] terça-feira, agosto 19, 2008
 


tão longe, tão perto


estou de saída pra aula sobre montagem hoje, pros meus alunos fabicanos, mas uma coisa não me sai da cabeça e isso já está longe de qualquer tietagem ou de uma emoção infantil. de repente caiu a ficha: finalmente agradeci ao Wim Wenders. claro, não foi como eu esperava. eu, nervosa, perco a fala. se fosse justo, eu teria tempo e teria fala pra dizer pra ele mais que um simples "obrigado por esta excelente conferência". depois fiquei pensando se não foi, pra ele e pra mim também, pior que ter apenas pedido um autógrafo (eu não peço autógrafos. nunca. posso morder a língua um dia, mas nunca pedi e me recuso). mas eu não poderia deixar passar a oportunidade de, estando várias vezes distante menos de dois metros dele, dizer OBRIGADA, porque não apenas a conferência de ontem no Fronteiras do Pensamento foi genial como ele é um dos grandes gênios do cinema. e, pelo que posso confirmar, no cinema e na fala, um humanista.

fato é que Wim Wenders falou, ontem, de uma maneira calma como só ele, de coisas tão ou mais importantes do que todos os filmes dele juntos. (depois eu volto e conto mais sobre a fala dele) ele falou muito mais que simplesmente de cinema. e por isso eu, cara de pau de ocasião, fui lá e apertei a mão dele. onde quer que ele esteja neste momento (num avião, é provável, viajante que é, como ele mesmo gosta de se definir), se ele pensa naquele momento estranho (entre tantos outros, já que o que não faltou foi meia tonelada de pessoas na volta querendo, no mínimo, uma foto), espero que ele tenha entendido o que eu quis dizer e o que muitos fãs desse cinema humano querem dizer pra ele: obrigada por existir e ser essa pessoa tão bacana que o mundo precisa tanto.

não preciso nem dizer que chorei durante a projeção do curta documental INVISÍVEIS, que ele fez recentemente em África. o curta (que faz parte de um conjunto com o mesmo nome, dirigido por vários outros cineastas) fala sobre uma das causas dos MÉDICOS SEM FRONTEIRAS: a violência contra a mulher em países subdesenvolvidos.

as FRONTEIRAS estiveram presentes na fala de Wenders ontem o tempo inteiro. as fronteiras e as não-fronteiras. se o pensamento não tem fronteiras, o cinema teria? mas e afinal, as fronteiras são coisas tão ruins? as fronteiras dão asas (aos desejos?), mas elas também encerram identidades. e as identidades, hoje tão líquidas, não precisam de um pouco de fronteiras pra poderem dizer: "isso é meu, isso faz parte de mim, isso é o que eu sou"?

poucas conferências nesses últimos tempos falaram de coisas tão importantes quanto a de Wenders ontem, no salão de atos da UFRGS. do sentimento de pertença às fronteiras do pensamento, do cinema, da vida. mais uma vez, obrigada, Wenders, pela lição.

texto revisado, errinhos corrigidos, um link e ainda devendo mais comentários sobre o que ele falou na conferência

[ Penkala ] 16:18 ] 1 comentários

 
eu uso óculos




CLICA QUE VAI:
www.flickr.com
Penkala's eu, casa & coisas photoset Penkala's eu, casa & coisas photoset

BLACK BIRD SINGING:

Get Firefox!








Powered by Blogger


RSS