] segunda-feira, setembro 28, 2009
 
tem uma propagandinha aí que diz que a vida é feita de escolhas. provavelmente é de alguma universidade, pelo que eu me lembro. eu escolhi, com muita dificuldade, um curso entre tantos outros que me interessavam. naquela época eu era tão infeliz! escolhia as disciplinas que cursaria em cada semestre, com base na maldita planilha de pré-requisitos e conflito de horários. xingava a mãe de quem fazia a matrícula ser sempre um caos. era difícil. minha vida era extremamente difícil. lavar o cabelo a cada dois dias, matar a aula de religião (universidade católica), me negar a fazer um trabalho bobo. lavar a louça. ter que limpar o banheiro. dificuldades extremas. no colégio, minha dificuldade era maior ainda, embora ela aliviasse quando meus colegas resolviam ser queridos comigo, já que eu sempre fui adorada pela turma toda e jamais inventavam apelidos ridículos pra mim, me faziam entrar em pânico com brincadeiras cruéis ou me faziam ser a única não convidada pras festas. precisava, também, escolher se rasgava a calça no joelho ou na coxa. na época, as calças vinham pra durar. não era esse mole todo de hoje, de calças já com picote pra cortar no lugar certinho.

hoje minha vida feita de escolhas é bem simples. é a maravilha de se ter mais de 30. o pleno domínio sobre as consequências daquilo que se faz, o total e absoluto controle sobre os próprios sentimentos, pensamentos, limites, freios. a ausência generalizada de danos irreparáveis, mal-entendidos funestos, tentativas frustradas de ousar dar um passo em direção daquilo que se acha que é o certo. no ec-ziste esse negócio de não saber mais o certo e o errado. depois dos trinta, sob nenhuma circunstância existe a possibilidade de que tua cabeça tenha um dia de fúria e, com o taco e a camisa e os óculos do Michael Douglas, resolva ser medieval contigo a ponto de te deixar atordoado. o que era verde vira vermelho, o que é amarelo vira roxo. nah. depois dos 30, não. depois dos 30 passa aquela capacidade louca de dizer merdas, de baixar a guarda e mostrar tudo por dentro antes de esconder a baguncinha no armário, de se equivocar, de fazer exatamente a besteira que diz no cartaz que não é pra ser feita dentro deste recinto. porque se isso acontecesse, eu passaria meus dias desconectada, sem telefone, sem sair de casa. porque a chance de dar de peito num troço e o troço se desmanchar é imensa. a chance de escolher um caminho e ele ser uma rua sem saída é enorme. a chance de chegar no momento da morte súbita é absurda. a chance de passar por uma situação tipo assim... se você escolher a porta certa, ganha tudo o que mais quer, num oferecimento de *** (não vou fazer merchan aqui); maaaaaaas, caso você escolha a porta erraaaaaaaada, será picotado em 532 pedaços por fios invisíveis de extrema precisão (alguém aí viu O Cubo?). é pegar ou largar!

porque se isso acontecesse, se permitissem uma temeridade dessas, tu teria a possibilidade de sofrer por não fazer nada ou sofrer por fechar o olho (ou tomar uma garrafa de whisky, ou apertar bem um torniquete) e abrir a porta errada. ou do jeito errado. ou na hora errada. ou com a mão esquerda. é que nem tu escrever um mail de teor pesadíssimo pra um colega falando mal do chefe, xingando a irmã do cara de cargos no mais baixo meretrício, e na hora de escrever o nome do destinatário acabar escolhendo o nome do chefe. um Michael Douglas enfurecido no calor do verão norte-americano sabotando tua cabeça, promovendo o maior dos atos falhos da história. é tipo isso aí.

mas nah. não existiria uma coisa dessas.

não depois dos 30.

[ Penkala ] 11:24 ] 2 comentários

 
eu uso óculos




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