] segunda-feira, novembro 24, 2008
 
maratona

ok que eu abandonei o atletismo, e que meu tamanho não permite mais sequer um saltinho em distância, mas minha volta triunfal ao esporte foi na modalidade MARATONA. me preparei, né?, pra essa correria. não tomei muita água, engordei (como pode?) e, principalmente, não dormi mais que seis horas nos últimos dois, três meses. e aí teve a final, com a maratona das maratonas.

pra quem ainda não sabe e possa se interessar: eu detesto viajar. os lugares e as pessoas são, na maioria das vezes, ótimos. os motivos pelos quais viajo, também. mas eu odeio ter que viajar. odeio mesmo. então, se pra alguns viajar pode ser normal, e pra outros viajar é pura diversão, entenda: pra mim, é maratona. eu sou chata, sou antisocial, sou um bebê. e faço drama.

novembro encerrou (sim, encerrou. se o de vocês ainda não acabou, azar, porque pra mim, chega de novembro, hein?) com dois eventos de cinema e um de criança. primeiro, REGIOCOM em Pelotas, onde apresentei trabalho e participei ativamente (sim, porque eu falo pra caralho nesses GTs, que sou chata, sabe?) do GT de Audiovisualidades. nas horas vagas eu preparava aulas e lia monografia de orientando. não que tivesse muitas horas vagas. quando dava, eu dormia. até gravei um programa de rádio inteirinho pro TRILHAS DO CINEMA, da FEDERAL FM (valeu, Bruno, Max, Fábio e Juliana!), batendo um papo sobre o cinema do Michael Haneke.

pronunciem MI-CA-ÉL, tá? é austríaco, não norte-americano. MI-CA-ÉL, como em MICAEL XUMÁQUER, ok?

Michael Kerr
GT DE AUDIOVISUALIDADES

tudo isso, incluindo falar no rádio, no auge dum gripão que não me permitia nem falar uma frase sem precisar tomar fôlego depois.

saí de Pelotas cedinho no sábado (cedinho as in "acordei menos de 5 horas depois de ter ido dormir e ainda fazia um friozinho na rua quando entrei no ônibus") e fui pra PoA, onde comi lá pela rodoviária mesmo porque tinha que esperar o bus pra Montenegro (primeiro aniversário dos meus afilhados). comer na rodoviária é uma experiência de quase morte que eu procuro evitar. pegar ônibus da viação montenegro, idem. mas enfim.

aí fui pra Montenegro e passei a tarde toda num aniversário de criança que, incrivelmente, não tinha Xuxa tocando a todo pau desde o início. ok que teve uma pessoa alegre e de bem com a vida e super interada nessas "coisas que crianças gostam" que levou seu próprio cd da xuxa pra baixinhos e meteu no player a todo pau no final da festinha. seria de mais eu exigir noção de todas as jovens mães, né? eu juro, eu juro, eu juro: podem me dar na cara se eu virar uma imbecil (isso inclui passar a dançar funk pras crianças) quando tiver o Pedro e a Alice, ok? me batam com força, pra ver se o meu eu de verdade sai.

fofucho
Bernardo fazendo um lanchinho

o bom dessa maratona de aniversário (além dos docinhos) foi ser acordada, no domingo, pelos meus afilhados. preenchi o cartão da minha máquina com uns 23,4 vídeos deles fazendo as coisas mais fofas, o que inclui andar dum lado pro outro na sala (eles estão aprendendo a caminhar).

aí voltei pra casa domingo e tive que preparar a aula de segunda, que seria a última do semestre de ARTE E CRIAÇÃO. segunda, fui pra faculdade já naquela fase da gripe que já não se espirra mais, mas se tosse feito um cachorro e se fica falando pelo nariz de qualquer forma. tive que encerrar a aula antes do prazo porque já não conseguia mais falar. na volta pra casa, na van, passei um frio desgraçado porque a porra do veículo tem janelas, mas elas não fecham totalmente. e tava calor na segunda, mas subir a serra é sempre uma loteria do clima. esqueci de pegar jaqueta porque estava atrasada e pronto: congelamento dos infernos por duas horas na van.

