] terça-feira, setembro 30, 2008
 
viagem ao centro da terra

tinha que fazer exames admissionais, né? tava preparada pra ir ontem e na semana que vem, porque são dois exames e um depende do outro e um tem que levar no outro e então teria que ser em dois dias. então marquei apenas o primeiro pra ontem.

audiometria

tipo uma coisa que deve demorar o que? 10 minutos? marcaram pras 15h10, sendo que só tenho que dar aula às 19h30, e ia ficar vagando pela cidade que não conheço, nunca vi, durante no mínimo 4 horas...? não tinha mais tarde. aí tive que comprar passagem pra bem cedo. tipo meio dia. e ir de executivo, porque a viagem dura duas horas, mas os outros ônibus (os normais) só saíam 12h45 e demoravam 2h45min (porque iam passando por todas as cidades do mundo existentes no caminho).

já levei toda uma mochila cheia de coisas, pra estudar, fora os livros todos que eu costumo levar pros aluninhos olharem. ontem, aliás, tinha até o design no século, aquele que é enorme.

no meio da viagem, que tava até bem confortável, um véi se levanta e vai ao banheiro.

eu me pergunto, bem sério, nesse momento, quem foi o animal jacú-sem-olfato-sem-mãe-e-sem-noção que inventou o sistema unificado de ventilação dos ônibus junto com o banheiro. sério mesmo, não é pergunta retórica, eu quero saber pra ir lá mandar esse paspalho tomar no cu. porque segundos depois que o véi fechou a porta do banheiro, tomou conta do ônibus todo, difundido pelo ar condicionado que circula pelo veículo, um odor absurdamente insuportável de podre.

pra fins de demonstração, calcule: gato morto há dois dias no verão de Porto Alegre dentro de uma caixa fechada + fralda quentinha e cheia de matária sólida proveniente de bebê que só toma leite.

eu juro. eu juro que a primeira coisa que procurei foi aquele saquinho que eles disponibilizam pra tu colocar os lixos. eu ia vomitar, e era bem sério.

o auto-controle é tudo nessa vida.

mas tá. cheguei na rodoviária e fui olhar o mapa da cidade, pra saber o quão distante eu estava do centro e do bairro da faculdade. não tinha CENTRO no mapa. aí, no balcão de informações

de informações

perguntei se a rua tal ficava muito longe

"isso eu não sei, pergunta nos táxis"

de informações. balcão de informações.

one adam twelve, one adam twelve...

atenção todos os carros (como diria a Cris)

o taxi me levou até a rua essa em questão. ou melhor, quase. não tava com o taxímetro ligado. andou 5 quadras e parou numa esquina:

"a rua é aquela lá, ó, tu desce essa e depois encontra o prédio tal." (as pessoas não dão informações sobre o número dos locais, é pelo nome do prédio) "tu desce daqui senão eu vou ter que fazer toda a volta. deu sete reais."

sete. reais. por. 5. quadras. e o taxímetro não tava ligado.

desci, eu e minha mochila de 25,13 quilos.

aí saí da audiometria cedinho, e como recebi o "laudo" na hora, tentei marcar (e consegui, ok) o resto do exame praquele dia mesmo.

momento Venuss: clínica que atende trabalhadores admitidos e demitidos e tinha revista novinha na sala de espera. ponto a favor. (já vi consultório chiquérrimo com revistas podres) mas eram todas Veja, a não ser por uma Caras. milhões de pontos contra.

o taxista, que era outro, me levou até literalmente a porta da outra clínica. subiu a rampa e tudo. andou um bairro inteiro e me cobrou 6 pila.

a cidade é fofa. bonitinha. me lembrou Pelotas, mas com o jeito de cidade da serra.

na clínica de medicina do trabalho, onde o exame prometia ser mais bizarro (exame adimissional, segundo todos pelos quais já passei: mil perguntas num questionário sobre tudo, inclusive "tem zumbido?" - "tenho. ando zumbindo todos os dias, porque sou uma abelha alegre" ou "não, só vozes na minha cabeça" - no qual tu responde sobre todas as doenças e dores e males e manias e tais que tu tem, ou não. e aí o médico te mede, te pesa, te escuta o coração, te mede pressão e te pergunta a confirmação de todas aquelas perguntas que tu respondeu antes, na sala de espera, numa prancheta.), tinha mais ou menos um ano e meio de CARTA CAPITAL (o mais recente ano e meio) e mais uns 6 meses de Época (menos pior que Veja) e mais jornal do dia e folder de sei lá o que.

momento Venuss mode off.

aí fui pra faculdade. taxista simpático. atravessei a cidade de taxi. aí fui comer e entregar documentos e fazer xixi, não necessariamente nessa ordem. com um picolé na mão, sozinha, no meio do saguão da facul, me aborda um sujeito. calça social, camisa social azul claro e um adesivo com um número de candidato estampado, no peito. cara de assessor de campanha. cara de politiqueiro. conheço o tipo só de olhar o cara de costas. aaaaanos de experiência. se aproximou de mim com aquele papo "vou falar de uma coisa como se fôssemos velhos conhecidos e aí vais me achar simpático". deve ser uma abordagem do gênero da neurolinguística dos infernos que o Manson usava. comentou sobre o chocolatinho que eu estava comendo e disse: "e o café com leite e o sanduíche?!" pensei, imediatamente: ele me confundiu com uma adolescente e tá questionando meus hábitos alimentares pensando que eu - DE ONDE ELE TIRARIA ESSA IDÉIA, VISTO QUE TENHO ESSE TAMANHO TODO, NÉ? - só como porcaria.

falei: "nah, acadei de lanchar, isso é a sobremesa"

aí ele pergunta qual curso eu faço.

ok, pensei. legal o elogio, achando que eu sou graduanda. assim, uns 22 aninhos? beleza.

"eu dou aula na publicidade", eu digo.

cara de espanto. engasgou.

"tu é formada por onde?"

"jornalismo, católica de pelotas"

aí, e eu já tava achando que ele tinha perdido o discurso, porque devia estar preparado pra falar de um candidato assim, pros alunos, e tal, e ele pergunta:

"e tu trabalha onde, com jornalismo?"

ok. logo vi. candidatos e afins adoram jornalistas. eles logo ligam lé com cré e pensam que podem tirar um lucro dessa relação. mas eu:

"não trabalho com jornalismo, eu faço doutorado e dou aula"

apesar do que pode parecer, eu estava sendo BEM SIMPÁTICA. porque eu sou cara de pau em termos de ironia. me faço de burra, idiota e quando o cara começa a falar eu só dou nos dedos. mas continuo me fazendo de burra e idiota.

e aí ok, a conversa se esvaiu, ele encontrou outra pessoa da faculdade e foi tratar de assuntos outros e eu continuei meu caminho (o da biblioteca).

tá, mas aí dei aula, tomei café na sala dos profes, dei mais aula, saí de van da cidade, não consegui dormir (mas fui quase toda viagem discutindo filosofia com um doutor da área, coisa que eu sempre gosto) e cheguei em casa tardão, pra variar.

e aí hoje acordei sem todos os meus músculos, nem ossatura, nem cérebro. e estou aqui tentando me recuperar. e preparando aula pra hoje de noite. e lavando roupa (a máquina lavando, claro).

é isso.

ok. pode ir embora que acabou o post.

[ Penkala ] 10:20 ] 1 comentários

 
eu uso óculos




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