] quarta-feira, novembro 11, 2009
 
"preto. dos pés à cabeça", ela disse. "com exceção disso aqui", disse olhando por cima dos aros, "isso aqui que não é preto, porque ninguém é perfeito". e uma expressão ambígua foi a resposta, que deixou a moça sem saber qual o nível de contentamento tinha conseguido gerar com aquele comentário. "preto dos pés à cabeça", enfatizou. "e sempre." disse isso e colocou uma das últimas pitangas na boca, da bacia já manchada, pelos dedos já vermelhos. "ainda bem, porque assim posso comer isso aqui sem sujar minhas roupas." esperava mais daquela expressão que ele fez como resposta. mas a reação foi medo. foi pra casa, gosto de fruta bem fresca ainda na boca. pensando naquela interjeição. pensando no "hummmmmmmm" que provavelmente só conseguiria arrancar desta vez. pensando que podia derramar aquelas pitangas sobre dois litros de wodka e açúcar e oferecer o veneno. e os aros da cor da fruta. "ainda bem que eu não estava bêbado", ela lembrou do que ele disse. ela fingiu inocência: "ainda bem que alguém tem juízo aqui". ele foi evasivo como alguém que calcula o quão ajuizado ainda precisaria ser pra ter juízo.

fez. o veneno. esperou por um bom tempo a wodka e o açúcar arrancarem da fruta toda a imoralidade e espalhar por aquele spiritu.

esticou o braço. o veneno em copos gelados, os dedos melados do licor. "tó. eu que fiz. curti por muito tempo. é de pitanga. colhi sozinha." e esperou mais um pouco.

"dos pés à cabeça", ela disse de novo, aproveitando a falta de tenência. "com exceção disso aqui", olhou por cima dos aros. da cor da pitanga. "nada. dos pés à cabeça. com exceção disso aqui."

porque ninguém é perfeito.

[ Penkala ] 17:08 ] 0 comentários

 
eu uso óculos




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