eu tenho essa impressão de que o mundo diz algumas coisas pra gente e que nem sempre a gente entende. há tanto tempo uma voz me diz pra eu ir embora pra sempre. há tanto tempo essa voz fica dizendo: aproveita e vaza e nunca mais volta. e eu tenho medo. eu acho que tenho medo porque eu preciso ter onde me segurar, mas eu tenho mais medo porque eu sinto que assim, mesmo, é que eu ia ver que ninguém ia sentir minha falta. não os meus pais e amigos. mas ninguém mais. e talvez por isso eu ainda fique aqui. o que é ridículo, porque pra que diabos eu vou ficar num lugar onde não faço diferença?
e há tanto tempo a vida vem me dando sinais de que eu devo mesmo pegar minhas coisinhas e vazar. porque ser a única que fica, ser a que vê os outros sempre dando as costas, ser aquela que espera... isso é uma merda. vai embora, ana paula, feito quem foi sem nem olhar pra trás e nem voltar pra pegar seus pertences... vai embora feito quem nunca nem veio dizer que não ia ficar. vai embora feito quem não teve coragem de não entrar na tua vida sabendo que ia pra nunca mais voltar. vai embora, feito quem sempre ia embora só pra te humilhar depois. vai. vai embora como os que te deixaram falando sozinha. como os que fizeram silêncio quando tu falou. vai embora feito quem disse que já voltava e nunca mais deu sinal. feito quem teve medo, pediu um tempo, e nunca mais respondeu. vai embora feito quem te enrosca num véu, te faz sentir feliz, e depois simplesmente desaparece. vai embora e não dá mais o ar da graça. vai embora sem nem dizer que vai. pega essa porra desse coração que não serve mais pra merda nenhuma e vai embora. porque quem sabe em outro lugar, ausência seja outro conceito.
[ Penkala ] 23:09 ] 0 comentários
um tanque entupido
Freud sempre vai explicar o motivo pelo qual, na casa dos teus pais, tu sempre dorme melhor e mais tranquilo. tu saiu de lá faz tempo, tu não gosta de como as coisas funcionam lá, tu não quer voltar a morar lá e nem quer deixar de ter a tua vida independente. mas alguma coisa faz com que tu durma decentemente na casa dos teus pais enquanto na tua própria tu não consegue ter uma noite de sono boa.
Freud diria que é porque tu sente conforto e proteção na casa dos teus pais. (a não ser que teus pais ou qualquer um deles que morasse lá fosse tão insuportável que tu não conseguisse nem ouvir a voz dele/s. o que não é meu caso). é porque lá tu não é o rei que precisa tomar decisões, é porque lá tu não tem que dar conta de tudo, é porque lá tu volta, virtualmente e de forma simbólica, a ser filha de novo.
mas tu pode fazer de algum outro lugar o teu lar. e a não ser pelo detalhe de que tu vai ter que dar conta de tudo, ser responsável pelas trancas e pelo gás e tudo o mais, tu pode, sim, transformar alguma outra casa em lar. seja morando sozinha, seja com marido, seja com marido e filhos. e eu sei que eu posso porque já fui feliz - um pouquinho - assim. morando de aluguel, o que era chato. e num apê que tinha lá seus problemas, o que me incomodava. mas eu fui feliz. um pouquinho.
só que aqui, onde eu achava que era infeliz porque EU tornava a casa o lugar de despejo das minhas frustrações e tristezas, eu sou infeliz porque não há jeito de uma pessoa ser feliz aqui.
desde o primeiro dia em que este apartamento foi escolhido, o passo foi infeliz. e como que um castigo por ter tomado a decisão de escolher ele sozinha, eu tive que cuidar de tudo sozinha também. este apartamento foi escolhido no meio de uma recuperação bem ruim de uma cirurgia chata. no meio do stress de um final de mestrado. no meio de uma crise no casamento. no meio de uma frustração pessoal que me deu um tombo apesar de parecer que tava tudo bem. o financiamento ocorreu no meio de uma negociação que envolveu uma corretora mau-caráter cretina e duas velhas filhas da puta e completamente loucas que só faltaram me internar, de tanto que me enlouqueceram. tudo nas minhas costas.
