] sábado, julho 07, 2012
 
espera. eu sei que eu é que enchi essa caixa de esperanças. eu sei que fui eu que decorei ela com carinho e enchi de esperanças. mas não foi culpa minha. aconteceu (de novo) tão de repente. as coisas que eu tinha guardado no fundo da gaveta apareceram todas. espera, não fui eu quem foi procurar. não pude evitar. tudo voltou. sozinho. independente de qualquer coisa. e eu achei que... talvez não devesse sufocar isso de novo. achei errado, claro. mas espera, eu sou humana. sufoquei por tanto tempo uma coisa que não era pra sufocar que uma hora ela apareceu de novo. com força. do nada. me acordou no meio da noite com um safanão, me exigindo que estivesse pronta. e eu não estava.

então espera, deixa eu dizer que não queria. eu não queria. quem é que quer sofrer? quem é que escolhe ser partido ao meio? quem é que opta por chorar? eu não queria, e quanto menos queria, mais transbordava. então espera, deixa eu respirar. porque se esta caixa vai ser partida de novo, então deixa que eu guardo. deixa que eu enfio ela debaixo de uma coberta, numa gaveta funda. deixa que eu enrolo a caixa no meio de algum lençol que eu nunca vá usar. porque assim as coisas que estão lá dentro ficam lá dentro. como sempre estiveram. e sempre vão estar. vou guardar com força e tentar não pensar mais. espera, se vai ser dolorido, que seja antes de atingir meus órgãos vitais (too late).

espera. eu guardei. pra preservar lá dentro tudo o que guardo com tanto carinho há tanto tempo. vou enterrar, se for preciso. fica com a parte que eu te dei, eu fico com esta aqui. e vou guardar. porque o tempo e os mundos podem mudar as pessoas. ou não. e nem sempre elas mudam juntas. que pena. porque dentro desta caixa, que guardei agora, eu ia te contar, tem o meu mundo. e de onde eu vejo, até era um mundo bonito. espera. já guardei. fico aí como lembrança. ficas aqui como lembrança. nunca vou te tirar de lá dentro. achei que a vida ia me explicar o motivo dessa brincadeira. essa brincadeira de me colocar no teu caminho. de te colocar no meu. mas é improvável que a vida me deva explicações.

guardei. vai ficar aqui pra sempre. porque eu acho que não suportaria que se quebrasse de novo. ou talvez eu aguente que se quebre todas as vezes, mas não por ti. não sei dizer.

[ Penkala ] 03:08 ] 0 comentários

 
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