] domingo, abril 18, 2010
 
o paradigma do paradoxo da coragem

eu não acredito que cada um nasça com um destino que nem um formulário e só vá preenchendo durante a vida. até porque acredito em evolução espiritual e isso depende de SUPERAR coisas. eu acredito, sim, em duas coisas: as pessoas são colocadas sempre diante de situações que sirvam pra se aprender; as pessoas têm livre arbítrio.

o Universo é complexo demais pra nós, cientistas, darmos conta de tudo e termos certeza do que não existe. nós devemos é ter mais dúvidas que todo mundo. e com certeza, mais hipóteses. pra mim, existe uma conspiração que nos coloca diante de nossos medos, dos desafios certos, no meio das pessoas certas. algumas coisas inexplicáveis acontecem e ninguém nunca deu conta de explicar. eu sou uma cética, mas acredito nisso.

de um jeito ou de outro, a vida nos coloca diante de situações críticas. e já notou que elas se repetem de formas bizarras? parece que elas sempre correspondem aos nossos maiores medos. a vida é uma professora que sabe onde os alunos vão mal. pro cris, que nunca soube acentuação, vai cair uma prova de crase. pro gui, que é ruim em ditado, a prova é pra soletrar proparoxítonas. pra joaninha, que rezava pra não cair tabuada, a professora faz a prova da do 7. é da natureza dos homens lutar. e se os alunos não lutarem, a profa. não vai dar arrego. mesmo. se a tabuada do 7 ficar errada, pode crê que logo alí aparece outra. do 9, ou do 4. ou do 7 de novo.

então é bom aprender. entre um grande teste e outro, a profa. dá uma revisada nos conteúdos críticos. aí tu faz a prova e passa ou desiste ou faz e roda. se passar, outros problemas aparecem, mas sempre menores. quem não sabe disso é porque nunca fez recuperação de matemática na 7a. série com a minha professora! cara, depois daquilo, até recuperação de química era menos foda. se tu desiste, o problema vem pior depois. ou ele não vem de novo, e tu passa a vida inteira lamentando porque ter sabido resolver a tabuada dos 7 era justamente o que te faria feliz. ou tu roda, e aí de novo a coisa aparece. o bom é que cada vez que o problema aparece, tu tá mais experiente e menos bundamole (porque... ai, a gente é sempre bundamole quando é jovem). o ruim é que cada vez que ele tem que aparecer de novo porque tu rodou ou desistiu, ele aparece pior, da pior forma possível, no pior momento possível ou todas as alternativas anteriores. é bom não esperar pra aparecer o problema lá da acentuação justo quando teu emprego dos sonhos depende disso. ou quando tua vida ou de outros que tu ama depende disso. (é. a professora é foda!)

e, olha, não tou falando de problemas exatamente externos. tem problemas que existem só na cabeça da gente. dislexia, tipo assim. tem que fazer esforço pra superar. medo de avião, tipo assim. medo de ter filhos, medo de cachorro, medo de enfrentar as pessoas, medo de deixar de ser um bosta, medo de qualquer coisa assim. se tu tem medo de cachorro, tu te apaixona justamente por uma criadora de cachorros. aí chamam isso de ironia do destino. sim. é a piadinha que o destino faz. mas é aquela piadinha assim, ó: "professora, a senhora não vai fazer prova de educação física justo hoje que eu vim de jeans, né? deixa eu pelo menos fazer prova teórica". aí a profa.: "oh, pobrezinho! das duas, uma. ou tu corre de jeans mesmo, ou tu faz prova teórica. só que a prova teórica são 170 questões dissertativas. ok?". não, meo, essas profas. são foda mesmo. fica reclamando da ironia do destino que o destino vai lá e ainda faz uma ironia em alemão. pra te quebrar as pernas. pior: em catalão. ou pior ainda: em tcheco.

se tu fores esperto o suficiente, ou se tu estiveres numa boa, aí tu toma coragem e vai lá fazer o que tem que ser feito. se não, a vida normalmente te condiciona. não fez a tabuada toda, perde a bola de basquete. fez só metade do ditado? um amigo teu nunca mais fala contigo. se nega a responder as questões de filosofia? uma pessoa que tu gostava muito se transforma em poeira. acontece. é a vida. e se tu bobeia, às vezes a professora marca a prova de segunda chamada pra ti sem galho. tu acha que te safou e tem mais tempo pra estudar. aí ela só faz se for no segundo período de sexta. no segundo período de sexta tem prova de outra coisa. tu tem 3 escolhas. e escolher, normalmente, é uma das provas da professora irônica essa, porque tu tá assumindo riscos. mas então, 3 escolhas: ou tu faz as duas, dividindo o tempo pra cada uma - e aí tu tem que estudar pra duas provas ao mesmo tempo, e ainda fazer as duas na metade do tempo; ou tu desiste de uma e prioriza aquela que tu mais gosta e já sabe como resolver - e aí tu fica sabendo que mais tarde isso vai te trazer problemas; ou tu desiste das duas, roda de ano e vai parar na turma do psicopatinha do colégio. acredita em mim, isso acontece.

