] terça-feira, junho 12, 2012
 
oh, capitão, meu capitão,
escrevo esta carta sem saber se jogo no oceano, se mando pelo correio, se deixo virar um fantasma. escrevo sem saber se encontro quem a receba, se, no idioma que escrevo, vais saber ler.
escrevo fazendo um pedido. capitão, meu capitão, um pedido sincero. que me salves do lirismo vazio, que me livres da poesia sem aura, que me deixes afundar no teu sofá e me contes piadas científicas até que eu durma.

oh, capitão, meu capitão, escrevo por não saber dizer, por não poder expressar, escrevo por precisar do teu conselho prático, da forma pragmática como enxergas a vida, ainda que exista poesia no teu método, ainda que exista uma beleza lírica nas tuas pirotecnias, ainda que exista verso nas tuas teses. capitão, meu capitão, escrevo porque preciso decifrar fórmulas. escrevo porque ainda acredito na ciência. escrevo porque perdi a fé na humanidade. escrevo porque sei que compartilhas do vazio da nostalgia de tempo nenhum, porque sei que compreendes minha necessidade de evidências. porque sei que da bruma não depreendes só a boemia dos invernos europeus, mas as partículas que nos afastam e nos unem. porque sei que o minuano que me faz chorar quando vem direto nos meus olhos não passa de um barco desgovernado, sem comandante, derivando em outros mundos e me afastando dos meus horizontes.

[ Penkala ] 02:42 ] 0 comentários

 
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