] sábado, agosto 23, 2008
 
se tem uma coisa boa, essa coisa é não ter horário. eu tenho uma incrível resistência ao sono, mas tenho grandes dificuldades de acordar. pra mim, o dia ideal é aquele em que não preciso ceder às pressões sociais de levantar em horários abaixo das 9h e que posso enfiar a madrugada trabalhando. é engraçado, porque eu não gosto de "viver a noite".

(parêntese louco à beira da madrugada: uma atriz dirige uma pergunta sobre ÉTICA às quatro mulheres do SAIA JUSTA. algo como "é possível ter ética em tempos de fome?". gente, e temos uma doutora em filosofia entre as quatro mulheres! e em nenhum momento a doutora filósofa, que, na minha opinião, "acertou" a resposta por engano, no meio das elocubrações todas, e diante de várias oportunidades de, separou ética de moral. nem explicou, diante, mais uma vez, de várias oportunidades, que a ética é um princípio universal e a moral é pessoal, cultural, histórica. eu estou morrendo de fome e pra matar a fome eu preciso roubar. é ético? não existe como pensar nisso, porque diante da necessidade última da natureza, que é a de manter a vida, não existe como aplicar um conceito como o de roubar assim, tão vilmente. roubar é imoral, mas não tem necessariamente nisso um ato que machuque a ética. até porque a ética, desde que eu sei o que é isso, é nunca (universalmente) ferir aquilo que nos une (universalmente): a vida. é anti-ético matar, mas é imoral matar aqui, e não na China, por exemplo, quando se trata de respeitar a lei do filho único... agora, tem como pensar em ética quando é a vida (nossa ou de um filho) que está em jogo? dá pra pensar nisso tão vilmente? se deixar morrer pra defender uma ética maior é uma coisa, mas se pra eu viver é absolutamente necessário que outro morra, como se discute ética?

aí a maitê proença lembra uma fala do Dalai Lama que, diante da pergunta (sobre não-violência) "ok, mas e se alguém armado vem na minha direção pra me matar e eu tenho uma arma, eu mato ou deixo de matar, neste caso em prol da não-violência?". ao que Dalai responde: "bom, nesse caso, é preciso que aquele com maior elevação espiritual viva". isso significa o que? que ele fugiu pela tangente? a maitê coloca que ele deixou o sentido da resposta no ar.

pra mim, não. aquele com a maior elevação espiritual é CERTAMENTE aquele que não vai, por qualquer motivo que não a defesa da própria vida, empunhar uma arma pra matar. se alguém vai na direção de outro pra matar, certamente não tem mais elevação espiritual que aquele que mata diante da impossibilidade de outra defesa.

até porque, mais uma vez lembrando que temos uma doutora em filosofia entre as quatro mulheres, e lembrando que o budismo, antes de ser "religião", é uma filosofia, no budismo o bem supremo e absoluto é a vida. qualquer vida. e qualquer atentado, ainda que à própria vida, é, em última análise, uma atitude vil. se o atentado é à própria vida, é pior, porque é o maior desrespeito ao dom que a natureza te deu.

essa, pra mim, é a mais perfeita noção de ética possível. e isso nada tem a ver com religião.

o que prova que colocar uma doutora em filosofia lá pra discutir certos assuntos nenhuma vantagem tem, afinal, ali a doutora se posicionou como qualquer pessoa que emite opiniões por impulso. fecha parêntese)

então, viver a noite. não vivo. eu gosto de estudar de noite. trabalhar de noite. no momento, a melhor explicação pra isso está aqui no apartamento. não tem três motores infernais trabalhando na oficina do lado, nem um vizinho que adora exibir seu gosto musical pra toda a quadra, nem a família monstro que me dá nos nervos, nem a faxineira da família monstro que conversa com todos à distância, e que chega no corredor sempre como se um incêndio acontecendo estivesse, e nem o telefone tocando sem parar com a érica da renner querendo "agendar" algum pagamento pendente ou uma senhora, rapaz ou mocinha se enganando (querendo ligar pro corte zero e, acreditem, nenhum número do corte zero é sequer parecido com o meu fone)... enfim. os vizinhos chegando da noite não me irritam. a chuvinha também não. o nenê chorando no apartamento de cima não me abala. e eu posso, pelo menos, pensar.

[ Penkala ] 23:46 ] 2 comentários

 
eu uso óculos




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