depois tive que chegar em casa, arrumar as coisas pra partir, terça cedinho, pra Santa Maria. fui membro do juri da Mostra Nacional de curtas do Sétimo Santa Maria Vídeo e Cinema. dei também uma oficina de quatro dias por lá, sobre Linguagem e Análise Cinematográfica. na ida, no carro, não consegui evitar o efeito braço de caminhoneiro. por mais que eu encolhesse o braço, o sol torrava essa pele branca que eu procuro deixar clarinha não por questões cromáticas, mas pelo simples fato de que morro de medo do câncer de pele que já vem embutido no sol. o resultado foi uma beleza: braço direito preto (porque eu fico preta, hein?) e o esquerdo branco.

Sula-Miranda-ao-contrário style.

no carro estávamos eu, o motorista, o Guilherme Castro e com o Sirmar Antunes. segundo o Sirmar, se eu vim com o braço pra fora da janela do carro, ele veio em cima da capota. a viagem foi longa e cansativa (tava calor pra caralho), mas as risadas valeram.

a chegada foi light, apesar de o meu quarto no hotel ser todo cor-de-rosa (tons de iogurte de frutas vermelhas. uma coisa assim muito linda). a primeira noite da mostra é que foi punk. jurada inexperiente, me deparei com 10 curtas ótimos e percebi que julgar filmes num festival não é nem um pouco divertido. primeiro, tu não vê os filmes, tu tem que queimar a mufa vendo os filmes. segundo, tu precisa escolher entre os melhores. nas quatro noites de mostra nacional, foram 37 filmes. éramos 5 jurados (um jornalista, um ator, eu - pesquisadora e professora, um membro da ong SANTA MARIA VÍDEO E CINEMA que trabalha com comunicação visual e publicidade e um diretor de fotografia)

quarto do hotel em sta. maria: too much pink
quarto de hotel quase total-pink (talvez isso tenha me tirado o sono)

na sexta fui visitar uma colega de mestrado e seu filhotinho, em Silveira Martins, pertinho de Santa Maria. achei ali o lugar onde quero morar. (ok, antes verifiquei se tinha internet)

quero morar aqui
Vista da sacada da Aline

as quatro manhãs de oficina foram ótimas, e as quatro noites como juri da mostra nacional competitiva foram idem. mas muito cansativas também. primeiro porque eu acordava cedão depois de ir dormir tipo 3 da matina. segundo porque eu dormia tipo 3 da matina depois de ter acordado cedão, dado oficina, lido tcc de orientando, resolvido todas as coisas normais de fim de semestre (respondido a 432 e-mails de alunos), preparado a oficina do dia seguinte, ido pra mostra de curtas e assistido 10 ou nove filmes numa noite (que tinham desde 4 minutos até 30, mais ou menos), ido pra janta com os jurados e chegado no hotel e ainda preparado coisas pro dia seguinte...

cansativo também porque julgar filmes é dureza. tem que prestar atenção em cada detalhe (várias categorias pra analisar, como melhor fotografia, desenho de som, montagem, ator, atriz, etc e etc.), e não se deixar levar pelo encanto da história. em muitos casos as personagens de um documentário eram geniais, mas o filme em si, não.

eu, chamando o Sirmar pra receber a homenagem

Vento Norte pro Sirmar
eu chamando e entregando a homenagem ao Sirmar: ordens são ordens

mas saimos todos vivos, embora alguns realizadores assistissem à mostra bem perto da gente ([ drama queen mode on ] podia rolar tipo assim um atentado. vai saber. [ drama queen mode off ]). quer dizer, vivos não sei. saiu todo mundo meio bagaço, mas caminhando, ao menos. da última noite de mostra, na sexta, fomos direto pro hotel, onde nos trancamos numa sala pra exercer nosso julgamento. primeiro um momento de reflexão, onde cada um no seu cantinho fez uma análise geral dos filmes, olhando as planilhas e, principalmente, eliminando os que achava melhor eliminar. aí fomos jantar (ali mesmo, confinados) um galeto básico regado à vinho pro Chico, cerveja pro Sirmar, Luciano e Giovane, e guaraná pra mim. alguém tinha que manter a linha e esse alguém é sempre a caretinha aqui.

não, eu não sou careta. só não gosto de álco. só isso.