a reforma leve, que me dava a idéia de que tudo estava começando a entrar nos eixos, e a mudança, tudo se deu no meio de um encerramento de mestrado. tudo nas minhas costas. desde cuidar pros pedreiros não fazerem merda (eu, que nunca tinha lidado com nada parecido) até limpar a sujeira e o estrago que eles fizeram, passando por encaixotar minha vida toda num apartamento, limpar o apartamento que estava entregando e limpar este depois da "obra"... tudo nas minhas costas. minha vida pessoal desmoronando, minha frustração "profissional" piscando na minha cara, minha dissertação travada, minha saúde indo pelo ralo e no meio disso tudo ainda um encerramento de mestrado e duas seleções de doutorado.
desde que botei os pés neste apartamento, só fui infeliz. infeliz com pequenos momentos de alívio. mas infeliz. infeliz doente, infeliz frustrada, infeliz exausta, infeliz traída, ignorada, tratada feito idiota. e, além de tudo, infeliz obesa e com uma auto-estima (não tinha nem ajuda pra essa auto-estima melhorar, na real) quase inexistente. nas paredes deste apartamento estão todas as frustrações, e todas as solidões que eu passei, mesmo quando não estava sozinha. estão decepções, deslealdades. estão todas as vezes que fiquei doente. estão todas as vezes que chorei sozinha. estão todos os stress e todas as rasteiras que eu recebi do mundo.
nestas paredes estão todas as tentativas de deixar este apartamento legal e por mais que os outros digam que ele até é bem bonitinho, eu só vejo horror aqui dentro. nessas paredes estão eu e um cachorro nos virando pra lidar com a sacanagem alheia. nessas paredes estão as tantas vezes em que não consegui comer ou dormir porque já não tinha força pra viver. estão gravadas todas as vezes em que tentei acabar com tudo logo de uma vez. e todas as vezes em que andei de um lado pro outro por mais de 2 horas sem parar, chorando. estão eu ter enlouquecido. estão eu voltar sempre sozinha. estão eu sentir humilhação, estão eu ter que mandar meu cachorro embora porque não podia mais cuidar dele. estão eu ter que cuidar de 4 passarinhos quando eu não tinha mais condições nem de ouvir um som sequer. aqui estão todas as vezes em que fui tratada feito lixo, e todas as vezes em que achei que ia ser feliz e tomei logo em seguida uma resteira absurda.
minha irmã disse pelo menos umas duas vezes, quando conheceu este apartamento, que não se sentia bem aqui. eu juro que tentei ignorar e até dizer que ela tava fantasiando. mas EU também nunca me senti bem aqui.
é incrível como uma casa pode ser um lar ou pode ser uma prisão. uma solitária escura de onde tu não consegue sair, no princípio, porque tá trancado. depois, porque tu enlouqueceu. nada dentro deste apartamento funcionou e jamais vai funcionar. se eu acreditasse nessas coisas, eu diria que este lugar foi construído sobre um cemitério indígena, enterraram uma cabeça de cavalo debaixo desse chão, emparedaram um homem nesses tijolos e o cimento que reveste as paredes foi misturado ao sangue de 2 milhões de crianças inocentes. e que várias velhas morreram aqui, agonizando.
eu me sinto melhor em qualquer lugar. aqui, eu não durmo direito. e quando durmo, tenho pesadelos. aqui eu vivo provisoriamente. aqui eu moro como se estivesse numa prisão. eu tenho um teto sobre a minha cabeça. mas parece que ele está me esmagando. eu tenho certeza de que infelicidade é uma coisa que as paredes absorvem e concentram. eu nunca mais abri janelas. ou porque elas são um saco de abrir, ou porque estragaram e não tem mais como abrir. está cada vez mais difícil manter dentro disso um lugar onde eu consiga manter alguma sanidade. o tanque que entupiu de forma irreversível é só mais uma metáfora. pra minha vida que simplemente TRAVOU.
