] quinta-feira, setembro 25, 2008
 
e eu juro que não sou chata, nem bossy, nem luvinha-branca-pra-conferir-pó, e nem patty histérica que gosta de escravidão faxinal e chicotes

caos nas bancadas, caos nas estantes, brinquedo, livro, bilhetinho, pote de bala, balde da coca-cola com calculadora, memória, tesoura e a Cuca (do Sítio do Pica-Pau amarelo)... duas moedas cubanas... tem coisas que só a gente pode organizar...

aqui embaixo o/a vizinho/a continuava, até início da tarde, a ignorar meus apelos por um mundo melhor: ele começou a manhã com um sertanejo muito, mas muito podre e terminou a ladainha (depois de meus calcanhares se partirem, de tanto bater pé pedindo pra parar com aquela merda) com um tunti-tunti dos mais chinelos.

ao lado, a oficina.

aqui dentro, a dor de dente (quem diz que eu já marquei o arranque do dente? quem diz que siso tem mãe, coração, alguma ética e piedade? quem foi que disse mesmo que dor de dente só não é pior que dor de parto?) latejando, a dor de cabeça (porque eu resolvi parar com o remédio porque tava começando a ficar com medo de viciar) me deixando incoerente, de tão alucinada, e eis que eu olho pra estante e resolvo que aquilo ali tava por demais desarrumado.

não sei onde andam meus livros. todos em pilhas, por baixo de xeroxes, de pastas, de planilhas, de folhas de chamada e trabalhos dos alunos.

e fui arrumar as estantes.

comecei tirando os dvx e os cds de música delas e transportando tudo pro rack. aqui, minha primeira surpresa: poeira sobre todos os cds de música (as caixas dos cds, veja, dessas coisas que não se faz mais, cds de música comprados em loja, com encarte e tudo... coisa do final do século passado). a caixinha com dois cds do Led branca de poeira. a lata do BBKing, idem. meus Anthology e Álbum Branco, duplos, totalmente tapados por uma camada fina de pó.

eu pago uma pessoa a cada 15 dias justamente por causa desse pó. do pó que se espalha por cima dos filmes, dos cds, dos discos, dos rolos de película, dos livros. mas a pessoa simplesmente só acha que seja necessário passar pano na estante. a estante ela mesma. uma capa de livro contra outra capa de livro produz um ruído que me dá nevralgia. e não a nevralgia que a enervação do maldito siso faz correr no lado esquerdo da mandíbula inferior. nevralgia de ouvir a poeira gritando entre as capas.

alguns livros ficam deitados, porque eles seguram a fileira de livros em pé, pra que eles não caiam e se espatifem pra fora da estante. nos deitados o desastre é maior, porque a capa deles tá direto em contato com a poeira. uma camada fina e branquicenta de poeira, dessas que a gente vê que estão descansando bem uns dois meses...

mais uma vez: eu pago uma pessoa pra que, de 15 em 15 dias, dê conta desse tipo de coisa: a poeira.

aí os livros deitados. bom, veja que é preciso que a lombada deles fique visível. veja que é necessário saber que livros são esses. veja que isso talvez seja difícil de compreender. porque todas as pilhas de livros que ficam deitados estavam com as lombadas viradas pro fundo da estante. ou pro lado dos outros livros. de modo que eu via o calhamaço de folhas, mas não sabia que livros estavam ali (a não ser por uma fina e arguta análise do objeto, que é familiar, e talvez seja um dos da Ágatha Christie... pelo tamanho deve ser...). será difícil compreender esse tipo de coisa? porque eu realmente acho difícil mesmo compreender que uma pessoa não saiba que lombada de livro seja feita pra se ver.

no caso dos filmes, a coisa tem sido pior. eles, logo eles, que são facilmente limpos, basta passar um pano na tripa longa que eles formam ao longo da estante. todos do mesmo tamanho, com caixa de plástico. os que estão fora disso, empilhados na horizontal, são os que minha preguiça não permitiu colocar de volta em ordem. a cada terça de aula eu levo uma pilha deles pra mostrar algum exemplo pros alunos. quando volto, não coloco na ordem certinha. e é por isso que os deixo deitados, na frente dos outros. nem esses sofrem ação de pano, já que estão com poeira, agora vejo. da última vez, no entanto, a pessoa simplesmente colocou a maioria dos deitados na mesma organização dos outros. só que em qualquer lugar. custo a achar os títulos agora. o mesmo procedimento de esconder as lombadas dos que permaneceram deitados foi realizado nos filmes, o que fez com que eu enxergasse uma pilha de caixas pretas e ficasse me perguntando se são mesmo os Tarantino ou se é outro grupo de filmes aleatórios.

e nas prateleiras altas, onde os filmes estão na beira, que é pra gente poder pegar e enxergar, todos eles voltam, a cada 15 dias, a ficar encostados no fundo, na parede. tenho que subir duas vezes num banquinho e puxar todos eles pra frente. duas vezes. na primeira arrumo até onde alcanço, aí desço, vou com o banquinho até um metro pro lado e arrumo o resto. a cada 15 dias. e é quando eu sinto a poeira na mão. a estante está limpa, mas o topo dos filmes está colecionando o pó de várias semanas.

