] quarta-feira, outubro 14, 2009
 
pussy. chicken shit. sissie. essa bobagem aí de boxe? só faço porque me dá um extremo prazer. uma das poucas coisas de que não desisti, mesmo depois de tomar pau. [da vida acadêmica eu não desisti porque não consigo não fazer.] esse negócio de quem é o mestre leroy eu sou o mestre leroy: pfff. sinto dizer, mas também não sou decidida. e quando eu falo de mim mesma, agindo como se isso fosse grandes merda, é porque eu preciso lembrar o tempo todo de quem eu sou pra mim mesma. levou um tempo, mas eu construí uma pessoa bem bacaninha. but pussy. chicken shit. sissie...

eu falo mais palavrões que o trovador metido a comedor da sala ao lado. e quando ele fala que mulher tatuada é uma chinelagem, eu levanto, apoio o joelho na cadeira e levanto a manga. dobra a língua pra falar de mulher tatuada, que tem mais gente que adora isso do que tu imagina! e aí me sento de novo. com a cara vermelha. e tem umas palavras que eu jamais consigo pronunciar. mesmo que eu fale "porra dum caralho" quando o computador desliga enquanto estou trabalhando [quando é no windows, sabe?]. não consigo pronunciar de jeito nenhum. me envergonho, me penitencio, e não digo. pussy, chicken shit, sissie.

eu só uso preto e gostaria de poder dizer que é porque é meu jeitinho. eu uso preto porque me mantém dentro de mim mesma. porque eu às vezes não consigo aceitar o mundo e tenho vontade de sumir, e isso não passou depois que eu fiz 14. porque eu não aceito autoridade, porque eu tenho medo de briga porque eu sei lá o que eu posso acabar fazendo. porque existe um animal extremamente irrascível e perigoso dentro de mim e eu não estou falando isso pra amealhar "uhu!", sabe? porque eu quero mais é que toda essa palhaçada de política se exploda, e seus políticos junto, porque eu assumi meu anarquismo. o poder só fode tudo. eu uso preto porque sou triste. não triste como um poeta tuberculoso. eu não gosto de poesia. eu não tenho vocação pra Kafka, eu não sei fazer teatrinho. não deprimida como um adolescente que toma vinho no cemitério. eu sou triste porque ainda não entendi pra que que eu sirvo, e sou triste porque vejo as pessoas como elas são e fico com muito nojo da humanidade. sou triste porque mesmo depois dos 30 eu não consigo acreditar que as pessoas possam ser capazes das atrocidades de que são capazes. eu sou triste porque me sinto violentada. eu sou triste porque sinto raiva. e porque eu tenho medo de que façam comigo sempre a mesma coisa que sempre fizeram. eu sou triste porque tenho medo dos homens. e porque gosto deles. pra caralho. e eu sou triste porque eu não aprendo. eu sempre compartilho tudo com as pessoas. talvez numa tentativa de que me aceitem. e talvez porque eu confie nas pessoas. despite.

e porque eu realmente acho que devo ser totalmente honesta e sincera com as pessoas. acho triste que seja necessário jogar. e eu uso preto como sinal de grande poder, quando na verdade... pussy. sissie. chicken shit. é uma estratégia. é pras pessoas pensarem que eu sou forte, tenho poder, sou má. mas eu sou apenas uma guria que passa a vida toda temendo de morte a rejeição. e quando ela vem, eu sou uma guria que finge que não se importa. mas que morre por dentro. [que ninguém coloque o chapéu agora, tá? não tou reclamando de ninguém. tou reclamando da vida, e deu. não tornem isso aqui mais chato do que já é. brigada.] ainda não me recuperei de vários traumas. e eu entendo mesmo quando as pessoas me mandam parar de mimimi porque a vida é injusta mesmo e eu é que nunca vivi no mundo real. porque eu não sou mais adolescente pra ficar chorando por causa disso. é que nunca deixou de doer. eu tenho medo de não gostarem de mim. então eu finjo. que me basto. que sou tudo isso. eu tenho medo que me atraiam e depois me arranquem um pedaço.

