] domingo, março 29, 2009
 
resiliência

de sábado pra domingo a cristaleira da cozinha desabou. não estávamos em casa. desabou e com ela todos os copos, taças, xícaras e canecas, além de sopeiras e cumbucas orientais. que venho guardando com carinho há sete anos. milhões de pedacinhos de vidro espalhados pela cozinha e um cheiro insuportável de whisky, tequila e mel (que estavam em cima do móvel e quebraram também). o quanto mais cruel essa metáfora poderia ser?

uma caneca de coração que minha mãe me deu se partiu em duas. as cumbucas kanji que eu guardava da cerimônia do nosso casamento, onde dizia "coração" e, na outra, "esperança", tudo quebrado. separei o que consegui pra colar. não admito que elas sigam pro lixo, junto com as canecas que comprei em vários 1,99 porque eram bonitinhas e que agora somam um amontoado de pedaços coloridos de cerâmica.

vou doar a cristaleira, comprar uma mais firme. ou fazer uma, com minhas próprias mãos. vou acomodar nela o que restou de tudo. as duas taças de champagne, únicas que eu tinha, restaram intactas. guardo essas taças pra um brinde futuro. e vou reconstruindo a cristaleira, com copos e canecas de plástico. totalmente sem charme, mas muito mais resistentes.

na geladeira, a preguiça em colocar uma comida fora salvou a terceira cumbuca do casamento. nela o kanji "fortuna". porque se ainda estou viva, apesar de com as mãos cortadas, as costas doloridas, a cabeça cheia, o cansaço, é porque posso colar as cumbucas "coração" e "esperança" e nelas comer sopa de novo. não vou comprar outras. preciso sair pra comprar é superbonder, apenas.

[ Penkala ] 23:37 ] 2 comentários

 
eu uso óculos




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