uma comédia que não lança mão de grosseria, ou de piadas duvidosas, alusões sexuais toscas e tal; é um filme bonito sobre cultura (mais precisamente, a cultura de um bairro tipicamente negro nos EUA, o qual está abandonado e onde moram ainda velhos e pobres habitantes de toda uma vida e as novas gerações, de gurizada marginalizada por falta de opção); e é um filme belíssimo que fala de fazer cinema.

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A FAMÍLIA SAVAGE (filme do ano passado, com direção e roteiro de Tamara Jenkins) é o típico filme indie, a começar pelo cartaz. mas ao mesmo tempo não é. confesso que fosse apenas pelo argumento (dois irmãos meio afastados entre si precisam cuidar do pai que ficou demente e sem teto depois de muitos anos também muito afastado dos filhos) eu não veria. mas acontece que eu gosto desse tipo de filminho e, principalmente, sou fã incondicional do Philip Seymour Hoffmann. o início, na verdade, é bem indie mesmo, com as tomadas de cenários tediosos (o céu, uma rua calma, uma fachada de uma casa, tipo assim) separadas por cortes secos. o fato de ser roteirizado e dirigido pela mesma pessoa também faz parte do indie way. mas acho que depois do início, o filme não apenas foge ao típico do indie como foge ao típico das comédias dramáticas e trágicas atualmente em voga no cinema norte-americano e, especialmente, foge dos típicos papéis de Hoffmann.



o filme é bonito, triste e sensível sem forçar nenhuma dessas "qualidades". não dá pra dar stop em A FAMÍLIA SAVAGE depois dos créditos finais e respirar aliviado por alguma solução bonitinha e mágica. a verdade está na própria fala do PhD em drama e estudioso de Brecht Jon Savage (o filho mais velho), que diz que a morte é fedorenta. As pessoas estão morrendo, não importa o quão paradisíaco seja o asilo (ou casa de repouso) em que estejam vivendo. E morrer é bem ruim, apesar das pessoas acharem que a paisagem é bonita. Talvez, por outro lado, esse seja o mais típico de todos os filmes indie.



Hoffmann é um Jon típico de Hoffmann e ao mesmo um dos personagens mais não-Hoffmann, que desta vez surpreende pela não-afetação e - apesar de encarnar aquele tipo professor desleixado e acima do peso, intelectual fracassado e com problemas pessoais -, pela sutileza com que leva o personagem. Wendy, uma Laura Linney de peruca morena e competente acima de tudo, é que é a irmã mais problemática e recalcada. Mas se engana quem pensa que a dupla ganha o filme. É o perfeitamente bem interpretado Leonard Savage (o pai demenciando) de Philip Bosco que torna o filme triste e humano. Não é fácil fazer um velho demente, beirando a morte, sem pesar a mão no estereótipo. Philip Bosco é tão natural que enxerguei nele meu próprio vô, nos últimos tempos da demência de Alzheimer que tanto fez ele sofrer.

Um filme digno, humano e singelo. Sem grandes elocubrações a respeito do amor da família e do sentido da vida. Porque na vida real, é isso aí mesmo: as pessoas morrem, é triste, tu tem dívidas com tua própria infância, teu passado te dói em vários momentos, mas há que se pegar um vôo pra um país distante e apresentar um trabalho num congresso apesar de tudo. Ou atender a perguntas elementares de alunos.

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não tenho muito a comentar sobre PIAF, UM HINO AO AMOR, filme de Olivier Dahan, de 2007. resolvi ver por ter sido muito bem recebido pela crítica e por ser uma cine-biografia, sub-gênero que eu gosto muito. Muitos pensam que uma história real só tem chance de ser boa ou ruim dependendo das imagens (se a fotografia é boa/ruim, se a maquiagem é digna/péssima, etc e etc), porque dependendo da história, bom, a história é a mesma que a personagem histórica viveu. Não é, não.

PIAF tem força, sim, pela história que conta. Principalmente se considerarmos que Édith Piaf foi um gênio da música francesa e, ao mesmo tempo, uma das pessoas mais sofridas. Quando se pensa que Édith já perdeu tudo, o filme mostra que ela perdeu um pouco mais. Além de tudo, Piaf era feia, deformada (uma artrite reumatóide a deixava corcunda e com as mãos crispadas) e viciada em morfina e álcool, motivo pelo qual morreu (de câncer) antes dos 50 anos aparentando ter mais de 90. era, apesar disso, uma diva, adorada por onde passava, e admirada no mundo por uma voz e interpretação absurdamente lindas.




só que é a forma como é contada a história de Piaf que faz com que esse filme tenha sido um legítimo injustiçado no Oscar (e quem não é?). de 11 indicações (incluindo montagem), PIAF ganhou apenas o de maquiagem (merecidoa) e a de melhor atriz (aliás, merecidíssimo prêmio pra Marion Cotillar, uma belíssima e jovem atriz que parece que recebeu o espírito da personagem, tão bem feito o papel). uma montagem que já estou estudando e que consegue nos dar a exata medida pro que foi a vida dessa mulher: cheia de perdas, cheia de dor e cheia de música.


destaque pra quando ela canta uma das suas músicas mais conhecidas, Non, Je Ne Regrette Rien, que, embora escrita por outra pessoa, é a música que ilustra a vida triste de uma pessoa que padeceu na mão da vida, mas que nunca se queixava disso, a não ser da própria dor, que provocou seu vício em morfina. filme imperdível.

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AGENTE 86, o filme, é com meu queridinho Steve Carell (o Michael, do The Office). isso me fez querer ver o filme. ok, Get Smart é vintage, mas eu não via a série, e nem sou chegada nesse tipo de roteiro. mas vale muito a pena ver o filme no cinema. bom pra dar risada, bom pra se divertir e bom pra ver as citações ótimas aos EUA. principalmente à idiotia do Bush. AGENTE 86 é um filme bem típico dos argumentos sessentistas. ninguém morre de forma horrenda, as piadas não são agressivas de mais e, o que realmente vale o filme: Carell, um comediante enxuto, que faz rir de forma simples, sem grandes caretas e nem piadas muito complicadas.


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acabei de rever O BAILE, filme de 1983 do Ettore Scola. eu me emociono com filmes assim. tanta coisa boa que nem dá pra falar agora. está na minha lista de obrigatórios.

[ Penkala ] 13:28 ] 2 comentários

 
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