] sexta-feira, outubro 09, 2009
 
quando eu era bem jovem, e tinha a nítida impressão de que podia tudo, eu cantei uma música que dizia assim: "amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada...". meu coração cantava essa música toda vez que meu grande amor se aproximava. e nunca chegava na hora marcada, mesmo, porque era nada pontual. eu tinha a impressão de que eu podia tudo, e que o mundo era meu. e eu não sabia que isso era porque eu podia cantar esta música. nem gosto da banda. mas a música eu cantava assim, tão sincera. aquilo tudo o que eu tinha eu entregava. porque o mundo era meu e eu podia tudo.

mas um dia não me vi mais nos teus olhos nem na tua cara lavada, e o que eu vi foi um vazio que parou meu coração. nunca mais cantar essa música. até que eu enxerguei, com estes olhos que eu um dia vi nos teus, eu vi essa música, a música que o meu coração não podia mais cantar, na boca de outra pessoa. eu procurei tanto por ti, pra me dizeres que não era verdade. mas quando eu cheguei, meu grande amor, não me reconheceste.

não tenho vergonha. não tenho nenhuma vergonha de dizer. o que tenho é apenas uma dor insuportável de me enxergar, de cabelo comprido, de saia azul, de sandália de corda, inocentemente cantando essa música, sem saber que um dia ela seria roubada de mim. e quando eu vejo esta eu de saia azul e ela vai se esvaindo, me dou conta: o pedaço que me tiraram, que me arrancaram por uma bobagem, foi grande demais.

vou sobreviver. mas eu morri. agora eu morri. e como dói morrer, meu deus do céu. como dói.

[ Penkala ] 21:53 ] 0 comentários

 
eu uso óculos




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