] segunda-feira, novembro 02, 2009
 
eu perdi a noção. eu digo muito, e eu forço os limites, e às vezes algumas coisas que eu não queria dizer assim tão claramente saem em forma de alguma brincadeira. mas eu não disse tudo.
eu finjo que estou perdida, eu faço piada sobre a situação. e eu faço de conta que estou rindo junto sobre esta vida de merda. mas eu sei bem o que estou sentindo, e na verdade não tem graça nenhuma. eu estou rindo, mas eu tenho essa ridícula idéia de dizer que a vida não precisa ser isso. pra ti. se estou perdida, é só por não poder olhar nos olhos e transformar as piadas na coisa mais séria do mundo. se estou perdida é porque ainda não realizei o que aparece na minha cabeça em imagens. é porque tenho medo de nunca realizar, de o verbo permanecer construindo essas idéias e nelas eu fique presa por muito tempo. se estou perdida, é porque estou em dúvida. e se estou em dúvida, é porque a realidade foge de mim.
eu tento ignorar e me convencer de que estou imaginando coisas. eu sei que não posso dormir em cima duma devastação dessas. eu tento de verdade fazer como se isso fosse nada. e talvez seja. mas quanto mais longe, mais perto. quanto mais impossível, maior. e enquanto for imaginário, eterno.
o pior é ter todas essas coisas crescendo por dentro e não poder compartilhar. é essa coisa leve e ao mesmo tempo pesada que não tenho ajuda pra carregar. o pior é não poder dizer, não poder ser ridícula, não poder entregar aquilo tudo que eu tenho aqui. não me serve. nada disso me serve aqui trancado. preciso te dizer. preciso de verdade. mas quando eu brinco, quando faço piada, quando ando bem em cima do limite, recuo com medo, me vejo jogando sujo, me sinto tão má. mas é porque ainda não mostrei o que tenho aqui, essa coisa que eu achei que passaria, pra veres se é isso mesmo ou eu estou enganada. eu queria estar enganada. ou queria perceber que era impressão minha. mas estou com medo de confirmar, estou com medo de ver que sim, é irremediável. não de parecer ridícula, mas de ser ridícula sozinha. não de mostrar isso tudo, mas de destruir o que não deveria. estou com medo de que isso se torne tão onipresente e onipotente dentro de mim que eu passe por cima de toda lógica, de todo bom senso, de todo esse contrato tácito onde nos permitimos brincar no limite mas que fica apenas na distância. porque enquanto não for posto à prova no real, a brincadeira acaba e amanhã é outro dia, mas pra mim segue sendo sempre o mesmo dia. o dia em que caí sem querer e não consegui mais me levantar.

seria bom se eu não tivesse tropeçado na linha fininha que separa a piada do perigo real e imediato. é a única coisa da qual não consigo me defender. e talvez eu nem quisesse.

[ Penkala ] 07:13 ] 0 comentários

 
eu uso óculos




CLICA QUE VAI:
www.flickr.com
Penkala's eu, casa & coisas photoset Penkala's eu, casa & coisas photoset

BLACK BIRD SINGING:

Get Firefox!








Powered by Blogger


RSS