] sábado, maio 16, 2009
 
a gente é a cara da mala enorme de coisas que a gente acha que é imprescindível carregar. ela vai nas costas e nem sempre permite que a gente ande de peito-pra-frente-bunda-pra-trás-nariz-pra-cima, mas ok, não tem como tu simplesmente largar a maldita mala por aí. porque, né? ela é a mala das coisas que são essenciais.

tem a frasqueira de mão, que como "frasqueira" diz, é uma coisa meio de perua, onde tu carrega itens que podes ir trocando, eventualmente. e os emergenciais, os de uso corriqueiro. parte desses emergenciais é uma boa duma necessaire com maquiagem, porque nem sempre as pessoas querem, podem, devem ou suportam enxergar a enorme mala de coisas imprescindíveis. é preciso um blush, rímel, um pouco de base pra poder mascarar a tal mala. às vezes base não funciona, então tem que ser massa acrílica mesmo. ou gesso, que é mais barato, embora feio. na frasqueira vão as coisas que podem ser deixadas na pia dum banheiro de rodoviária, em troca de outra coisa que tu adquiriu e que parece ser mais útil, urgente ou necessária. ou as coisas da frasqueira se tornam tão úteis, urgentes e necessárias que viram coisas que tu coloca na mala enorme essa que vai nas costas, a das coisas imprescindíveis (e duráveis). a frasqueira também é onde a gente vai guardando coisas que vai encontrando pelo caminho e que um dia acabam indo fora, ou indo pra uma caixa, ou indo pra mala enorme das coisas imprescindíveis, porque são bem legais.

a gente também é, não tenha dúvida, a caixa pra dentro de onde colocamos várias coisas que não podem ser levadas, que não cabem na mala grande, e muito menos deveriam estar na frasqueira, mas que tu soca tudo nesta caixa (que é grande também) e paga pra que fique no guarda-volumes de algum lugar (às vezes tu vai lá e pega umas coisas, mas na maioria das vezes tu só lembra delas o tempo todo). o motivo pelo qual tu continua pagando pra que aquelas coisas fiquem ali, às vezes tu não sabe. às vezes o motivo tu sabe bem e te faz acreditar que algumas daquelas coisas merecem ir pra mala grande. de qualquer das maneiras, tu continua pagando pra que a caixa fique no guarda-volumes. afinal, aquilo lá é tu também.

tu é, também, a roupa do corpo. às vezes o modelito do dia é um impermeável, e tu te sente protegido da chuva, do vento. às vezes é uma camisetinha (branca), que tu equivocadamente coloca num dia que tu acha que vai fazer sol e, no meio do caminho, percebe que vai cair o maior toró. mas aí, fudeu.

não tem muito como reclamar, porque cada um é tudo isso. não tem muito jeito. às vezes o peso é insuportável, e tu até tenta largar alguma coisa no caminho. ou tu fica sem grana e quase desiste de pagar a mensalidade do guarda-volumes. mas aí tu pensa na mala enorme que também faz com que as pessoas se aproximem de ti e fiquem comentando "olha, bem legal esse fecho, hein?", ou "massa esse patch dos Beatles que tu botou aí!". algumas pessoas olham a mala de longe e fogem, ou olham de longe, acham legal, mas quando se aproximam acham terrível. e algumas pessoas acham legal andar do lado duma pessoa que tem uma mala enorme daquelas nas costas, porque a mala é bonita pra caralho. e tu desiste de largar a mala por aí. ou tu pensa que se tu não pagar a mensalidade do guarda-volumes vão incinerar tua caixa. o papelzinho que comprova que aquela caixa é tua está sempre no teu bolso, e isso faz de ti quem tu é também. aí tu desiste de deixar o tiozinho do depósito tacar fogo na caixa.

é insuportável às vezes porque tem uma hora que tu torce pra que alguém goste da mala grande, ache legal a frasqueira e aceite te ajudar a pagar a mensalidade do guarda-volumes. mas nem sempre esse alguém tá nas pilhas de fazer isso. ou porque começou a ver fio puxado na mala grande, ou sei lá. mas em geral não é o fio puxado ou o defeito no fecho da mala grande, mas uma coisa que tu carrega na frasqueira. e tu pensa: "ora porra, mas eu posso pegar esse troço aqui e trocar por outra coisa. ou posso simplesmente deixar num banco de praça...". eventualmente tu faz isso mesmo, mas nem sempre a pessoa vê. ela tá convencida que o fio puxado na mala grande é igual a um fio puxado lá duma mala terrível. tu até corre pra pegar o estojinho de costura, arrumar o fio puxado, tal. ou pra ir logo explicando: "isso aqui é a minha mala, não aquela outra, que tinha coisas assustadoras dentro. pronto, pronto, pronto, já passou".

tu não tem culpa do equívoco, da ilusão de ótica que deu no olho do outro. mas tu fica triste, né? porque tua mala enorme é tão bacana, e tu também gosta dumas coisas que tem na mala do outro. e não tem jeito. por mais que tu use pasta d'água, que nem o Chaplin (tu comprou um joguinho de pasta d'água e leva ele sempre dentro da frasqueira), pra tentar não mostrar os defeitinhos da tua mala enorme de coisas imprescindíveis, as coisas maiores, o volume que elas fazem e até o cheiro delas, que vem de dentro da mala, não tem como disfarçar.

então tu dá de ombros e simplesmente continua carregando a mala enorme. porque ela é legal, bonita, cheia de coisas maravilhosas e sementinhas de coisas que tu gosta de plantar e de cuidar. e cheia de livros. e se alguém implicar com o fio puxado, ou enxergar mal alguma coisa, não tem jeito. tu só reza que na frasqueira tenha oralgésico (porque analgésico seria sacanagem) e esparadrapo pras feridas nos pés; pra que as coisas que tu tirou de dentro da frasqueira sejam as que tavam fedendo lá dentro e pra que a roupa do corpo seja adequada pro tempo que virá hoje.

[ Penkala ] 12:13 ] 0 comentários

 
eu uso óculos




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