] quinta-feira, março 12, 2009
 
a rosa púrpura do cairo

tinha uma coisa da qual eu sempre me gabava horrores, que era o fato de nunca ter tido grandes doenças. catapora, né? tive, com certeza. caxumba também, ainda bem. amigdalite, como a maioria das crianças. gripe, como todo santo ser humano. tive também uma porcaria de uma inflamação no pé, causada por um corte numa pedra de um rio, em Portugal, que me deixou com o pé balão e um risco que ia até o joelho. muita dor. medo. o médico que me atendeu no pronto-socorro lá em Águeda falou em amputação. mas ele estava sendo tremendamente canalha com uma adolescente de 13 anos apavorada e estrangeira e longe da mãe. se faz piada sobre amputar a perna duma menina assim, na maior?

aí que eu tinha essa coisa de nem uma pneumoniazinha ter tido. e ponto. nunca levei ponto. quebrei um dente permanente da frente, mas nunca levei ponto. e nem tive doença grave.

aí um dia eu descobri que eu tinha as duas patelas erradas. do tipo que impede de cruzar as pernas por muito tempo, a não ser que tu queiras sentir muita dor. do tipo que tu só vai descobrir mais tarde que te impede de ser praticante assídua do salto em distância. esse mais tarde foi quando, num salto de soberba (vou mostrar pra esse bando de guri que eu, menina de 16 anos, sou melhor que todos eles juntos no salto), esfarelei o pobre joelho esquerdo.

dor absurda.

tomar no cu, hein?, dor absurda.

mas ok, a gente acostuma. cirurgia no joelho é a puta que te pariu, né? no cu que eu vou fazer uma cirurgia opcional no joelho pra perigar sair do hospital paralítica.

o drama!

mas enfim.

e a labirintite, né? que eu tenho. desde sempre. e que é uma praga disparada por stress.

e o astigmatismo dos infernos, diagnóstico que explicou, por exemplo, as milhares de vezes que dei com as fuças ou me bati em alguma coisa que eu julgava estar distante (mas RÁ, NÃO TAVA!) ou as várias vezes em que não consegui ver os desenhos ocultos em imagens 3D, ou as muitas vezes em que fiquei tateando o ar procurando a corda do varal de roupa que eu jurava que estava bem aqui.

anos mais tarde eu comecei a engordar. dum jeito que, meo deos, quando se viu, eram 25 quilos a mais.

ok, a comida tem muito de culpa nisso. a comida, não eu.

a comida.

mas enfim. com 26 anos e pouco, e não dando a mínima pros muitos quilos a mais, descobri outra coisa.

mentira. dando bola pros quilos. mas não procurando causa pra isso. eu entendia que o processo de comer e não fazer exercício tinha como consequência a engorda.

o que eu descobri: calcificações nos seios. benignas, ok. mas calcificações.

falar nisso: tomar bem no meio do teu cu, dor de mamografia. bem no meio.

pânico.

pânico também quando, junto, descobri que o que eu pensava ser um cisto (malditos desodorantes creminhos) era, na verdade, uma mama extranumerária.

calcula.

calcula eu grávida e as (três, ou quatro) mamas crescendo. não bom.

tirei. dá pra dizer que com 27 anos eu fiz uma mastectomia. dito assim, assusta. sabendo que isso tem ligação com as calcificações mostradas lá pela mamografia, assusta mais ainda.

aí ok. tomei muito mais ponto que qualquer criança teria tomado caindo, coisa que eu me ufanava de nunca ter. o resultado de um pós-operatório dos infernos, que, resumindo, me fez ficar com uma fenda aberta debaixo do braço por quase 45 dias, foi uma cicatriz bem feia. e eu, né?, que cicatriz nunca tive, fora a da catapora, porque eu cocei (coisa que 11 entre 10 crianças faz, não adianta berrar).

mas aí não era suficiente. não era suficiente eu ter um problema de formação no joelho, um problema genético nos pés (tá, não exageremos, pé de atleta não é uma coisa assim, como se fosse ser o Curupira, mas tá, é uma pré-disposição genética), eu tinha que ter isso, né?

aí eu descobri, nesse rodo, que eu tinha ovários policísticos. o motivo, talvez, da minha obesidade.

tomar no cu, 25 quilos em dois anos. tomar no cu que hoje seja muito mais que 25, mas enfim...

aí não bastou.

depois de anos sofrendo de uma "gastrite" que eu atribuí à genética (meu avô tinha úlcera, e aí vai descendo até chegar em mim), ao stress e ao café aos baldes, eis que descubro, depois de me virarem do avesso e de eu ir pro hospital com dor sem parar, que eu tenho uma mal-formação chamada hérnia de hiato. aí o médico diz que dói horrores...

é, amigo, eu sei. nem eu sei comé que ainda não virei aquelas véia que vão pro hospital toda hora, querendo exame, remédio, atendimento pra doenças imaginárias. (STH, vai procurar que existe)

mas aí, né? hérnia de hiato. à beira duma reforma ortográfica e eu descubro a maldita hérnia de hiato. que causa refluxo, esofagite, azia, dor enorme.

todo mundo: tomar no cu, dor enorme.

não é bonito de ver a hérnia, viu?

nasci com essa merda.

não tem cura. cirurgia, mas não recomendada.

todo mundo: tomar no cu, hérnia de hiato.

agrava se estiver obesa (HEY!), se comer chocolate (puta que te pariu!), tomar café (nem o vício a gente pode manter!) e comer coisas ácidas e apimentadas (tipo, quase 95% das coisas que mais amo nessa vida, a não ser pela obesidade).

então assim. controlei, né. até nem tive mais muitas dores. e só fui parar no hospital com uma dor no estômago absurda (que durou uma semana) porque eu comi picles de mais.

e o picles, que é a cura da minha TPM, a razão do meu viver, o meu vício maldito, aquilo que eu peço "bastante" no Subway, o picles tá lá entre as coisas que agravam os sintomas de, vejam, a doença mais nova que descobri em mim.

é crônica, não tem cura, se manifesta mais em mulheres e em geral a partir dos 30, e tem nome bonitinho e assustador: "rosácea". é uma doença de pele que pode ser bem grave e que, dizem alguns estudos, pode ter origem em doença gastrointestinal.

a hérnia. filha duma puta dos infernos.

o que é legal é que os sintomas são agravados por calor ou frio em excesso, stress, exposição ao sol, bebidas e comidas quentes, vento, ansiedade, comida apimentada, banhos quentes e café.

procura aí uma doença que seja bem legal e vê o que piora, agrava ou causa. se eu tenho essa doença, podes crer que todas essas coisas, que são as coisas com as quais eu convivo sempre ou as quais eu adoro comer/beber, ou formas das quais eu me comporto, estão na lista do "evitar".

tomar no cu, fazendo o favor, rosácea, hein?

PIDEITE: esqueci de dizer que tenho febre do feno. descobri faz anos já. significa apenas alergia ao pólen. pra uma velha em estado de decomposição até que eu tou gatchenha, né? (cara rosadinha, até!)

[ Penkala ] 22:33 ] 9 comentários

 
eu uso óculos




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