[ Penkala ] 17:54 ] 0 comentários
sem mais,
love,
Penny
[ Penkala ] 22:44 ] 0 comentários
tava aqui lendo a Renata e rindo e me identificando, e balançando a cabeça e concordando com o motivo pelo qual leio o tantos clichês há anos e tal e aí me dei conta do que eu escrevo neste blog aqui. se é que alguém ainda tem saco de me ler. como a Renata disse lá, parece, né?, que a minha vida gira em torno de coração partido, desilusões e tal. mas, também como ela, é que o que rende texto pro blog é isso, né?
todo o resto que eu faço renderia textos também porque nos últimos, sei lá, 5 anos, nada dá certo.
e, bom, nos últimos, sei lá, 5 anos, dá certo de alguma forma porque tou aí viva acabando um doutorado inteira e até mais bonitinha e tal. ou menos traste, depende do referencial adotado, né Einstein?
mas parece que eu só vivo pros corações partidos. ou melhor, pro MEU coração partido. além de monotemática, sou egocêntrica. e blá blá blá.
bom, o blog é meu, né? talvez por isso ninguém esteja lendo e eu esteja aqui falando com um mundo branco tipo em THX 1138. mas não. minha vida tá cheia de problemas. ocorre que esses problemas são ou ruins de falar, ou envolvem outras pessoas que não acho que devam aparecer aqui, ou são problemas que resolvo na minha ciência destrambelhada: discutindo metodologia em bar irlandês com um regente de orquestra bebum e um cineasta igualmente bebum. criticando afiadamente os trabalhos dos outros porque a) me importo com eles e acho que são inteligentes e merecem ser criticados pra crescer e b) porque isso me ajuda a pensar no meu trabalho.
mas em se tratando do meu coração partido... bom... não tenho como resolver. não tenho como fazer nada. estar sozinha é uma merda, e ser sozinha é ainda pior. tem dias que o peso disso me faz chorar (como diz a própria Renata: chorar de boca aberta e fazendo sonzinho). tem dias que o peso disso me faz ficar 3 dias dormindo menos de 3 horas por dia. tem dias que isso me faz querer morrer de verdade. e tem dias que eu sinto é muita raiva.
mas o que me faz rir muito no blog da Renata - de quando ela diz: gente, é por isso que não tenho namorado, depois de contar uma história dela com algum menino e de como ela fala e faz coisas que a maioria das pessoas não faria estando com um "pretendente" - é o que me faz pensar, agora, com muita vontade de chorar, que gente, é por isso que eu não tenho um namorado.
não um gente, é por isso que eu não tenho um namorado assim, fofinho que nem os da Renata. um gente, é por isso que eu não tenho um namorado mais hardcore. mais não estou bem com a vida ainda. mais quero que todos morram secos.
é horrível, né? sim, é. porque sim, eu sou insuportável. sim, eu sou difícil. sim, eu sou chata com as coisas que acho que devo ser. parece bonitinho, parece beatnik, né? oh, que bonitinho ela fazendo a poeta maldita! oh, que fofa encenando a mistura da Sylvia Plath com a Blanche Dubois.
não. não é que fofa porra nenhuma. é um inferno, todo mundo sabe disso. é um inferno eu me apaixonar e me entregar e querer uma vida normal como a de todo mundo, indo ao super com o marido, pedindo pro namorado me buscar porque tou molhada com frio com febre e sem guarda-chuva. é um inferno ver as pessoas sendo felizes e eu não conseguindo isso pra mim. é um inferno passar mal e não ter quem cuide de mim e não entender por que diabos eu estou sozinha.
porque, cara, eu não entendo. não acho que eu seja grandes merdas, não. mas tem tanta merdinha de gente besta sendo feliz por aí, por que eu não? porque eu sou idiota e boto pra correr todos os caras sendo idiota? não. porque eu sou eu mesma e ninguém tolera isso? não. porque eu tenho manias bizonhas que assustam as pessoas? não. a não ser que as pessoas sejam tão mimimi a ponto de achar que eu comer melão com pimenta ou pepino em conserva com chocolate seja assustador. aí, ok.
eu não tenho um namorado por que?
comecemos pelos que quiseram e eu não quis. vamos dividir esses em a) pessoas fodas por quem eu não me apaixonei e b) pessoas assustadoras que me metem/meteram tanto medo que não consigo dormir às vezes lembrando de como elas eram/são. péra. arranja um espaço aí pros que queriam e eu sabia que não ia dar certo e nada contra os meninos e tal mas nada a ver.
por que os que eu quis com toda a força do meu coração não me quiseram?
se fosse uma coisa assim... difusa, né? se fosse cada um por um motivo. mas não. todos basicamente não me quiseram com as mesmas características. todos formando uma massa tão imensa e pesada de uma coisa só que isso só me faz pensar: problema sou eu.