tá. tipo, se tivesse licor de butiá, rolava. ou de chocolate. ou de creme.

antes de tomar uns tragos, no fim da Mostra
jurados modo rock'n'roll: Sirmar, Giovane, Chico e Luciano (com O JUSTICEIRO na camiseta)

mas aí rolou galeto + polenta + beberagens e os papos mais doidos. raramente se falou de cinema nessa janta.

e depois, a trabalheira punk (ok, aí eu tomei um gole duma cachaça que tava ali, trazida pelo Giovane)

o debate acirrado foi até 2 da matina de sábado, quando fechamos o envelope com os vencedores de várias categorias (incluindo melhor curta, melhor doc, melhor ficção, melhor animação e 5 menções honrosas). bora pro quarto do hotel tomar um banho, deitar e tentar dormir que 9h ainda tinha que começar a última aula da oficina.

Bronson, o Harmonica
na última aula da oficina: o som no cinema
(Charles Bronson como HARMONICA, no ERA UMA VEZ NO OESTE)


na noite de sábado, a premiação e o encerramento do festival. ainda fui chamada ao palco, junto com o resto do juri, e recebi rosas. acabei tendo que falar.

as pessoas não têm noção do perigo que é me dar um microfone. porque eu fico toda tremores, toda nervos, toda vergonhinhas e bochechas vermelhas, mas aí eu falo. horrores. acho que falei ok, porque ninguém me arrancou do palco e nem me jogou ovo. mas vai saber, né? o povo anda cada vez mais educado e pode ter sido por gentileza.

tá, e como isso foi antes de os vencedores serem anunciados, eu não tomei nenhum tiro.

foto oficial
foto oficial dos vencedores do festival

aí deixa eu me exibir: eu conheci pessoalmente o Giba.

Guilherme entrega o VENTO NORTE em homenagem ao Giba
Giba recebe homenagem das mãos do Guilherme

tipo assim, o Giba Assis Brasil. sabe a cena aquela do QUANTO MAIS IDIOTA MELHOR que o Wayne e o Garth fazem reverência ... pra quem mesmo? pro Alice Cooper?

pois. eu quase fiz pro Giba, mas me comportei porque ele é muito tímido e eu ia acabar fazendo ele passar uma vergonha danada.

mas era minha vontade. não é todo dia que tu senta atrás do melhor montador de filmes do país e conversa com ele e ele reconhece teu nome no crachá e comenta que gostou do meu texto sobre o VERDES ANOS e que foi ele quem colocou meu texto sobre O SANDUÍCHE no site da CASA DE CINEMA DE POA porque ele gostou e... uou... perdi os sentidos um pouquinho.

ok.

respira.

aberturinha do VERDES ANOS que tem no youtube:

aqui tem uma entrevista com o Giba:



aí teve a festa de encerramento e eu, como não sou um ser humano afeito a festas, fiquei um pouco, conversei com várias pessoas, e fui embora. aliás, fomos eu e o Giba embora, conversando sobre cinema, depois que ele confessou que não tinha noção de direção.

eu e o MESTRE
não reparem a minha cara, sempre essa coisa fêa. do meu lado, o Giba

vamos nos combinar aqui que não é todo dia que tu anda na rua do lado dum dos teus ídolos. que ainda por cima é O CARA, como o próprio Jorge diz. não só O CARA de montagem, O CARA de cinema, mas O CARA na sua humanidade do dia-a-dia, que contribui com a Wikipedia faz dois anos, que levanta da praça onde um telão está passando filmes desde o início do festival e, largando no chão o prêmio recebido há 20 minutos no encerramento do SMVC, vai juntar e ajudar a carregar as cadeiras na desmontagem do "cinema" na praça.

domingo de manhã viemos todos pra PoA, cansados, moídos, esgalepados (diria o Olívio) e felizes pelo festival que deu muito certo.

e fim. chega, né?

que essa semana eu tenho que corrigir 28 artigos, avaliar 33 trabalhos de arte e criação publicitária, fechar as notas de todos os alunos e ainda dormir, tomar banho e talvez fazer xixi...

[ Penkala ] 11:11 ] 7 comentários

 
eu uso óculos




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