] segunda-feira, outubro 12, 2009
 
tu até não tem lá grandes intenções de matar alguém, mas vê lá se tu não puxa o sujeito pelo pescoço quando está se afogando? sujeito foi lá, todo de boa vontade, e tu puxa ele pro fundo. não sabe brincar, não brinca, né? treino é treino, jogo é jogo e esta vida é uma dancinha numa corda lá em cima. eu bem sei o que é breu e como colocar na minha sapatilha pra não escorregar na corda. eu sei bem que não se pode vir correndo e dar um mortal triplo carpado sem música pra cair na piscina. eu só não sabia que era tão idiota de chegar correndo pro jogo e esquecer de colocar o breu. nem que eu era tão suicida a ponto de realmente me atirar na piscina como se não houvesse amanhã.

porque tem treino, e eu sou cdf e vou lá e faço tudo o que tá nas regras. e quando chega a hora do jogo, tem uma ampola desgraçada que se parte e joga no meu sangue uma coisa que eu não sei bem o que é, mas muda tudo de forma indecente. de repente não tem sangue mais nas minhas veias, mas algum tipo de minério incandescente em forma semi-líquida que vai espalhando terror por onde passa e eu me transformo numa pessoa desvairada que dá um triplo carpado mortal sem música e sem roupa de banho. que olha pra corda e vai firme, esquecendo de preparar as sapatilhas. e se eu sou todo esse monte de inconsequências, não é por ser suicida. justamente pelo contrário. eu tenho pressa de jogar e por isso esqueço o breu nas sapatilhas. eu tenho urgência de mergulhar o mais fundo possível e esqueço que a água é mole, mas é dura. eu não leio manual. eu ignoro as regras. eu sou arrogante e digo pfff pras regras. eu acho triste toda essa dancinha. vamos saltar nessa piscina logo de uma vez, gente! porque, porra, esse negócio tá ardendo, pensa o que? minhas veias não são de aço, pombas! e aí eu faço "vem", saio correndo e rindo e de peito empinado e no meio do salto vejo que a galera tá lá, fazendo aquecimento.

triplo carpado mortal sem roupa de banho. e o salva-vidas, que tá ali achando que nunca vai precisar realmente trabalhar, porque ninguém é idiota de fazer isso tudo sem preparo, pede demissão porque ele é que não vai lá tentar salvar essa louca. capaz dela me afogar junto.

quando uma pistola avisa o início do jogo, corda esticada acima uns 50 metros do chão, eu entro já pulando lá no meio. e entro dando papinho pra pessoa do outro lado da corda, fico conversando, e vou horrores com a cara da pessoa e aí mesmo que eu converso mais. dou uma trela desgraçada. "tu sabe que outro dia me quebrei o braço esquerdo e até agora estou com ele que é um horror. nem consigo dobrar." a pessoa diz "aham". ai eu baixo um pouco o colã e mostro a cicatriz antiga que me incomoda, de um órgão qualquer que eu tive que tirar dali. "rapaz!, tem que ver o que isso dói!" e aí eu ouço um "é, deve doer mesmo". nem olho pro chão, porque de qualquer forma eu estou ali achando que beleza, basta atravessar esta cordinha. só fazer esta dancinha aqui, ó. e aí eu desequilibro, seguro no ombro da pessoa, dou uma risada que dura aí uns 2 minutos e digo: "mals aí! eu sou bocaberta assim mesmo!". "é que eu tenho vertigem, sabe?" "e o meu joelho direito não é muito bom, não. capaz de travar se eu tiver que me pendurar na corda pelas pernas."

a pessoa dá risada junto, né, que não tem jeito. mas começa a dar pra trás. e vai caminhando de costas na corda até ir ficando longe. e eu, que tava começando a fazer amizade, que tava super confortável de papo ali, fico mal. a pessoa pensa "eita, quem é que escalou essa criatura louca pra jogar comigo?". e eu grito de longe, já perdendo o equilíbrio, já com o sangue todo na cabeça, "ow! vamo brincar, meo! ei! tá ouvindo? foi alguma coisa que eu fiz? tá, desculpa. eu jogo direito! [mas eu não sei jogar, sua anta! eu não sei! não fala coisa que tu não sabe!] tá, eu prometo não falar mais, tá?".