ou, pior, o problema está comigo.
a gente não manda no coração. ah, tá. essa eu sei. entendo, de verdade. mas, né? não manda no coração, mas eu sou foda? não manda no coração, mas eu sou especial? não manda no coração, mas eu sou a mulher mais tudo de bom neste mundo? não manda no coração mas gente, tu é a guria mais massa do universo e merece tudo de bom na terra quiçá no universo talvez se descobrirem outro sistema solar quem sabe, né? não manda no coração, mas não consegue não gostar de mim, né? não manda no coração, porra, eu entendo. eu juro que entendo. mas tou de saco cheio, porque ou esta merda é uma puta duma coincidência do caralho, ou os caras usam sempre essa mesma conversinha, ou o problema é comigo, né?
porque eu preciso confiar nas pessoas, preciso conhecer, preciso ver como é no dia-a-dia. preciso ver como se comporta em outra situação que não seja naquela coisa "clima de paquera" (blé!). então isso diminui muito as minhas chances. mas também diminui o número de otários que eu teria que aturar até conhecer alguém legal que, mesmo não dando certo, mesmo rolando a gente não manda no coração, ainda considero gente legal. morro de medo de otários.
não que eu não saiba lidar com eles. eu sei. otários devem ser tratados como otários. e eu não vejo problema nenhum em expressar o que eu penso a respeito de otários. problema é que quando os otários são os caras que te convidaram pra sair, fica complicado ser eu. porque cansa lidar com essa de ver um cara sendo otário e agindo na boa como se nada tivesse acontecendo e nunca mais olhar na cara do otário. até porque se nunca ninguém disser pro animal o que ele faz que faz com que ele seja tamanho idiota, talvez ele continue achando que tá abafando.
me resta é um monte de caras legais que se não fosse ter que me aturar, ficavam comigo. e não tou falando em aturar porque eu seja cheia de manias chatas. sim, eu sou, né? sou mesmo. tu aí que tá lendo isso porque viu meu perfil no twitter e achou que eu sou uma fofura e tá pensando em sair comigo: tu mesmo! tu fica sabendo que eu sou horrível. não, não sou ciumenta. nem dou piti. nem gasto muito. nem sou feminista demais. nem tenho mania de limpeza. nem cometo erros de ortografia que te fariam ficar corado como se o blush fosse maquiagem 24h. tu, aí, ó: desiste. porque eu quero muito da vida. eu quero compromisso. eu quero um cara que me leve a sério. eu quero um sujeito que faça tudo por mim (eu vou fazer tudo por ele, né?, então quero o mesmo, porra). desiste porque eu não bebo até ficar tonta e danço funk porque é festa. (eu não danço funk nem de brincadeira) porque eu levo relacionamentos a sério. porque eu tenho mais de 30 e não tenho paciência com homem infantil, que não sabe o que quer, que fica confuso, que não assume as broncas e que não tem colhões. eu acredito em fidelidade, e acredito ainda mais em lealdade. eu acredito em companheirismo. tu, aí, ó: eu não sou grudenta, mas eu gosto de estar junto e acho que namorados precisam estar juntos. precisam passar tempo juntos. precisam fazer coisas juntos. e não, não compreendo o motivo pelo qual um cara queira sair o tempo todo sem a namorada. eu sou amiga dos caras, eu falo sobre mulheres, e carros. eu odeio futebol (mas, ô, se tu gosta, azar, né?). eu falo palavrão. eu não bebo até cair, mas sou um marinheiro no meio da gurizada. (e, ok, eu arranjo briga em bar se bebum metido a machão vier pra cima de mim se provalecendo).