poeira nos filmes não é romântico.

eu digo, sempre que a pessoa chega, as coisas mais básicas. primeiro eu dizia: dá uma geral no pó do banheiro, que a umidade vai colando a poeira e fica tudo melado e preto. "tira o pó geral, né, claro... e aí dá uma atenção pra tal coisa", como quem diz, no ar, que não precisa dizer que é necessário tirar o pó.

a área de serviço é um outro problema, porque parece que é pra lá que as vassouras vão no final da faxina, mas não é naquele chão que as vassouras passam. e nem os panos. e nem nada.

acho que sonhei alto o dia que fiquei imaginando: o dia que eu conseguir pagar uma faxineira, além de poder descansar quando normalmente acabo tendo que fazer limpeza, vou poder estudar, trabalhar e até caminhar numa casa onde as coisas estejam magicamente limpas, como eu jamais consegui ter saco e nem tempo e nem força pra limpar.

sonhei.

e teve o caso da clorofina, porque sempre tem um evento envolvendo clorofina. sendo comigo, a clorofina sempre arruma um jeito de se manifestar. no primeiro dia que ela viria, atrasou horas. e aí a filha avisou que ela só viria no dia seguinte porque foi ao posto de saúde porque estava intoxicada por causa da clorofina. quando ela veio, eu, pra quebrar o gelo, disse: bom, aqui tu não precisa ter medo, porque tenho alergia e não posso nem com o cheiro da clorofina. (eu tenho clorofina pra casos absurdamente especiais, os quais nunca envolvem emanação de cheiro pela casa e nem interação com as minhas roupas, que são, sempre, escuras, salvo raras mais claras (normalmente brancas)).

duas semanas depois disso a casa estava fedendo, porque ela disse que ia ter que usar clorofina no teto do banheiro (vazamento do vizinho preteou meu teto). eu disse que no teto, ok. mas o banheiro já estava fedendo a clorofina fazia uma semana. foi quando eu vi a tinta dos azulejos (pintados com tinta epóxi branca, pra azulejo, que os originais eram marrons, horríveis) esburacando, melada ao toque (derretendo) e uma toalha, que acaba roçando na parede, com manchas de descoloração.

ela tinha deixando a clorofina escorrer pelas paredes pra deixar limpos os azulejos.

que parte do "só o teto" eu tinha falado em basco?

e tem o caso "lixo limpo", que ainda é um problema muito sério. pra mim é sempre um problema muito sério quando eu falo em alguma língua morta, em dialeto, e não me dou conta. no primeiro dia: "aqui a gente separa o lixo", e ela "é, eu vi" (nota-se pelos dois cestos de lixo que estão na cozinha. e ela falou como se não precisasse de further explanation). mas nenhuma vez, desde esse primeiro dia, o lixo da cozinha permaneceu separado até o fim da faxina. frascos e frascos de plástico junto com os papéis do banheiro, papel cortado e caixas de pizza misturadas com lixo orgânico. tudo em sacolas devidamente amarradas, prontas pra ir pra lixeira, no horário de coleta normal.

qual. parte. do. "aqui a gente separa o lixo". eu. pronunciei. como. um. catalão com tourette?

mas a última foi a melhor de todas. apenas duas coisas são de madeira escura na minha casa: uma mesinha de canto e um rádio antiquíssimo. o resto é tudo mdf laminado em branco ou laqueado em branco. e a mesinha e o pobre rádio antigo, que é uma relíquia que hoje serve de pouso pra garrafas de conteúdo etílico, estavam opacos e, olha que lindo, ásperos ao toque.

fim de semana, depois da penúltima faxina, passei um pano úmido, limpo, achando que o que era passado ali era um pano úmido já cheio de pó do resto da casa. e saiu uma coisa espumando daqueles móveis. e eu lavava o pano, passava no móvel de novo, e continuava a sair aquela coisa branquicenta e espumante.

quando a pessoa chegou, duas semanas depois, e os móveis já estavam devidamente recuperados, com uma limpezinha de pano úmido limpo, que eu fiz, algo simples e singelo, comentei o ocorrido, perguntando o que ela passava nos tais móveis. "lustra-móveis", respondeu.

eu nunca comprei lustra móveis. não gosto do cheiro e nem do resíduo oleoso que ele deixa nos móveis.

mas me fiz de louca e perguntei: ué, será que não é outra coisa dentro do frasco de "lustra-móveis"? e fui indo pra área de serviço. ela apontou pro frasco de sapólio cremoso. do tipo que diz SAPÓLIO no frasco. do tipo que tem consistência de sapólio cremoso, cheiro ídem e, vejam, faz espuma feito sapólio cremoso. mas o sapólio cremoso, veja, diz no frasco que "dá brilho...".

talvez eu encontre gráficos na internet que expliquem didaticamente a questão: móveis ásperos, esbranquiçados e espumando ao se passar o pano úmido.

...

mas ela tem toda uma nóia com as janelas. limpa os vidros todas as vezes. a coisa com que eu menos me preocupo, e ela limpa sempre, como se em PoA fosse comum garoar poeira lunar ou chover cocô. tempestades com rajadas de vento e tudo.

[ Penkala ] 20:51 ] 5 comentários

 
eu uso óculos




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