] domingo, fevereiro 14, 2010
 
tu tá tão cansado. trabalhou o dia todo, o dia começou cedo, acabou tarde. as pernas doendo, o corpo tenso, com fome e com calor. o que tu mais deseja no mundo é colocar os pés em casa, tomar um banho, comer uma porcaria qualquer. aí tu chega na esquina e vem vindo o teu ônibus. num espaço de milésimos de segundo tu olha a distância entre o ônibus e a parada e pensa: eu vou conseguir!

o motivo pelo qual tu faz uma merda dessas, estando com as pernas em frangalhos, um calor do inferno e todo dolorido não é outro que não o fato de que o próximo ônibus só vem em meia hora. talvez menos, mas tu não queres esperar.

no caminho a merda da sinaleira fecha pra ti e tu tem que ver os carros todos passando antes de conseguir tentar suicídio entre um e outro que venha mais devagar. no meio do caminho tem uma gurizada de colégio que ocupa toda a calçada e tu precisa desviar. no meio do caminho uma obra que te faz desviar pelo meio da rua... obras de Murphy, sabe?

tu deseja ter saído do trabalho um minuto antes. deseja ter saído um minuto depois, pra não ver o ônibus chegar e tu perder por tão pouco. mas tu te convence e corre. corre como nunca. corre que nem um queniano. não tem ninguém na parada e tu corre ainda mais. teu corpo nem responde mais, e o ônibus não dá nenhum sinal de parar.

apesar de ter te visto correr, o filho da puta do motorista!

então tu vê que não vai conseguir e desiste, e vê o ônibus parando. só que entre teu corpo desistir, teus olhos verem ele parando e teu corpo voltar a correr existe um lapso de tempo que te impede de te movimentar, mas que não impede o ônibus de retomar a marcha e voltar a andar. quando tu vê tu correu mais um tanto, quase perdeu todas as forças, e o motorista, que acha que não é palhaço - porque acha que tu parar porque pensa que não vai conseguir é porque tu é um palhaço e tá tirando com a cara dele -, segue o rumo dele e te deixa lá, cara de estúpido, 5 metros da parada, com as mãos nos joelhos e o pulmão na garganta.

é assim que tou me sentindo. a palhaça. não aguento mais, mas corro. e o ônibus parece que nunca vai parar. mas eu só continuo correndo porque talvez o motorista tenha me visto e ache que deva parar pra que eu finalmente vá pra casa...

[ Penkala ] 00:00 ] 0 comentários

 
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