] segunda-feira, junho 15, 2009
 
das 4 nobres verdades

o desapego é um caminho. não uma ação que vem de dentro de um ser humano, não uma reação, não uma decisão. segundo o budismo, a vida tem sofrimento, e pra se livrar do sofrimento é preciso se livrar do desejo. se livrar do desejo é exercitar o desapego.

mas o desapego total é pros monges. não é da natureza dos homens comuns desapegar de tudo. desapegar dos bens materiais é simples.

chora-se o incêndio de uma casa. alguns choram pelo prejuízo. alguns, pelo medo. alguns, pelo que será preciso fazer pra voltar ao que era antes. eu, por exemplo, choraria copiosamente pelas fotos que ali se perderam. as cartas trocadas que se desfizeram em pó, os presentes sem valor material, mas repletos de valor simbólico. mas a dor passaria. mas apenas se do incêndio sobrassem aqueles que fizeram parte das fotos, que trocaram as cartas, que deram e receberam os presentes...

é por isso que os monges não devem amar como amam os homens, esses seres mundanos. porque o amor humano é um amor que espera amor de volta, e ansia pelo afeto físico. e fica ofegante pela aproximação. sorri pela presença. faz planos com a materialidade de outro ser que tem um cheiro específico, uma voz específica, uma pele, olho, cabelo específico. chora a falta de uma mão, do conforto do peito, da proteção do abraço. chora até mesmo a falta do defeito.

desapego é um exercício hercúleo. alguns, na incapacidade de se desapegar, logo substituem a materialidade do amor por uma genérica simulação do amor. pobre, superficial. outros, na incompetência de desapegar, precisam atear fogo a tudo, na mente, que represente o amor, numa fogueira que arde por dias, meses, muito muito tempo.

vão-se, nesses exercícios, os hábitos, e os apegos doentios, e as possessões. vão-se as dúvidas, as mágoas, os erros.

o desapego é um incêndio. pra uns, aquece e é confortável, faz esquecer o frio. pra outros, queima, machuca, provoca dor insuportável. mas o amor sobrevive, e com ele é possível reconstruir. mas antes de reconstruir, é preciso que os que usam o fogo do desapego como conforto, aprendam a sentir a dor da queima; e que os que sofrem com as queimaduras do fogo, aprendam a ver nas labaredas o conforto.

o amor verdadeiro é uma fênix. é preciso ter paciência e perseverança pra ver a fogueira acabar, as cinzas descerem e as asas vermelhas, cheias de brilho, vivas e quentes, abrirem-se de novo.

[ Penkala ] 23:02 ] 0 comentários

 
eu uso óculos




CLICA QUE VAI:
www.flickr.com
Penkala's eu, casa & coisas photoset Penkala's eu, casa & coisas photoset

BLACK BIRD SINGING:

Get Firefox!








Powered by Blogger


RSS