] domingo, janeiro 18, 2009
 
cine olho

ver muito filme na vida faz com que a gente apresente alguns peculiares modos de lembrar e enxergar a vida. e quando eu digo isso, não estou me referindo ao "encarar a vida", mas de lembrar da vida e ver, assim, com os olhinhos, com os olhinhos e com os olhinhos da memória. quando algo de acidental ocorre, como uma tesoura caindo na direção dos meus dedos dos pés ou um vaso da dinastia Ming sendo derrubado dum pedestal (pessoa estúpida que coloca um vaso desses num pedestal), meu cérebro transforma a imagem real numa iconográfica cena em câmera lenta, normalmente com o enquadramento sobre o objeto que sofre o acidente.

quando lembro de uma cena do meu jardim de infância, não é sem uma textura especial de super 8 (embora eu nunca tenha tido uma super 8 antes de terminar o provão do MEC), com registro em preto e branco e, se tem alguma criança correndo, os gritos são todos como os "gritos de criança brincando" do banco de amostras dos engenheiros de som de Hollywood. eventualmente, o recurso da câmera lenta se repete, dependendo do tipo de emoção que me desperta a lembrança.

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se alguém muito querido morre, ou eu imagino que essa pessoa podia ter morrido, ou eu simplesmente me dou conta de que essa pessoa é mortal (embora isso seja a maior sacanagem da face da Terra. pais jamais deveriam ser mortais), abre-se na minha cabeça um capítulo a parte, onde cenas estáticas (inserts de fotografias) e cenas curtas, rápidas, passam ou se desenvolvem em câmera lenta, sempre acompanhadas por uma trilha sonora de extrema significância emocional. é o clipe da minha memória, destacando alguns segundos de momentos importantes da vida dessa pessoa e organizando-os em forma de projeção de slides. terrivelmente brega, mas extremamente forte pra quem aquelas imagens significam algo.

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pegue todas as músicas de encerramentos de filmes de drama (podem ser os de colégio/adolescente, especialmente os dos anos 80), ou as que tocam nos clipes mesmo (sabem os clipes de filmes? nos ruins ou cliché tem a mocinha experimentando mil roupas pro pretê, mas nos bons, o clipe organiza os bons momentos que passam a acontecer com as personagens depois da resolução de um conflito, e é putalmente brega pra caralho, mas muito legal). dá pra aplicar todas elas às minhas memórias de pré-adolescência e adolescência.

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mas o pior é quando eu tou muito deprimida e terrivelmente me sentindo mal por ter magoado alguém (isso inclui o cachorro, que tá ali cabisbaixo porque não brinquei com ele ainda hoje), ou qualquer coisa do gênero. essas lembranças têm sempre trilha sonora de filme.

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é bem complicado. porque tem vezes que trilha sonora dói pra caramba. e as pessoas normais já sofrem horrores sem trilha. mas eu, não. eu tinha que ter isso aqui me lembrando do quanto eu gostaria de ter feito coisas diferentes na vida, ou do quanto o mundo é massa e eu vou ter muita pena de largar tudo isso quando morrer.

[ Penkala ] 17:16 ] 0 comentários

 
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