o que isso tem a ver com paradigma, com paradoxo e com coragem, né? tudo. tem tudo a ver. só quem tem medo pode ter coragem, diz o paradoxo. "como assim, se coragem é não ter medo?!"

não. coragem é enfrentar o medo. medo só não tem quem não vive. quanto mais coragem o sujeito teve, mais medo ele teve que enfrentar.

claro, né?, que a gente sofre. quem não sofre quando enfrenta os medos? quem não quer sumir? porque... assim... eu tou falando de mim. eu sou a cagalhona mais cheia de medos do mundo. eu morro de medo de várias coisas. não é fácil enfrentar. e não enfrentar não quer dizer que tu é covarde. mas vá que a tabuada volte? te puxe por um pé de madrugada?

então a professora te coloca um problema na frente e não estavas preparado? como isso? bom. saiba que da próxima vai ser pior. ou vai ser no pior momento. ou vais ter mais a perder. meo, respira e resolve o problema. tenta, né?

bom, mas e o que aquele esquema de conspiração do Universo tem a ver com o pó? ocorre que as decisões que tomamos na vida são todas do nosso livre arbítrio. mas se a gente está destinado a uma coisa, o Universo conspira pra que as escolhas certas apareçam na tua frente. na vida, normalmente, sempre vai ter 3 escolhas. ou tu escolhe uma e fica sem a outra e calaboca e fica quieto, ou tu escolhe a outra e vice-versa, ou tu escolhe as duas, mas já sabe que a trabalheira é dobrada. e, claro, só se der pra escolher as duas coisas. normalmente dá, porque a vida quer mais é te ver suando. mas o negócio é, senão fazer as escolhas certas, pelo menos estar certo das escolhas que faz. "mãe, posso ser um ditador, hein, mãe?!" "poooode, filho, claro que pode. mas é ruim, né? e a mamãe vai ser chamada de vaca pro resto da vida. e tu vai ter um bigode feio, né? e, bom... vai ter que dormir sabendo que matou muita gente... mas pode, claro. se tu quiser e conseguir, tudo pode!".

tipo... minha mãe. eu perguntei uma vez "mãe, deixam a gente ter mais que uma profissão?". (deixam. quem "deixam"? não sei. quem mandasse na vida e tal. eu era criança, ok?) "ué, pode!"

porque é que a minha mãe não me avisou das consequências eu não sei, mas provavelmente porque ela sabia que eu era cagona e se ela dissesse que eu ia ter uma trabalheira danada, eu iria desistir. então ela se fez de louca e disse que podia. resultado? aqui tou eu, doutorando em comunicação-cinema; editora gráfica; querendo fazer veterinária; muito querendo publicar meus livros de contos; super numas de fazer uns cursos pra ser perita da polícia e fazendo boxe amador porque eu tenho medo de apanhar de verdade. vê? a mãe é doida, né?

comé que fica isso tudo? bom... resumindo. o destino te coloca umas coisas na vida, o universo conspira, tu tem que resolver as coisas, o universo conspira. se tu fode tudo, o universo te larga de mão e não te dá outra chance em anos. e quanto maior a tua coragem, maior o medo por trás dela.

simples, né?

ok, mas aí tu pensa que isso tudo não é jogado com pecinhas, é com pessoinhas. e as pessoinhas têm manias, medinhos menores, têm crenças e toda essa batelada de coisas. e elas sofrem, né? porque dói, claro. normal. as pessoas são humanas, ora bolitas! não pode julgar, né? cada um sabe onde dói. mas a verdade é que dói em todo mundo. só o que normalmente acontece é que quando tu tá lá, lutando pra enfrentar teus maiores medos, ou decidido a enfrentar e pronto já enfrentei posso ir pro recreio professora?!, tem sempre alguém, de quem a gente depende, que precisa estar nas pilhas também. porque não, a vida não é uma professora mal comida que fode com a tua vida e pronto. ela é aquela professora que chega na sala de aula com um sorriso de orelha a orelha e pensa: se eu consegui, vocês também conseguem.

e olha... ela tem razão.

[ Penkala ] 22:17 ] 3 comentários

 
eu uso óculos




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