(me perdi. eu ia dizer dos caras que ficariam comigo se eu não fosse tão... eu. mas acho que nem é por aí)
é que eu não tenho saco pra mimimi de gurizão eterno. não tenho saco pra desculpa esfarrapada. gente, é por isso que eu não tenho um namorado: todas as merdas que os homens dizem pras mulheres eu tou cansada de conhecer. e não tenho nenhum saco mesmo. so, cut the crap. prefiro meu coração partido agora que depois ele despedaçado. prefiro ver que um cara é um otário logo a ver que é um otário depois que eu vi que eu caí na do otário.
gente, é por isso que eu não tenho um namorado. porque eu quero ir pra lua e pra ir pra lua tu precisa levar a sério as instruções do foguete. porque eu não quero ser o general sozinha. porque, porra, cresce, né? caro gurizão, cresça. tu não é homem só porque pega mulher, meu bem. tu é homem quando faz o que um homem faz. e um homem faz coisa séria.
não encheu o saco ainda? taí ainda? tá lendo esta merda ainda? mesmo eu falando a mesma porra de coisa over and over again? ok. então se taí ainda, meu, eu cansei. eu cansei de verdade de falar essas coisas. cansei outras vezes, né? pode dar uma lida geral aí. monte de posts com CAN SAY. cansei e não vou falar mais nisso. cansei e vou ficar de boca fechada. cansei e agora vou ser é bem ruim mesmo. e o que que eu faço?
eu volto. eu me despedaço aqui. eu venho aqui chorar.
mas eu cansei. eu cansei porque da última vez que fiquei doente, tive que fazer canja pra mim mesma porque tava mal pra burro e precisava me alimentar. e eu tinha força pra levantar? eu tinha força pra ir aqui do lado comprar batatas? não tou falando em não ter forças porque tava deprimida. não tinha forças as in não sou fiasquenta e aguento tudo mas tava morrendo de dor e tonta e mal conseguia me arrastar até o banheiro pra vomitar.
(se tu não foi embora ainda, né?, depois de eu ficar falando sobre vomitar... então ok, vai ficando. quem sabe eu não fale algo mais classudo daqui a pouco? ou quem sabe comece a ficar engraçado, de tão patético)
mas eu cansei porque eu fico convidando um amigo pra ir ao cinema porque a porra da única sessão do filme é tarde e eu queria que ele me acompanhasse pra eu não sair sozinha na rua e eu nem quero nada com ele mas não quero que seja outro porque ele é amigo o suficiente pra eu me sentir à vontade e sei que não vou correr o risco de ele ser idiota. mas pá, ele é idiota e foge de mim como o diabo da cruz. e gente, eu não sou uma péssima companhia a ponto de ele não querer me aturar.
ou sou?
(eu nem falo mais no cinema! eu só dou risada, ou choro. ou tenho sustinhos. tão fofo eu tendo sustinhos, precisa ver.)
eu cansei de almoçar e jantar sozinha e então eu nem almoço e nem janto. eu cansei de tudo. cansei de estar sozinha o tempo todo. cansei de voltar sozinha, cansei de chegar sozinha. cansei de não ter pra quem desabafar, nem pra quem pedir uma massagem nas costas porque a luta simplesmente me detonou toda a musculatura.
foda-se. eu cansei. tu aí, ó. desiste. eu desisti também. porque na real, na real mesmo, o problema deve ser comigo. se eu soubesse, juro que mudava. mas não sei colé. então desisto. porque ou eu desisto, ou aceito otários. e otário, né?, não trabalhamos.
(preciso parar com o NÉ, né? mas foda-se também. o blogue é meu e toda aquela coisa que todo mundo já sabe)
tá, eu entendi. é que eu espero. eu tou esperando. "quando tu parar de esperar, aparece". ah, tá. que nem tu precisar de um ônibus e desistir de esperar e aí ele aparecer. se tu desiste de esperar, tu VOLTA PRA CASA SEM OLHAR PRA TRÁS, BOTA O PIJAMA DE NOVO E VOLTA A DORMIR. ou tu PEGA UM TÁXI. mas não tem essa de no que tu desistir de esperar, ele vem. que que tem de problema em eu esperar que exista alguém que preste nesta porra de mundo? alguém que preste e não tenha namorada. alguém que preste e não passe a agir como um otário porque não era bem isso e tal. que que tem de errado em eu querer pedir pro meu namorado me buscar porque tou molhada espirrando com febre com frio fazendo mimimi e sem guarda-chuva? que que tem de errado em sonhar que da próxima vez que eu ficar doente, vai ter alguém preocupado que vai vir aqui me ajudar a levantar porque eu simplesmente não posso mais?
o problema é que eu acredito em contos de fadas. eu acredito que deve ter um doido que vai me aceitar do jeito que eu sou. um idiota que vai comprar a briga. e que se for o meu idiotinha, vai ser idiotinha sem ser escroto comigo, sem ser um otário, sem fazer as idiotices que eu não suporto.
se o coitado for leitor deste blog, merece até um prêmio, gente. porque este blog tá pra ser tipo assim o maior gente, é por isso que eu não tenho namorado de todos os tempos.
