] sexta-feira, setembro 12, 2008
 
eu sou da geração que foi pega pelo meio pela revolução da informática e da Internet. resultado disso é que a maioria de nós ainda mantém e até prefere certos hábitos que foram criados no tangenciável, material e orgânico mundo do papel. eu acho uma coisa muito bacana poder ter acesso a livros em meio digital, poder baixar livros em pdf, poder divulgar literatura na Internet. mas meu coração está com o livro de papel. são eles que eu considero troféus genuínos e dignos da estante. nada como o livro de papel, nada como ler em papel e nada como anotar em papel.

e aí, comentando hoje no twitter sobre o primeiro capítulo caneteado devolvido pro primeiro orientando, recebo uma resposta de professor com bem mais estrada que eu, pra quem o caneteado surte mais efeito corretivo que comentários no word. e é verdade. eu comento mais, sou mais rígida, exerço mais minha fé no ofício de professora quando tenho um texto em papel na frente e posso nele, com caneta vermelha, corrigir, revisar, destacar e até elogiar, por que não? no editor de texto do computador, me acanho. e como aluna, prefiro torcer papel e tirar dele o sangue das canetas vermelhas devidamente usadas pra corrigir meus trabalhos que abrir meu arquivo de texto e encontrar, em várias modalidades (sublinhagens, destacagens, coloragens), correções de todo tipo.

hoje, ao entregar ao meu primeiro orientando o primeiro capítulo da monografia devidamente caneteado em vermelho vivo, vejo no rosto dele, que está estudando o significado das cores no jornalismo, um misto de susto, medo, pânico, horror e vontade de fugir. acalmei ele esmiuçando aquele monte de setas que puxavam comentários. ele ainda estava assustado. comentou que aquilo não era boa coisa. deve ter pensado em desistir, diante de tanta riscalhada.

eu me lembrei dos meus pânicos. na mesma idade e torcendo pra passar sem danos nos órgãos vitais pela tão temida defesa de monografia de fim de curso, o famigerado (e saudoso) TCC. e lembrei que meu orientador era rígido, mas eu sentia falta do vermelho. ele usava grafite, um recurso elegante pra não estragar a estética do meu texto tão caprichosamente impresso em preto sobre branco. ele era, afinal, professor de estética. ele conhecia os gregos. ele usava o grafite e usava letra de quem estudou caligrafia.

(eu devo ter sido da última geração que estudou caligrafia. que teve caderno de caligrafia.)

mas eu sou a professora que eu construí em anos e anos de alunado. e disse que ele se acalmasse. ele, esse meu primeiro orientando. porque afinal, se eu não achasse que ele teria capacidade de melhorar, não teria gasto tempo, tinta e paciência com o caneteamento.

meu primeiro chefe, diante duma das minhas crises de stress, me disse que ele só me cobrava muito porque sabia que eu tinha capacidade de responder à altura. e vindo dele, isso foi uma lição valiosa de verdade.

acho que ele saiu aliviado. meu orientando, digo. e eu também. porque não acredito no medo como recurso didático. acredito, sim, que ele vai querer evitar ao máximo o vermelho berrante da minha caneta. e vai fazer cada vez melhor.

obrigado, senhor dos nerds, por me dar um primeiro orientando com capacidade!

[ Penkala ] 16:33 ] 4 comentários

 
eu uso óculos




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