] quinta-feira, fevereiro 04, 2010
 
keep walking, johnny

eu sou uma batata. um tubérculo tipo uma batata. uma enorme raiz. e seja qual for a terra, me agarro nela com a força que sai desses tentáculos vegetais. eu me adapto, mas demoro. eu me mudo, mas demoro. lá vou eu, um punhado da terra onde eu estava mergulhada, um punhado dentro da mão fechada. se isso não é medo de ser feliz, eu não sei o que é.

na verdade, sei. é medo de ser infeliz. é medo de dar errado. fracasso não é uma coisa com a qual eu lide bem. mas, faz nem um ano, sou alguém com a sola gasta de um sapato feito pra durar. e eu tenho andado tanto, e me curvado tanto com as mãos apoiadas nos joelhos e as costas arfantes! venho quase desistindo, porque não aguento mais!

mas hoje eu convenci a mim mesma que, doa onde doer, falta pouco e estes sapatinhos precisam andar um pouco mais. primeiro eu coloquei minhas duas malas num banco e abri as duas. numa eu coloquei umas coisas que estavam pesando e já não faziam mais sentido. na outra, coloquei as coisas que eu realmente quero levar, ainda, apesar dos meus pobres pés estarem doendo. e tem essas convicções, e tem o caráter, e tem princípios, moral, essas coisas. e tem meus sonhos. e tem dois objetivos pra este ano. dois objetivos pro resto da vida. esses dois eu peguei, e tavam meio amassados, porque em alguns momentos eu meio que revirei minhas malas e eles foram ficando lá pro fundo. ou eu escondi no fundo falso, porque não podia revelar... mas abri, sacudi, levantei acima da altura dos olhos, fiquei uns minutos olhando e pensando. dobrei com cuidado e coloquei na mala mais nova e mais forte. essa que eu tou levando.

vou continuar andando, apesar dos sapatos estarem bem detonados. e nessa mala eu vou levando tudo o que eu não vou largar. a outra ficou no banco. não posso mais carregar. porque eu preciso ir andando, e meio com pressa porque tem deadlines e tal. sem pressa, às vezes, porque tem caminhos que a gente conquista devagar, passo a passo, sem muita briga, mas com muita vontade. só espero que o caminho seja gentil comigo ou que, quando não for, eu tenha na mala a ferramenta certa pra me virar. tudo isso parece muito cafona, provavelmente. mas sério. tem horas que a gente fica cafona pra caramba. e azar, na real. não tenho medo de soar brega, nem como uma heroína de novela mexicana. se a gente não mergulha, se não se atira, se não cai de boca, não corre o risco de engolir água suja, nem de dar de cabeça no chão, nem de engolir uma enorme porção de doce ruim. mas viver fugindo das coisas ruins é viver fugindo das boas também. azar que seja cafona, então. bora se atirar!

[ Penkala ] 02:27 ] 1 comentários

 
eu uso óculos




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