] terça-feira, novembro 10, 2009
 
coisas imateriais podem fazer sentido pra muita gente. pra mim, não. eu acredito em carne, em osso, em madeira. eu acredito na ciência. eu acredito em gente. coisas imateriais, só se forem não urgentes. a urgência é sempre muito física, e se sente na carne. por isso eu me confundo toda quando de repente uma coisa completamente sem lógica, totalmente imaterial e sem absolutamente nenhum sentido cai em cima da minha cabeça de um jeito que eu nem sei explicar. o que eu não sei explicar fica fora da minha alçada. eu acredito na ciência e não há nenhuma ciência quando a gente sente uma coisa completamente sem sentido tendo por objeto algo totalmente inusitado. não tem querer. não tem querer que não. coisas imateriais são irredutíveis. elas simplesmente desabam na nossa cabeça.

e mudam tudo. por mais provisórias que possam ser. por mais inusitadas. mudam tudo. e nos deixam num estado lamentável de total sujeição. um estado ridículo de arrebatamento. um estado frágil de entrega. quem sou eu pra lutar contra isso? eu luto contra fenômenos da natureza. físicos. palpáveis. coisas imateriais me amedrontam. e eu escolho não enfrentar. porque vou sempre perder no final. em algum lugar sobrevive uma razoável porção de ciência, de tenência, que tenta me impedir de ser teleguiada. em algum lugar a razão me dizendo que tudo isso é tão absurdo que eu deveria estar no comando e dominar esse espectro. mas mesmo esse minúsculo nervo inquieto de razoável bom senso funciona dentro das regras dessa coisa que obriga, que desarruma, e que se espalha.

eu tento compreender e meus anos de academia, anos de fuga pra biblioteca, anos de apreço doentio pelo conhecimento são completamente inúteis. por que eu passei anos da minha vida cultivando esse meu cérebro pra que, aos 31, eu acabasse tomando com esta bigorna bem no centro da minha controlada e material razão? eu li muitas teorias, mas nenhuma com essas premissas. é sério. não é uma questão retórica. eu não sei como isso aconteceu, o que está acontecendo, o que vai acontecer comigo. que palhaçada é essa? não pode ser real isso! é muito injusto. é muito cruel que eu tenha que decidir, que eu tenha que pensar, que eu tenha que dormir abraçada nesse monstro. porque é difícil viver num mundo sem saber se um passo pode dar em abismo, pode explodir uma mina, pode provocar um apagão no mundo. sem saber se o salto ornamental na piscina vai dar em um buraco forrado de azulejos ou em um abraço d´água. morna. como é que eu vou saber se não me atirar deste trampolim? mas como vou sobreviver ao frio e duro chão azul?

é difícil viver num mundo e tentar defender uma tese que eu ainda não compreendi sobre uma coisa que eu mal conheço usando uma teoria completamente nova pra mim e tendo por objetivo algo que eu não sei se quero ou se deveria era ficar no papel apenas. e quem é a banca pra quem eu devo defender essa tese absurda, o acionista pra quem eu devo vender minha grande e inusitada idéia? a bigorna que caiu em cima da minha cabeça. a imaterial, impalpável, invisível e adorável bigorna. pesada e impossível de ser ignorada.

[ Penkala ] 18:17 ] 1 comentários

 
eu uso óculos




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