[ Penkala ] 03:23 ] 1 comentários
depressão é...
quando tu te sente miserável e tem onde morar, o que comer, onde dormir, banho quente, livros;
quando tu te sente incapaz e tem dois braços que podem trabalhar;
quando tu te sente indefeso e sabe muito bem se proteger;
quando tu te sente impotente e tem duas pernas pra ir onde quiser;
quanto tu sente que tá amordaçado e tem boca pra falar, tem como falar, tem por onde se expressar;
quando tu te sente burro tendo um cérebro que pensa;
quando tu te sente inútil mesmo que tudo dependa de ti e tu cuide de tudo assim mesmo;
quando tu te sente um nada e muita gente ainda te enxerga e admira;
quando tu te sente sozinho no meio de tantas pessoas conhecidas e de tantos amigos;
quando tu não vê futuro mesmo que tudo o que tu mais faça seja traçar planos;
quando te humilham e tu não consegue levantar;
quando te ignoram e tu te sente invisível;
quando te mandam correr e tu te sente paralizado;
quando tu come e sente fome;
quando tu não come e não quer comer;
quando tu dorme, mas só sente cansaço;
quando tu fecha os olhos e só tem pesadelos;
quando tu não quer que tenham pena de ti, mas chora;
quando tu tá vivo, e te desespera;
quando tu tem tudo na cabeça, e não consegue transformar em realidade;
quando alguém te ignorar te machuca absurdamente;
quando alguém te decepcionar te deixa doente;
quando nada dá certo, mas tu continua levantando por medo de que uma hora a mais de entrega se transforme em um dia, e quando tu for ver, em semanas, e de repente, em anos.
é quando tu escreve sozinha pra desabafar porque não tem absolutamente ninguém pra ouvir o quanto tu tá... te sentindo miserável
[ Penkala ] 03:06 ] 0 comentários
resoluções pra 2011
primeiro, revisar as de 2010:
* deste blog, publicadas no dia 03 de janeiro deste ano de 2010
das resoluções pra 2010
escrever mais ficção; [não escrevi quase porra nenhuma de ficção ]
dormir de conchinha sempre que possível; [ sim, mas muito poucas vezes ]
acordar de conchinha sempre que possível; [ o mesmo número de vezes, praticamente ]
acordar alguém; [ sim, mas eles passaram, todos. e eu fiquei ]
ser acordada por alguém; [ quase nunca. eu acordo sempre antes e durmo sempre depois ]
publicar meu livro de contos; [ nope ]
enterrar meus dedos nos cabelos de alguém muitas vezes; [ aham. e, ah como eu gostaria de continuar fazendo isso! ]
comer menos doces e tomar mais água; [ \o/ isso eu consegui! ]
caminhar, além de boxear; [ quase... ]
manter o treino de boxe e aumentar a frequência pra 4x por semana; [ não deu, ficaram 3, mas por culpa da academia ]
cozinhar mais; [ nope ]
receber mais amigos na minha casa; [ quase nunca ]
arrumar as porcarias pendentes na minha casa; [quase tudo que é tralha entulhada eu dei jeito de vazar... ]
ir pra Floripa visitar a irmã ao menos uma vez por semestre; [ sim ]
fazer algo de realmente divertido nas minhas férias; [ não tive férias ainda ]
ter férias; [ pois é ]
juntar uma graninha pra viajar; [ não deu ]
ir mais ao cinema; [ fui, até. mas não tanto quanto eu gostaria ]
voltar a fazer meus trabalhos de arte; [ nope ]
usar mais vestidos; [ yep! \o/ ]
trocar meus óculos; [ ahn... nope ]
parar de tomar remédios; [ parei. mas preciso voltar a tomar. ou seja: grandes merda que parei! ]
defender uma tese e publicar isso tudo; [ nope. ainda ]
tirar A na tese; [ pretendo, né? ]
dar mais aulas; [ dei menos aula, mas por um bom motivo ]
ser uma professora menos cansada; [ ahn... ]
ir a Montevideo e Buenos Aires; [ nope ]
conhecer outras cidades no Brasil; [ conheci Curitiba e São Paulo ]
