] sexta-feira, outubro 09, 2009
 
um dia eu percebi que meu maior medo é ser ignorada. eu suporto a dor. eu suporto a briga, e suporto que me matem quantas vezes seja necessário. mas não, por favor não, não me ignora. porque já me ignoraram, e eu já morri por causa disso. sem nem me debater. simplesmente morri. peço até a navalha mais fina que tiver na tua cintura. me passa ela de lado, cruel. eu vou derramar uma lágrima, vou me esvair em muitos fios de sangue. e vou morrer. eu sei o que tou dizendo, porque já morri e sei como funciona. mas não me ignora. a navalha, por favor. não me dá as costas. prefiro a navalha.

não diz pra mim, nunca, "vou ali e já volto" se não for voltar de verdade. eu acredito nas pessoas. e não me manda calar, porque não posso. sou impaciente. preciso te falar as coisas todas. sempre preciso te falar. e do que estou sentindo, e do que estou pensando. e se eu beber veneno e for pra frente da tua casa totalmente alterada e disser: "é isso", pode acreditar. eu quero te falar. eu quero te ouvir. mesmo que seja apenas concordando comigo, embora eu prefira quando há discordância. porque eu quero briga. quem não briga, não se importa. não diz que até amanhã se não quiser falar comigo nunca mais. porque eu choro. eu abro a caixa torácica, afasto as costelas, pego meu coração e fatio em cima da mesa. eu não sei as regras, eu não sigo as regras, eu não respeito as regras. se eu soubesse seguir as regras, ainda assim não seguiria. eu não consigo ter paciência, então eu boto o pau na mesa e vou logo dizendo "eu sou esta, eu vim aqui por causa disso, e estou com muita pressa". estou com muita pressa porque quero ser aquela por quem se chega, por quem se corre, por quem se estica o braço, por quem se bota o pau na mesa. porque eu não quero fazer isso. quero que façam pra mim. quem tiver coragem. não me pede paciência se minha paciência tiver que ser eterna. e não me pede calma quando estou dilacerada. não é difícil saber quando eu estiver. eu não finjo, eu vou estar dilacerada pra todo mundo ver. eu rasgo, não sou rasgada. eu vou de encontro, vou ao encontro, não espero sentada. se eu acho que preciso de alguma coisa, eu vou, abato, coloco nas costas e saio andando. e eu não recebo. eu dou. devia ter me dado conta de que isso não ia me trazer coisas muito legais, não. my-love-is-vengeance_that's-never-free way of living, sabe assim? porque eu dou. eu te dou um aperto de mão, te puxo pra um abraço, pego na tua mão e digo assim no teu ouvido: tá aqui, ó. até o fim do mundo. e espero que tu seja digno. eu espero de verdade. porque quando eu coloco isso tudo na tua mão, e fecho teus dedos pra enfatizar que quero que tu guarde, eu estou te dando tudo. não menos. tudo. conceito absoluto. então não espera de mim menos que tudo e nem dá as costas pro que eu te ofereço. eu choro. não sei fingir. eu bato, eu quebro, eu destruo, e choro. não tenho compostura, não tenho classe, não tenho nenhum medo de parecer ridícula. embora eu seja e isso me deixe mal depois. é bom ter medo quando eu digo que não tenho compostura. porque jamais vou sorrir quando a vontade é de chorar. e nem vou engolir quando a vontade for de cuspir. e não se engane aquele que acha que não sou de engolir. porque, pra mim, tudo significa tudo. até o fim. não significa não. sim significa sim. se em algum momento eu abrir minha boca e disser que te amo, é agora que a coisa começa. quando eu disser que quero, significa que vou mesmo até o fim do mundo. significa que coloco minha cabeça numa fogueira. e eu dou, e dou, e só dou. quero receber, mas não paro de dar. e quando eu vejo, já sumi.

tenho certeza de que sou uma boa amiga. sou boa companhia. e de que é até engraçado falar comigo, porque a minha chatice às vezes chega ao limite do cômico. mas eu vou confessar que eu sou engraçada porque se eu chorar, nunca mais paro. e ser ranzinza não é charminho, eu sou essa pessoa que reclama mesmo. eu não sou amarga. sou bem mais doce do que se imagina. mas não sou estática. eu tenho um vórtex, e ele é ao contrário do que se usa abaixo da linha do equador. eu vou confessar: é porque eu tenho os desejos mais simples de serem realizados: não é preciso dinheiro, nem esforço, nem habilidades incríveis; só que não há quem me satisfaça. se dói, eu digo que dói. apesar de suportar quantidades enormes de dor, quando dói, eu digo que dói. e quando estou furiosa, eu grito. e quando estou desesperada, acredito que seja mais fácil sair enlouquecida metralhando tudo que explodir em mil pedacinhos pra dentro de mim mesma. não terei câncer, mas também não terei ninguém ao meu lado. that's never free. e eu não aceito. porque eu aceito engolir qualquer coisa, eu aceito tudo. só não aceito que me ignorem. não fui feita pra ser ignorada. eu não cuspo até que tenha nojo. e eu já tive nojo. pode acreditar, eu sei do que tou falando. já engoli tanta coisa sem perceber o gosto amargo de certas dores, e quando eu vi só o nojo me fez reagir. eu não apenas vou cuspir quando estiver enojada. eu vou tirar cada pedaço de dentro de mim, como se fosse um tumor espalhado. eu te ofereço uma viagem até o fim do mundo, mas se me enojares, se te tornares desprezível, o mundo acaba aqui. o que eu te prometer do mundo te dou nem que seja com muita dor. então é bom não duvidar. ou o mundo inteiro, até o fim, ou o mundo acaba agora.

