] quarta-feira, setembro 30, 2009
 
moço, eu não quero, não espero, não gostaria. eu exijo. eu exijo ter tudo aquilo que eu desejo. e exijo agora, porque não tenho tempo pra esperar. e exijo muito, porque não cheguei até aqui por pouca coisa. e exijo bom, porque eu mereço. fui boazinha e por isso eu merecia era apanhar. porque ser boazinha não pode. não neste mundo. eu fui tolerante. eu fui compreensiva com a vida. aceitava tudo o que vinha porque achava que a vida era assim. pois agora eu exijo.

eu exijo, moço, que eu tenha tudo aquilo que mereço e tudo aquilo que sempre mereci. o que, te prepara, é muito. se eu me desabalei lá de casa, não é com um mero funcionário que eu vou querer falar. se eu decidi, é com o gerente. melhor, o dono desta merda. se o senhor, seu moço, tem poder de decisão, então eu quero agora. e não me diz que "veja bem". pára de frescura que eu sei que é tu que decide. e sei que o que é meu tá guardado aí. porra!, vai lá pegar. é simples. é bem simples. vai lá, pega e me traz. e sorria enquanto estiver fazendo isso. e seja delicado, porque a situação é delicada e tudo o que eu tenho, que tá guardado e tu vai lá buscar agora, é muito importante. não quero nenhuma dessas coisinhas quebradas. seja delicado, sorria, e seja forte também. eu sei que tu pode, eu sei que tu tem poder aqui, moço.

mas eu quero com entrega especial. não é num caminhão, não é numa kombi de frete. não é no baú do motoboy. e nem pelo carteiro. não é entrega quando der pra entregar. eu quero tudo, eu quero bom, quero muito, quero agora e, por favor, quero entregue em mãos. se eu não estiver em casa, corra o senhor mesmo atrás de mim pra entregar. se eu não abrir a porta, insista. volte outra hora. não me interessa se é 9 da noite. e faça o favor de substituir todos esses "quero" que eu acabei de falar por "exijo".

eu estou calma, moço. não estou me exaltando, não. e eu não vou baixar a voz. estou tão calma quanto uma pessoa pode estar depois de ter todas as coisas que são minhas presas na aduana desta porra de fronteira. tão calma quanto possível, considerando que sou a pessoa que nem tinha idéia de que estava com tudo isso esperando pra me ser entregue e por isso vivia aceitando o que vinha. de bom grado. eu sou boa, mas não boazinha. eu sou boa de se estar do lado. sou boa de tudo, se o senhor quer saber. eu fiz tudo sempre direitinho, e sou realmente boa nisso tudo que é necessário ser. e nas coisas acessórias também. sou boa, mas sou má. quer que eu seja má? sou bem má, sim. sou boa de briga, sou boa de resistência. espero mais uns minutos, se for necessário. mas, como eu já disse, não tenho mais tempo, não. é só o tempo de o senhor ir ali e pegar tudo e voltar.

eu vou fazer um escândalo nesta porcaria se o senhor se fizer de desentendido e mandar o estagiário me atender. passei muito tempo escutando musiquinha de espera de atendimento do SAC. e, é bom saber, esperar na linha, escutando aquelas musiquinhas, é cruel. porque as músicas, inclusive, poderiam ser melhor escolhidas. agora eu vim pessoalmente, que é pra o senhor olhar bem na minha cara e dizer que não tem nada aí pra mim. experimenta! ou o moço pega por bem, ou eu vou partir pra violência. e se o senhor for chegado numa violência básica, eu parto seu coração, que é pra aprender a não brincar até com a minha fúria. eu falo sério. bem sério. e se tu acha que isso é brabeza, que eu sou brabinha, cara fechada, que eu sou antipática, o senhor não viu nada ainda. me provoca pra ver o que é bom!

eu sei que ninguém se aproxima porque tem medo que eu solte os cachorros. mas eu só tenho cachorro querido, pode ir lá entregar sem medo. e, sem medo de vocês me tirarem do cadastro ou nunca mais abrirem a porta pra mim, eu vou ser bem direta e clara: moço, eu quero tudo o que tu tem. cada coisa que tá aí, que eu sei, eu quero agora. eu exijo. em bom estado. e eu sou bem chatinha, eu sou dura, eu sou crítica, sou extremamente dura mesmo. mas eu vou levar mesmo assim. porque agora eu me irritei. eu sou dura, crítica, exigente, chata e cara fechada. sou tudo isso aí que o senhor tá me dizendo. mas é só agora, que eu estou exigindo. é só agora que estou irritada com essa palhaçada de guardarem os troço tudo e não quererem me entregar. depois, tu vai ver, moço, eu sou a a melhor. bota um sorriso nesta cara de espanto e vai lá e volta ligeirinho que talvez role até gorjeta.

[ Penkala ] 09:54 ] 0 comentários

 
eu uso óculos




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