fazer minha dupla cidadania portuguesa; [ nope ]
aprender a montar filmes; [ nope. a não ser tosco style ]
publicar ao menos 4 artigos bons; [ nope ]
participar de mais congressos; [ nope ]
criar coragem pra fazer carteira de motorista; [ nope ]
falar mais em inglês; [ yap. mas menos do que deveria ]
fazer um checkup geral; [ sort of ]
ter os braços torneados da Michelle Obama; [ quase. quer dizer... bom, deixa pra lá ]
comprar um sofá confortável; [ nope ]
ir ao templo de 3 Coroas; [ nope ]
acabar de fotografar os prédios bonitos em Pelotas; [ nope ]
dar um jeito no meu espanhol; [ no. puta madre, no! ]
pensar onde vou fazer meu pós-doc; [ yap. já pensei ]
assistir a todos os filmes que eu tenho em casa e que ainda não vi; [ iiiiiiih. não. e ainda tem bem mais filmes ]
sair mais vezes pra jantar fora e menos pra almoçar fora; [ menos pra almoçar fora. e quase nunca pra jantar fora ]
gastar menos com besteiras (ah, nem gasto tanto assim!) e mais com livros e filmes; [ gastei muito com filmes e livros ]
ser menos crítica comigo mesma, menos afobada com o mundo, mais tolerante com as frustrações; [ kinda ]
chorar menos, dormir mais vezes sorrindo; [ ahn... nope ]
dormir mais; [ que vocês acham? ]
planejar menos e fazer mais; [ ahn... ]
me preocupar menos e [ o texto acaba aqui, por algum motivo que nem sei. mas é, eu me preocupo MAIS. ainda... ]
. . .
agora, as minhas resoluções pra 2011
me dar mais valor, me permitir sofrer menos, ser menos permissiva com os outros;
acabar meu doutorado bem e relaxar, pela primeira vez em 8 anos de Porto Alegre e 6 anos de pós-graduação;
viver mais offline e perder o vício de internerds;
publicar minha tese e minha dissertação;
estudar francês, melhorar meu espanhol, falar mais inglês;
visitar meus amigos em Nova York;
visitar meus amigos em Madri;
visitar meus amigos na França e em Portugal;
publicar mais artigos;
estudar tipografia mais a fundo;
estudar mais sobre a II Guerra Mundial;
mudar de casa;
ter menos medo, ter mais coragem, ser mais imperativa, me jogar de cabeça;
me entregar menos, receber mais;
enfiar muito meus dedos nos cabelos de alguém. um alguém. um alguém meu. um alguém por muito tempo. um alguém pra virar 2011-2012 comigo;
acordar mais vezes tarde sem sentir culpa;
viajar muitas vezes de última hora pra qualquer lugar;
fazer mais jantinhas pros amigos;
ver mais filmes, ir mais ao cinema;
aprender a costurar decentemente;
fazer um curso de fotografia;
fazer um curso de edição de vídeo;
colocar em prática meus projetos literários;
passar em algum concurso foda;
ter dinheiro pra livros, filmes, viagens;
voltar pro flamenco, treinar mais boxe, andar de bicicleta;
tirar minha carteira de motorista;
conhecer Berlin, a terra de onde todo mundo vive dizendo que eu saí;
deixar de esperar tanto aquilo que eu sei que não vai dar certo;
saber que enquanto durmo tem alguém me cuidando;
reclamar menos;
me realizar mais;
ignorar gente que me faz mal;
me dar o luxo de riscar da minha vida pessoas que não me acrescentam nada;
perder uns 5 quilinhos;
se não perder 5 quilinhos, não ganhar nenhum quilinho;
parar de me preocupar com meu peso;
ver o sol nascer mais vezes, mas não por estar indo dormir, exausta de trabalhar. mas por querer compartilhar isso com alguém;
aprender algo novo;
sentir que sou feliz;
brigar mais com os outros e menos comigo mesma;
pisar na areia, molhar meus pés no mar, mais vezes;
dar um "check" em pelo menos 80% desta lista.
[ Penkala ] 01:13 ] 0 comentários
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