e eu não fico aqui dizendo isso porque agora estou dando uma de frágil pra angariar simpatia ou recolher elogios, tu é guerreira, tu é forte, tu é muito importante, tu é sensacional. se eu sou guerreira, é por me abaixar e colocar as mãos na cabeça e dar a sorte de não levar com uma espada no meio do coração. e aí acaba a guerra e só sobrei eu. covarde.

e se eu vou atrás daquilo que eu quero, se eu vou e insisto e bato pé e derrubo um gigante pra conseguir. se eu desejo o amor de alguém com toda a minha força e chego na cara e digo isso, é porque o meu maior medo é de que passem por mim, dobrem a esquina e nunca mais voltem. e se eu não ficar mandando torpedos dizendo ei, tou aqui, viu? não esquece de mim? por favor?, a pessoa simplesmente tome o rumo e nem à merda me mande. eu tenho medo de que eu seja aquele programa da manhã que tu não deixa de ouvir nunca, a caminho do trabalho. a voz que tu precisa ouvir religiosamente. aquele programa que tu escuta com um fone no ouvido e outro pendurado, pra poder ouvir o chefe gritando contigo. e tu liga pra rádio pedindo música todos os dias, e tu participa das promoções, responda de forma mimosa por que você ouve o nosso programa, eu ouço o programa todos os dias porque é uma bênção no meu dia. e um dia tu começa a achar que o programa tá ficando sério pra caralho, não tem mais participações engraçadas, músicas alegrinhas e tal. e tu desliga e nunca mais coloca os fones. ãin, eu não sei brincar, ok. mas então me explica como é que é, porque tu é a única criança da rua com quem eu fiz amizade. ou pelo menos é a única que não fala merda o tempo todo. ok, eu paro de pedir pra tua mãe se tu pode sair pra brincar. sério, na boa. não queria ter sido chatinha. meu maior medo é de, se eu não for lá buscar, que não me dêem o que eu preciso. porque não valho muito trabalho. então, ao que tudo indica, eu facilito pras pessoas.


[ i n t e r m i t i o n ]

[ cacete. não sei escrever pouco. droga. ]


eu não sei sorrir. não porque eu seja triste e ache bonito e interessante que as pessoas pensem que eu sou misteriosa. é porque eu tenho medo. eu tenho medo do ridículo, e tenho medo de ser humilhada, e tenho vergonha de mostrar a mim mesma a não ser depois de achar uma posição que realmente me deixe aceitável. pra que as pessoas possam me aceitar. eu faço as coisas e vou dizendo pras pessoas que estou fazendo. sem joguinho. olha, estou dando um passo na tua direção, olha só, eu vou lutar por ti agora. porque se eu não aviso e a pessoa me rejeita quando me sinto confiante, eu volto praquele momento terrível em que eu corria e dava o salto e fazia errado e caía e me machucava. e todo mundo ria até o fim do dia. eu mostro logo minhas fraquezas pra que todo mundo pense que eu aceito cada uma delas mas, principalmente, pra garantir que eu não seja pega de surpresa quando estiver mais frágil. de saída, é isso aqui, viu? qué, qué, não qué, tem quem queira (pfff. cóf... essas coisas...). não quer jogar comigo, mesmo que eu tenha essa bola de gude com um catavento colorido dentro? só porque da última vez eu joguei às ganha, às vera, e trinquei tuas bolitas? tá, mas eu acho que pelo menos jogar às brinca a gente pode, né? ou conversar. sei lá. não quero que tu tenha medo de sair de casa porque vai topar comigo. sabe? eu sou essa. tá, sai aí que eu não vou mais me bobear.

eu me sinto sozinha quase o tempo todo e sinto uma necessidade absurda de tocar em alguém. e eu vou lá e toco. porque eu fico com medo de jamais ser tocada porque tem coisa melhor e nunca vão me escolher. eu sou violenta porque não consigo aceitar quando as coisas dão errado. e se eu sou agressiva com alguém, é exatamente porque eu me importo, e se vejo que não vou conseguir que dê certo, eu preciso chamar a atenção. mas quase o tempo todo eu sinto vergonha, nojo, raiva de mim mesma. eu sonho muito alto, mas não me acho merecedora. e não é por culpa dos meus pais, porque eles jamais me trataram como se eu fosse um lixo. em algum momento da minha vida, quando eles não estavam por perto, isso aconteceu. e a partir de então, começou a acontecer sempre. apesar de ser amada profundamente pela minha família, eu queria ser aceita por algum grupo que não tivesse um laço de sangue comigo.

