] domingo, dezembro 05, 2010
 
última quimera

parte mulher, parte dragão, parte leão. parece um castigo de algum deus do olimpo. a formidável mística de uma quimera. a inatingível profundeza desse monstro. o pedestal alto demais. a quimera, essa criatura especial, intocável, mágica, atemporal e incorpórea. que assusta pela sua grandeza, que causa choque com seu olhar, que afasta os mortais, que vivenciam o abalo dos sentimentos. aos poetas, as quimeras escondidas pelo véu de musa. aos poetas, que morrem cuspindo sangue, o rosto inabalável dessa mulher especial. que precisa ser adorada, que merece ser muito amada, mas que torna em pedra todo homem que ousa olhar nos olhos.

que pégaso adorável ela não montaria, indo, distante, na direção contrária de qualquer coração. que dragão furioso não levaria pro céu suas pernas de leão. que fênix tão colorida não pousaria em seu ombro, ao mínimo chamado. cabeça de cabra. cabeça e cornos de cabra. a monstruosidade petrificada na fachada de um prédio clássico. olha, com os olhos lá do alto, a entrada de qualquer mortal pelos portões.

espero que morra, essa quimera. que esse castigo seja revogado em assembléia. que apenas um ser humano fique, mortal, crivado de defeitos, frágil. um ser humano que sim, tem coração de leão, mas tem medo. que embora seja dragão e solte pelas ventas o fogo que sua natureza de dragão fez, também chora lágrimas de água salgada. que embora arda no fogo muitas vezes, e em geral de combustões rápidas e luminosíssimas, não quer o corpo carbonizado resultado de sua paixão. como o poeta, em seu pessimismo tuberculoso, quero que enterrem essa última quimera. e que no lugar dela reste um ser humano imperfeito, atingível, falho. que não transforme em pedra o homem que ousa aproximar dos seus portões.

[ Penkala ] 14:49 ] 0 comentários

 
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