quando estiver lendo isto, seja tu quem for, saiba que isto aqui é tudo meu, mas esta não sou eu. as pessoas costumam me adorar. porque eu sou um avatar. elas acham fofa a carinha de tédio, elas acham interessante a foto com a máquina na frente dos olhos, elas acham bonito quando eu coloco minha melhor foto num álbum público. elas lêem meu texto e gostam. e lêem os microposts, e acham bonito, acham engraçada minha ranzinzice. alguns sabem que eu escrevi o texto. outros acham que eu sou o texto. mas não sou eu, essa aí. eu não sou um avatar, não sou um texto, não sou uma ou duas frases iradas ou furiosas ou revoltadas, acompanhadas de uma etiqueta engraçadinha. tu não me adiciona, não me copia, não me segue, não consegue salvar como. pra além desses enquadramentos, eu sou a pessoa que vai te fazer entender o que é até-o-fim-do-mundo. não quero ser adicionada, nem seguida, e nem quero salvação. eu preciso apenas e só de alguém que me coloque pra dormir quando eu não suportar mais o cansaço. e alguém que me acorde no meio da noite quando não suportar mais minha falta. eu sou aquela carne e aquele osso e aquele monte de sangue que verte quando me machuco. e eu sou fogo. sabe o que significa a expressão "ela é fogo!"? eu sou fogo. pro teu bem. e pro teu prejuízo. nenhuma água me apaga, e nem vai ser colocar uma pá de areia por cima de mim que vai me fazer ceder.

quero ser aquela por quem se paga caro pra ver. por quem se paga uma fortuna pra comprovar pra si mesmo que eu só pareço uma criatura muito séria, só pareço uma pessoa ranzinza e revoltada. mas no fundo, não. no fundo eu tenho temperatura amena. sou confortável. no fundo eu guardo tudo, eu dou tudo.

de revolta ninguém gosta. se gosta, deve achar engraçado, deve rir com isso. porque é, na verdade é bem divertido. muitos gostam de rir das minhas ranzinzices. mas quando voltam pra casa, pras suas vidas, pro refri 2 litros na porta da geladeira, pro jogo americano em cima da mesa, pro banho antes do jornal nacional, abanam a cabeça e dizem: "tsc, tsc, tsc... essa guria é uma figura!". e a figura continua ranzinza, continua revoltada, continua controlando a densidade e a temperatura pra que nenhum fenômeno apocalíptico resolva acontecer. a figura, esse avatarzinho de uns poucos pixels, essa figura chora abraçada no travesseiro. e grita dentro das malhas grossas do cobertor, pra que ninguém ouça. se alguém pagasse caro pra ver, se alguém levasse a caixa sem abrir antes, se levasse a caixa porque gostou assim mesmo, do ranzinza, da revolta, teria a grata surpresa de que eu sou muito mais insuportável de se conviver que todo mundo pensa. se as pessoas fogem de mim quando me enxergam assim, toda preta, com a palhaça exceção do óculos vermelho, imagina o que não fariam quando abrissem a caixa. mas elas não abrem.

e se abrissem, iam ter uma prova do quanto é horrível conviver comigo. eu sou mandona, eu flexiono os verbos no imperativo. eu sou uma insistente, jamais uma desistente. eu sou um plug, não uma tomada. eu sou inflexível com meus princípios, e vou vou até o final com eles. eu sou romântica, eu quero que sejas duro e rígido com teus princípios também. não como alguém num cavalo branco. sou romântica de esperar o princípio rígido e inflexível. porque eu sou dura. e quando não consigo fazer alguma coisa, eu grito. eu xingo. se bato o dedão no pé da mesa, eu grito com a mesa. se alguém me diz um desaforo... pode ser meu chefe. eu faço o download duma pomba gira e mando ver. é machista, é sexista, é misógino? monto e só desmonto quando o bicho estiver no chão, amarrado. me algemem os que me querem calminha. eu uso calcinha, mas ela não é azul bebê e nem tem florzinha. só que eu sou capaz de dar um rim por uma causa. por um bicho. por um amor. se alguém estiver se preparando agora, colocando pijama, pra dormir com um barulho desses, eu tenho certeza de que vai aprender, por bem ou por mal, o que significa até-o-fim-do-mundo.

apaga a luz aí.

[ Penkala ] 02:27 ] 2 comentários

 
eu uso óculos




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