não. eu não quero ser aceita. eu até sou aceita, sabe? eu quero ser necessária.

se eu me odeio quando escrevo isso? sim, me odeio. porque parece que isso tudo é joguinho pra atrair a pena ou pra fazer com que as pessoas depositem donativos na minha urna. não. pussy. chicken shit. sissie. eu tenho medo de tudo. por isso eu me agarro a tudo o que eu já conheço. eu me odeio agora porque pela primeira vez eu acho que estou tentando dizer isso tudo porque eu estou cansada. eu estou desistindo. não de lutar como eu prometi. nem de matar mil como eu disse que faria. na boa, me conformei com umas coisas já. mas não com outras. só que não sei mais o que fazer. estou desistindo porque eu sou uma criança que não sabe brincar. eu fiz errado umas 5 vezes e cansei de a coisa não dar certo e eu nem ter idéia de por que. estou desistindo porque estou cansada de viver como um avatar. e também estou cansada de, quando tiro o capacete, me acertarem bem no meio da testa. eu só tenho medo, é isso. porque eu tenho sonhos altos que acho que não mereço alcançar. não deixo de correr atrás deles, porque eu tenho TOC. mas eu nunca acho que tou fazendo o que é certo. e eu sinto uma responsabilidade o tempo todo de fazer tudo certo, tudo direito, tudo pelos outros, ou ser legal o tempo todo. sinto uma responsabilidade nas minhas costas que acho que não deveria ter colocado ali. eu sou uma fraude, é isso. tem gente aí que me acha um gênio (eu sei. não estou sendo modesta falsamente. eu sei que sim). e sei que tem gente que me acha peituda. eu tenho vergonha porque acho que deveria saber bem mais do que sei. ser boa realmente em algo que me fizesse única. ter peito pra meter nas portas que aparecerem.

eu só tou cansada, é isso. de verdade. eu fiz tudo errado, e estou começando tudo de novo. mas já achando que vou perder tudo de novo. porque cada milímetro que eu avanço em direção ao que eu quero, eu, com pressa e ânsia e necessidade e urgência, empurro mais ainda pra longe. né? eu sei que o meu sangue quente demais assusta as pessoas. eu só não sei onde é que se arruma sangue de barata. tem no mercado? tem no zaffari? então assim, ó. chega, tá? no máximo eu sei escrever muito bem. e é só. porque quando se trata da vida real, eu tenho medo o tempo todo. e não é charme. não é o meu jeitinho. não é minha marca registrada. é uma merda ter medo de tudo. mas chega. porque eu realmente cansei. eu não sou amarga, não. sou uma pessoa até bem docinha. eu só digo que ah, ninguém me ama ninguém me quer porque eu quero que alguém desminta isso. porque quando eu digo: ah, ninguém quer ler uma guria chata reclamando o tempo todo, eu já estou assumindo isso, então a pessoa pensa: pelo menos ela tem crítica de si mesma. ou espero, no fundinho, que me sacudam, olhem dentro do meu olho e digam: não, porra. não é por causa disso!

não tenho não. crítica de mim mesma, quero dizer. eu tenho é um medo de voltarem pra me devolver. então eu digo: tá levando assim facinho porque, ó, tem um remendinho aqui, viu? um pino a menos, tá? tu viu, né? que tem defeito? eu não sei me comportar, é isso. então eu desisto. não tenho a manha. não tenho esse plugin aí não. então é isso. jateei minhas janelinhas. coloquei vidro fumê.

e sim. eu falo por metáforas. não, não é porque eu acho bonito. é porque eu só sei falar assim. sofro com isso faz tempo, mas eu não sei fazer diferente. me erra, tá? não quer ler, me erra.

(yawn)

[ Penkala ] 17:08 ] 2 comentários

 
eu uso óculos




CLICA QUE VAI:
www.flickr.com
Penkala's eu, casa & coisas photoset Penkala's eu, casa & coisas photoset

BLACK BIRD SINGING:

Get Firefox!








Powered by Blogger


RSS