] terça-feira, dezembro 01, 2009
 
good bye, once the best friend o'mine

quando o peito dói, quando o choro vem com força sem ter como trancar, quando de fato o coração sofre uma das piores dores do mundo, e tu não pode fazer nada... isso é uma lição da vida. ela corre apesar do que a gente queira ou faça. e tem coisas horríveis que acontecem mesmo pro bem. quando tu vê alguém indo embora pra sempre, ainda que tu volte a enxergar essa pessoa numa ou noutra vez, tu vasculha a tua memória inevitavelmente procurando boas lembranças pra ver exatamente o que estás vendo ir. dói de ter que se agachar no chão. de verdade. mas quando tu vasculha e vasculha e vasculha e a quantidade de coisas é tão grande que não tem como tu ter idéia do que tá indo embora. é como morrer em vida.

meu melhor amigo morreu. se matou, na verdade. e com ele agora estão putrefando todas as minhas memórias, desde que me lembro de ser gente. é triste ver memórias sendo contaminadas, porque tu não pode jogar elas fora, mas não pode colocar elas em funcionamento nunca mais. não sem uma dor. meu melhor amigo morreu e com ele morreram 15 anos da minha vida. ficou doendo meses até finalmente eu ver o enterro e comprovar, com meus próprios olhos, que aquilo tava mesmo acontecendo. o choque não é por ele ter decidido nunca mais ser meu amigo pouco antes de se matar. o choque é porque simplesmente aquela pessoa está dentro de mim e inevitavelmente vai ficar pro resto da minha vida. nenhuma lembrança minha vai estar sem o cheiro dessa pessoa.

a amizade, né? podia ter ficado, companheiro. a amizade. os transmimentos de pensação. o sinal do "putaquepariu do caralho voador". nunca mais. nunca mais. mas meu amigo se matou. não precisava ter feito isso. e foi violenta a morte dele. e violenta a minha dor. de se agachar. por que uma pessoa escolhe se matar? por medo, por covardia, por falta de vergonha na cara, por falta de capacidade de fazer as coisas direito? não sei. só sei que era meu melhor amigo no mundo, a pessoa mais legal da face da terra, o companheiro, a confiança, o melhor amigo no mundo todo mesmo. se matou mas não me avisou. enquanto o corpo perecia, eu ainda tinha esperança. não seria a mesma coisa, mas eu tinha esperança de ter o corpo. não tendo o corpo, queria só a amizade. por que matar as coisas mais bonitas que tu já fez nesta vida imunda e sem saída? por que matar as coisas mais bonitas que eu já fiz na minha vida?

era um bom amigo. tinha tudo pra ser uma pessoa legal. e se matou. eu não precisava nunca mais tocar com a minha boca a tatuagem horrenda de tribal já azulada. mas queria não ter perdido a possibilidade de opinar sobre a nova tatuagem. mas meu amigo se matou. e me matou. mas já passou, porque ontem enterrei ele, e com ele um pedaço do coração. tanta dor que preciso me agachar. não precisava ter sido assim, mas a vida não é justa.

mas vai passar. meu coração tem planos pra mim, embora tenha decidido se regenerar à revelia do que pedi pra ele. meu coração insiste. ele é sem noção. ele não entende as coisas. ele não obedece o que eu mando ele fazer. ou não fazer. meu coração é mesmo um idiota, e me deixa idiota junto. tão idiota que às vezes eu queria pegar um copo, metade wodka, metade tequila, e engolir aquilo tudo duma vez. não pra anestesiar, mas pra me fazer ter coragem de fazer o que a vida pede pra mim. a vida não é justa. eu não sou só cérebro. and I would like very much to meet a kindred.

good bye, once the best friend of mine. eu espero, de verdade, que tu sejas muito feliz. porque foi o que eu sempre quis, desde que me conheço por gente. nessa outra vida. seja feliz e não tenha medo de provar pro teu próprio coração que tu não é um merda. eu achei aquelas flores sem propósito, desnecessárias no meio da água oriental. mas agora eu, pela primeira vez em 14 anos, quero de verdade que tu seja feliz com aquilo que tu escolheu. e eu tou bem. e não, não tomo a tequila que ficou pra esquecer a dor. tequila se toma pra criar coragem pra vida. e quando tu foi, deixando a garrafa lá, tu me fez um bem, na verdade. usei tequila uma vez pra anestesiar a garganta e poder tomar água, depois de três dias de sede, lembra? não quero mais anestesia. porque o pior já passou. eu só preciso me encher de coragem de novo, mesmo que vá quebrar minha cara.

[ Penkala ] 17:27 ] 1 comentários

 
eu uso óculos




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