] quinta-feira, fevereiro 04, 2010
 
palavras, elas machucam muito mais que faca. por mais afiada, a faca. palavras são muito mais rápidas que um tiro. por mais que o cowboy seja expert. palavras são canhões antiaéreos, e derrubam. nas guerras, ninguém ousa esperar silêncio. na mesa do bar, também. o som da voz é uma expressão de raiva, dor, de impotência. mas palavras... palavras são munição pesada. armas brancas afiadas. pólvora nas mãos erradas.

algumas palavras são segredos. palavrões devem ser ditos, mas certas palavras, não. palavrões são abstratos, são até mesmo infantis. mas certas palavras se alimentam das carnes e dos medos. e é porque elas se alimentam tão bem que são pra sempre. elas formam frases, elas marcham forte, elas atingem, e elas fazem estrago. e suas infantarias ofensivas chegam sempre de assalto e continuam retumbando. as palavras, as frases formadas por elas, aquilo que elas dizem... podem ser pelotões de infantaria munidos de arco e flecha envenenados. atingem, machucam, e liberam no sangue sua toxidade fatal.

poucas coisas podem ser mais cruéis que certas coisas ditas. nas brigas, nos confrontos, no duelo justo, a defesa é possível. a ponta da lança pode errar destinos. as lanças que não erram, podem ser retiradas. os ferimentos que ficam, cicatrizam. mas as palavras e suas frases infantes, cheias de escudos de medo e violência, não erram. atingem sempre em cheio, nunca podem ser retiradas e seus ferimentos permanecem abertos, ainda que a pele trate de recobrir boa parte do rasgo.

quanto mais medo, quanto mais raiva e energia, quanto mais há pelo que se lutar, mais barulhenta é uma briga. mas as palavras podem ser fatais no meio do silêncio. podem dilacerar sem produzir nenhum som. podem ferir pra sempre sem que se note o drama. escritas, pronunciadas sem relevo, no gesto, no lábio mudo mas ágil... das palavras eu tenho medo. contra todo o resto, eu sei me defender. no meio de todo o resto, eu saio ilesa, se quiser. o barulho eu esqueço. o confronto é apagado facilmente. mas certas palavras, depois de disparadas, nunca mais deixam o mundo como era de novo.

[ Penkala ] 21:13 ] 0 comentários

 
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