que graça tem, né?, se eu mostro meus pino tudo solto. se eu praticamente digo: olhaqui, se tu chutar meu joelho direito, eu caio mesmo. que graça tem eu me atirar no chão no primeiro round porque eu tou me sentindo ridícula nesse traje de pugilista profissional, ficar lá rindo de me dobrar, e o cara no outro corner nem deu um soquinho na minha cara? no treino eu disse, tantas vezes, nah, vamo afú, sério, sério, sério agora. tá, sem palhaçada, vamo treinando. tá, esse pé pra cá, esse pra lá. aham, aham. que que adianta? no jogo, eu me distraio uma barbaridade com as parceirias, quero puxar conversa e ignoro totalmente que estou lidando com o maior perigo da vida, com a personificação de todos os meus terrores. com uma pessoa que pode até ter andado de rolimã comigo, mas que agora é sério, agora tá com a camiseta da outra equipe. pra quê cabo de guerra? vamo ali, ó, sentar e conversar. dá aqui um abraço logo e deixa disso!

não. NÃO! não pode, não pode, não pode.

e aí a treinadora me puxa no cantinho, me faz aquela massagem básica, com aquele meu óleo de maracujá que tem um cheirinho super bom, e me deixa mole, mole, mole. e aí puxa a minha orelha e diz: porra! tu não é mais criança, né? tá aqui pra ser atleta, então te comporta! tu estudou tanto, treinou tanto, te esfolou tanto o cotovelo! tu é forte, meo! tu é forte, tu é raçuda, tu tem músculos nessas coxa que deus que me perdoe! colé teu problema? pula corda feito doida, sangra as atadura todo dia, abdominal até nem respirar, gurizada lá da rua cheia de medinho de tu dar umas porradas se eles se fresquearem e tu chega aqui e faz amizade com o adversário? não pode! NÃO PODE! depois cês se abraçam, tomam umas, trocam as luvinhas e essa galinhagem toda. mas agora o esquema é sério. é pelo título. pensa no cinturão que tu vai arrancar do adversário, bebê! vamo lá, meu amor! [acho que minha treinadora tem um crush em mim. acho que ela gosta de meninas. sei não.] levanta essa bundinha do corner e enxerga o adversário pelado. não. enxerga pelado não que aí tu começa a esquecer o jogo. enxerga o adversário com cara de muro. e engole essa risadinha. onde já se viu uma atleta cheia de energia dessas dando uma de palhaça?

tá, e aí? enxergo o muro, levanto a bundinha do corner, faço cara de quem vai matar um e aí?

dá de cabeça no meio do muro, derruba o muro, e conta nockout com a bota em cima das costa dele, ué!

ok, mas e como é que eu derrubo, como é que faz?! olha aqui pra mim: como é que eu derrubo o muro? me diz!

simples: fica fria, faz cara de que nem bate coisa nenhuma em ninguém. nem tira o óculos. não assusta o bicho com a tua cara de má. ou a criatura larga, desiste, veste o roupão e vai embora. sabe como é essa equipe aí. tem que entrar entrando, chegar achando que manda no ginásio. vai por mim. aí tu dá uns pulinhos com a botinha preta, deixa ele vir pra cima, deixa ele te massacrar, protege o queixo, não baixa a guarda, mas guenta firme o tranco, e aí quando nego tiver cansado, então tu vai lá e leva a lona na cara dele. entendeu ou qué que eu desenhe, flor? burrinha tu, hein, ô!

tão tá. me dá aqui esta porcaria de protetor que eu não quero quebrar meus dentes! agora vocês vão ver quem é que manda nesta merda aqui! é pelo título! eu quero esse cinturão!

[ Penkala ] 15:51 ] 0 comentários

 
eu uso óculos




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